Ambição sadia deve ser busca incansável

Eleito empreendedor do ano durante o 4º Prêmio Estadão PME, Paulo Veras abandonou a faculdade de engenharia e iniciou primeiro negócio aos 22 anos

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo,

05 de agosto de 2015 | 07h05

O empresário Paulo Veras participa de uma conferência online sobre estratégia de expansão em seu escritório, na casa onde vive com a família. Ao lado, uma sala com tapumes coloridos e uma estante de brinquedos indicam o que ele não faz questão de esconder: o trabalho permeia todas as esferas de sua vida e isso não parece problema. 

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À frente da 99Taxis, aplicativo que conecta passageiros a taxistas e que cresce 10% ao mês, o empreendedor comemora estar, enquanto conversa com a reportagem, presente em 300 cidades, com abrangência de cerca de 120 mil motoristas e 5 milhões de passageiros. Apesar de monitorar esses índices constantemente, Veras garante conseguir dormir sete ou oito horas todas as noites.

Finalizada a reunião, a voz sisuda dá espaço a um sorriso quase constante. O empreendedor do ano, eleito durante o 4º Prêmio Estadão PME, conta que o impulso para ter o próprio negócio apareceu cedo. Aos 22 anos, abandonou o curso de engenharia mecatrônica da Escola Politécnica da USP para se dedicar a Tesla, uma das primeiras empresas de serviços de internet no Brasil. Isso aconteceu há 20 anos, quando o mundo online ainda era uma aspiração futurista e a internet era legal, mas poucos sabiam para que servia. 

“Para mim, o começo foi muito intuitivo. Para os meus pais, um choque profundo”, relembra Veras. Aos 22 anos, o então estudante não via mais sentido em trabalhar pela Tesla apenas nas lacunas de tempo deixadas pela faculdade – entre meia-noite e seis da manhã e aos fins de semana, como ele brinca. 

Além de largar a faculdade, Paulo comunicou à família que pediria demissão do estágio em uma multinacional. A mãe se assustou. O pai pensou ser brincadeira. “Abri mão da tão valorizada estabilidade, do plano de carreira, para um mundo maluco com possibilidades desconhecidas. Na minha cabeça, se tudo desse errado, no mínimo eu teria adquirido experiência.” 

O fascínio pela internet conduziu Paulo a dedicar-se a uma série de negócios online a partir da Tesla, de site de compras coletivas até produtora de vídeos digitais. Reconhecido pela ousadia, foi convidado em 2005 para compor a diretoria da Endeavor, organização que fomenta o empreendedorismo no Brasil e no mundo. Lá, ele ainda atua como consultor. “A ambição sadia deve ser uma busca incansável para o empreendedor. Pessoalmente, o que sempre me moveu foi o sonho de fazer um negócio incrível”, relembra Veras.

O mais recente deles, a 99Taxis, começou em 2012 em uma reunião com mais dois amigos e investimento de R$ 100 mil. O passo seguinte foi gastar saliva e sola de sapato para convencer taxistas a rodarem com o aplicativo, que liga o usuário a cinco taxistas mais próximos do endereço informado. Os primeiros 12 meses da 99Taxis tiveram 200 adesões de motoristas. Atualmente, esse é o número de cadastros diários. “O começo foi tão duro que seria mais fácil desistir. Sem investir um tostão em propaganda, confiamos muito no boca a boca, que fomentou o círculo virtuoso”, avalia. 

Paulo é arredio ao falar sobre os números da empresa, mas revela que a 99Taxis ainda não paga suas operações – a opção do trio de fundadores foi pela expansão agressiva pelo País antes de consolidar os lucros. A ideia é que o aplicativo alcance o equilíbrio até 2017 e fature, no fim de 2019, “uns R$ 100 trilhões”. O sorriso constante dá lugar, então, a uma gargalhada.

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Papel. Na rotina de Paulo Veras, o planejamento de cada novo passo é constante e o empreendedor de sucesso deve ser, em sua opinião, um “bom gestor de riscos”. Mesmo as possibilidades de fracasso são colocadas no papel antes de qualquer tomada de decisão. 

“As coisas levam tempo para dar certo e não dá para olhar passivamente para o resultado que não vem. É preciso desenvolver uma atitude agressiva”, reflete. 

Testemunha das transformações do mercado e do comportamento do consumidor ao longo dos seus recém-completados 20 anos de empreendedorismo, Veras leva consigo um aprendizado importante: é preciso estar à frente das revoluções, mesmo que isso implique no que define como o “ônus do pioneirismo”. “Liderar uma nova onda nos coloca diante de desafios que ainda não foram superados”, garante o empresário. 

Sentado diante de um mapa cravejado por alfinetes que indicam os cerca de 70 lugares em que já esteve – entre eles Índia, Nepal e África -, Paulo reflete sobre as referências que traz de suas viagens, tanto para os negócios quanto para a vida pessoal. E revela que é um dos planos que mais gosta de fazer. Próximo destino? “Canadá ou Irlanda. Ou, quem sabe, o Irã”, sorri.

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