Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Aluguel faz varejista revisar planos de expansão

Empreendedor procura também imóveis menores para fazer frente aos sucessivos aumentos observados nos últimos quatro anos

Renato Jakitas, Estadão PME,

22 de fevereiro de 2013 | 14h35

O desembolso com o aluguel do ponto comercial tem tirado o sono dos varejistas das principais cidades do País nos últimos quatro anos. De lá para cá, os reajustes dos contratos superam em até 40% os preços apurados pelo IGP-M, índice usado para calcular a inflação do setor, que em 2012 ficou em 7,8%.

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Para 2013, o viés ainda é de alta. A expectativa do mercado atualmente é por aumentos reais de 15% a 20% acima dos praticados nas negociações envolvendo os imóveis residenciais e corporativos. Para contratos novos de aluguel, a situação ainda agrava-se devido a cobrança de luvas, que é a taxa paga pelo locatário ao antigo ocupante do ponto. Além da inflação do setor, há também a falta de critério para quem estipula os valores.

Em uma mesma rua na região dos Jardins, dois imóveis com 120 metros quadrados e fachada semelhante apresentam diferença de R$ 2,3 milhões em luvas (de R$ 700 mil para R$ 3 milhões).

Como resposta a esse movimento, empresários começam a rever suas estratégias, principalmente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo. Ambas, informam os especialistas, figuram hoje em dia entre as que mais sofrem com a escalada dos preços imobiliários.

As alternativas contemplam a tradicional remarcação dos valores cobrados pelos produtos – eles sobem para a absorção de parte dos custos operacionais. Mas há medidas mais duras também, como a revisão das metas de expansão, a busca por lojas menores e até o abandono de áreas mais concorridas.

Lindolfo Dias de Paiva, fundador da Mr Cheney, rede de franquias especializada em cookie, espécie de biscoito tradicional nos Estados Unidos, exemplifica bem as dificuldades encontradas atualmente. Com nove lojas em São Paulo, Brasília, Campo Grande e Florianópolis, o empreendedor já repensa a meta de alcançar 30 unidades até 2014.

“Nós somos uma marca que está se consolidando no mercado. Quando a gente conhece os valores dos pontos e avalia tudo, realmente, assusta um pouco”, afirma. “Tem loja que você paga R$ 800 mil de luvas e valores de ocupação de R$ 30 mil para um espaço de 40 metros quadrados. Com esse preço, temos até de refrear um pouco o próprio franqueado para ter assegurada uma operação saudável”, destaca Paiva, que diminuiu as especificações do tamanho da loja de 70 para 40 metros quadrados.

Para Marcos Hirai, sócio-diretor da BG&H Real Estate, que monitora o setor, o problema está na falta de opções à disposição do interessado. “Uns cinco anos atrás, o índice de vacância comercial (porcentagem de imóveis vagos) girava em torno de 12% a 10% nos grandes centros do Brasil. Agora, esse índice nas ruas e nos shoppings gira em torno de 0,4% a 0,6%”, revela.

Já para Adriano Gomes, sócio da imobiliária Moisés Gomes, a questão não é apenas a demanda. Segundo o especialista, alguns donos de imóveis simplesmente exageram na cobrança. “Tem gente que acha que tem uma mina de ouro na mão. E vai estrangulando o inquilino até ele não aguentar mais”, conclui.

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