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Americano aluga imóveis em comunidades do Rio e espera faturar R$ 150 mil com a Copa

Aos 24 anos, Elliot Rosenberg montou a Favela Experience, empresa que hospeda turistas na Rocinha e no Vidigal

Renato Oselame, Estadão PME,

12 de junho de 2014 | 06h28

De olho na Copa do Mundo que começa hoje em São Paulo, as comunidades da Rocinha e do Vidigal, no Rio de Janeiro, já recebem os turistas da maneira mais íntima possível: em casa. Esta é a proposta da Favela Experience, empresa que oferta imóveis para aluguel nestas regiões a turistas, sobretudo os estrangeiros, que buscam uma experiência tipicamente carioca. O projeto tem dado certo, e a empresa estima que irá faturar US$ 100 mil em 2014 (cerca de R$ 220 mil).

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O site reúne uma seleção de quartos, individuais ou coletivos, e apartamentos para alugar. A ideia é proporcionar aos estrangeiros a oportunidade de conhecer um outro lado do Rio de Janeiro ao mesmo tempo em que gerar renda extra para os moradores da região. “Queremos quebrar o estereótipo negativo das comunidades por meio dessa troca cultural”, explica o fundador da empresa, o americano Elliot Rosenberg, que tem apenas 24 anos.

Para o Mundial, o empresário afirma que todos os imóveis disponíveis já foram reservados, e que apenas algumas datas entre uma reserva e outra estão em aberto. A expectativa é de que o período da Copa do Mundo renda à Favela Experience um faturamento de US$ 70 mil (cerca de R$ 150 mil). Para investir, Rosenberg criou um anúncio no IndieGogo, plataforma online de financiamento colaborativo, onde arrecadou US$ 31 mil (R$ 68 mil).

Os turistas que optaram por alugar um quarto ou cama também terão contato com a família que é dona da casa, em um modelo de “homestay”. “Eu já passei um ano em ambientes assim, na casa de uma família em um país estrangeiro para conhecer melhor a cultura, praticar o idioma e fazer amizades”, conta Rosenberg.

O empresário diz que, pelo serviço, os donos dos imóveis recebem cerca de 75% do valor contratado. Em média, a diária cobrada por pessoa fica entre US$ 30 e US$ 50 (entre R$ 65 e R$ 110), valor inferior ao pratiado nas áreas nobres da cidade.

A ideia para a empresa surgiu em 2012, ano em que Rosenberg foi apresentado à Rocinha. “Na primeira vez em que fui convidado para vir aqui, eu tinha um preconceito, um medo que a maioria dos brasileiros e estrangeiros têm”, diz, “Mas é muito interessante, é um lugar único.”

Rosenberg acreditou no projeto e em dezembro de 2012 começou a recrutar famílias. De porta em porta, foi conhecendo as residências e fechando parcerias. E, pouco tempo depois, divulgou o primeiro anúncio imobiliário para hospedar turistas no carnaval de 2013.

Diferenciais

Na opinião do empresário, a Favela Experience é importante para os moradores que desejam alugar seus imóveis porque reúne conhecimentos do mercado, atua com marketing online, mídias sociais e relações públicas. “Isso traz maiores resultados do que uma família conseguiria sozinha”, explica.

Além disso, Rosenberg fechou parceria com um empreendedor local, que encontrou em uma das suas primeiras visitas à Rocinha. Zezinho da Silva, como é conhecido na comunidade, fundou a Favela Adventures, que organiza passeios turísticos pelo bairro. Com isso, além de oferecer hospedagem aos estrangeiros, Rosenberg também negocia tours. Parte da receita é revertida para atividades beneficentes realizadas por Zezinho na região. “Com isso, conectamos hóspedes aos projetos sociais gratuitos da Rocinha”, afirma Rosenberg.

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