Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Amigos se reúnem para investir em franquias

União é uma forma de dividir custos e ampliar conhecimento, mas é preciso ter cautela na escolha dos parceiros

Gisele Tamamar, Estadão PME,

30 de maio de 2014 | 18h35

Ao dividir os custos e unir perfis complementares para o sucesso do negócio, grupos de amigos que se reúnem para investir em franquias têm se tornado algo cada vez mais comum no setor, segundo a Associação Brasileira de Franquias (ABF).

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De acordo com o vice-presidente da ABF, Gustavo Schifino, essa expansão é comprovada por ele na prática. Diretor das lojas Trópico, especializada em surfe e skate, Schifino foi procurado por quatro grupos de amigos no ano passado. “Foi a primeira vez. Antes, o comum era a presença de um investidor, um pai comprando uma franquia para o filho.”

Do lado da rede, Schifino pontua que é preciso saber identificar se o grupo tem maturidade para tomar decisões coletivas. De vez em quando, pontua o especialista da ABF, uma alternativa é nomear um líder quando a amostragem de perfil identifica que esses amigos podem ter dificuldade em agir coletivamente.

“Todo lugar que tem muito sócio pode acabar dando confusão se a regra do jogo não estiver muito clara”, afirma Marcelo Cherto, da Cherto Consultoria. Por isso, é fundamental que exista uma governança clara, com a responsabilidade de cada um bem definida.

A dica do vice-presidente da ABF é buscar sócios com perfis diferentes. “Em geral, as pessoas são amigas pelas semelhanças. Por isso, o principal desafio de quem está formando um grupo é não olhar só para aquele amigo que tenha potencial de investimento, mas para uma pessoa com perfil complementar”, recomenda.

Essa regra foi seguida por Roberto Rangel, Carlos Alberto Pereira e Marcos Carnielli. A divisão das responsabilidades das três franquias Morana administradas pelo grupo foi definida de acordo com a área de competência de cada um: varejo, marketing e financeiro, respectivamente. “Um trabalhou com o outro em algum momento e surgiu a situação: por que não utilizarmos a experiência para montar uma empresa?”, conta Roberto Rangel.

O fato de não precisar começar do zero motivou o grupo a pesquisar as franquias e comprar três unidades da Morana, duas em São José dos Campos e uma em Guaratinguetá. “A divisão das responsabilidades é estruturada, mas tem flexibilidade”, afirma Rangel.

A situação se repete entre os franqueados de duas unidades do Big X Picanha em São José dos Campos. Cada um dos quatro sócios é responsável por uma área e um dia da semana na loja. Já nas sextas, sábados e domingos, cada um fica com um grupo de dias por mês.

Ter um negócio era uma vontade antiga dos amigos Marcelo Turci e Flavio Tavares. Mas ela foi colocada em prática apenas em dezembro de 2012, após duas visitas na feira da ABF e uma pesquisa vasta sobre diversos setores. Como a opção que mais atraiu a dupla era também a mais cara, a dupla precisou procurar outro sócio. Acabou encontrando dois: Juan Navarro e Ewerton Moreira. No fim, cada um investiu cerca de R$ 50 mil para efetivar o negócio.

“Conseguimos abrir a loja rápido e as contas que ainda iam vencer conseguimos pagar com o lucro da própria loja. No total, o investimento foi de R$ 500 mil”, afirma Turci. Como os quatro sócios não dependem da franquia para pagar as contas de casa, o lucro foi guardado pelo grupo para abrir a segunda operação dos empresários, inaugurada em fevereiro.

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