Thiago Teixeira/AE
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Antigo hobby rende R$ 1,5 milhão por mês a empreendedor de São Paulo

Sociedade da Mesa surgiu a partir do gosto de Dario Taibo por bons vinhos

LIGIA AGUILHAR, ESTADÃO PME,

18 de outubro de 2011 | 06h00

Filho de espanhóis, Dario Taibo transformou o gosto por vinhos, adquirido nos anos em que viveu na Espanha, em um negócio que fatura atualmente R$ 1,5 milhão por mês. Em 2002, ele fundou o Sociedade da Mesa, um dos maiores clubes brasileiros da bebida, com 10 mil associados que recebem mensalmente entre 4 e 6 vinhos de diferentes origens com preços até 50% menores do que os praticados nas lojas.

O modelo de negócio, ainda pouco difundido no País, mas muito comum na Europa, tem grande apelo entre os consumidores e ganhou espaço no mercado brasileiro com o crescimento da economia, que aumenta o interesse do consumidor por produtos e serviços sofisticados.

A segmentação e o fato do consumo de vinho estar se popularizando no País colaboram para o sucesso do negócio de Dario. Tanto isso é verdade que já surgiram pelo menos outros cinco clubes com o mesmo formato, e versões dele com a oferta de cervejas e até cosméticos.

“O brasileiro adora uma novidade e, a partir do momento que tem dinheiro para gastar, eleva seu nível de exigência e passa a consumir produtos e serviços mais sofisticados”, diz o consultor do Sebrae-SP, Marcelo Sinelli. “A ideia de ter acesso a um grupo de pessoas com gostos parecidos com o seu atrai o consumidor, sendo esse um modelo de negócio com potencial para crescer”, afirma o especialista.

Para ingressar na Sociedade da Mesa, o interessado deve cadastrar-se e adquirir a primeira seleção de quatro ou seis vinhos do mês. A partir daí, passa a receber um boletim mensal que contém informações sobre os vinhos que serão entregues no próximo mês. Se não tiver interesse, o cliente pode suspender o recebimento sem pagar nada.

Caso não se manifeste, receberá em casa a seleção do mês e terá o valor debitado da sua conta ou cartão de crédito - o valor máximo por garrafa varia, mas segundo Taibo, o preço médio máximo é de R$ 39. “Cada garrafa chega a custar R$ 70 no mercado e algumas marcas não são encontradas facilmente no Brasil”, garante. Existe ainda uma seleção trimestral de vinhos mais caros - custam em torno de R$ 90.

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Acaso

A empresa administrada hoje com sucesso por Taibo surgiu por acaso. Interessado em vinhos mais sofisticados e com preços bons, o empresário começou a importar caixas fechadas de vinho. As aquisições chamaram a atenção de amigos, que então passaram a pedir que o empreendedor comprasse quantidades maiores do produto para que eles pudessem abastecer suas adegas particulares.

Com o aumento das encomendas, foi necessário abrir uma distribuidora e emitir boletos bancários para os pagamentos. “Como pessoa jurídica, conseguia comprar os vinhos por preços ainda mais baixos”, lembra.

Por sugestão de um amigo, Taibo criou também uma revista mensal - enviada gratuitamente até hoje junto com cada seleção - e que contém reportagens com detalhes sobre os vinhos do mês e curiosidades sobre o mercado.

O conhecimento do empresário sobre o assunto chamou a atenção de Massimo Galimberti, presidente do clube espanhol Vinoselección, um dos mais antigos e tradicionais do mundo, que pretendia trazer o modelo para o Brasil, depois de levar o formato para países como o Canadá, Uruguai, Alemanha e Inglaterra. Em 2004, a Vinoselección se tornou acionista da empresa, o que resultou no aprimoramento do modelo de negócios.

Credibilidade

Com o crescimento do Sociedade da Mesa, Taibo deixou de comprar as garrafas das distribuidoras e a fazer, ele mesmo, a importação - cerca de 40 mil garrafas por mês. Também ganhou credibilidade, já que a escolha dos rótulos é feita em conjunto com uma mesa técnica composta por representantes dos clubes de outros países. Já fizeram parte da seleção mensal vinhos de países como Argentina, Uruguai, França e Grécia.

“Nosso principal cuidado é para nunca subestimar o cliente e a capacidade dos associados conhecerem o produto que compram. Já vi clubes fecharem por oferecerem produtos com qualidade inferior ao preço cobrado”, conclui Taibo.

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