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Amigas superam desconfiança e lançam marcenaria feminina em SP

Sócias dizem que proposta é lançar um "olhar feminino" a um mercado tradicional e dominado por homens

Vitor Tavares, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2016 | 16h47

As amigas e sócias Letícia Piagentini e Fernanda Sanino vendem os móveis que elas mesmas desenharam, cortaram, deram o acabamento e montaram. E não pense que elas tiveram algum tipo de ajuda - há dois anos, a dupla se lançou sozinha na empreitada de uma marcenaria e tapeçaria feita por mulheres, a Lumberjills, que encontrou num mercado essencialmente masculino espaço para um novo olhar, desde a concepção dos produtos ao modelo de negócio.

Em 2014, Letícia e Fernanda largaram os empregos de gerentes de vendas em uma multinacional e resolveram se dedicar à criatividade e ao empreendedorismo. Uma gostava de desenhar, e a outra já era adepta da cultura do "Do It Yourself" (DIY) - ou "Faça Você Mesmo" -, consertando objetos dentro de casa. Meio que "por acaso", Letícia entrou num curso de projetista de móveis, e, daí, não parou mais. "Vi que não queria só desenhar, mas colocar a mão na massa. Comentei com a Fernanda e resolvemos nos lançar nessa", disse.

Apesar de ter que encarar o machismo em algumas situações, principalmente com os fornecedores, as duas não encontraram dificuldade para se inserir no mercado. Primeiro, vieram os "cobaias": amigos e parentes que receberam os móveis da Lumberjills e ajudaram as duas a aprender métodos e conceitos que até então elas não dominavam. Depois, no boca a boca, foram vendo os pedidos de orçamentos e encomendas subirem mês a mês.

Mulheres, casais jovens e clientes LGBT formam hoje o principal público da empresa. "Ser mulher mais ajudou do que atrapalhou. São pessoas que querem coisas diferentes, fora dos conceitos que estão aí, um olhar feminino", comentou Letícia.

Atualmente, a oficina das duas, localizada em Santo André, no ABC Paulista, produz itens de decoração, cabeceiras, peças pequenas sob medida, mas também móveis maiores, como gabinete de banheiro. "A gente vem se especializando em atender a uma demanda menor, nas necessidades pontuais dos clientes", conta Letícia. Em curto e médio prazo, as sócias pretendem achar uma oficia maior e passar a ter ajuda de outras profissionais, para diminuírem os prazos de entrega.

As Lumberjills - que é o feminino de "lenhador", em inglês - já começaram, inclusive, a inspirar novas marceneiras: muitas entram em contato para entender o mercado e saber como é a receptividade quando o cliente vê que a profissional é uma mulher. "Falo o que um professor uma vez me disse, que hoje já existe tecnologia suficiente para que nem homem nem mulher precisem fazer força, não há nenhum impedimento", disse Letícia, que, pela procura, já planeja dar aulas sobre o assunto.

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