Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Aluguel esportivo aposta em novas modalidades e customização de serviços

Alta dos esportes americanos no Brasil estimula novas arenas; quadras tradicionais de futebol buscam diferenciais

Matheus Andrade, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 06h00

Especial para o Estado 

O negócio de aluguel de quadras esportivas tradicionalmente é visto como dos mais simples. Geralmente, não demanda mais do que o espaço físico e bolas. Ao longo dos anos, sempre contou com o apelo de ser um espaço para descompressão no meio das cidades “devido à escassez de espaços públicos destinados ao esporte e à falta de áreas livres”, como apontado em análise do Sebrae. No entanto, um público mais exigente e a diversificação de modalidades abriram caminho para a criação de espaços com práticas como beisebol e basquete - e quem vivia só de futebol foi obrigado a se reinventar.

Foi assim que surgiu o Hoops Park Indoor, espaço inaugurado em meados do ano passado para a prática do basquete, no bairro do Campos Elíseos, centro de São Paulo. Duas quadras com estrutura similar a de competições internacionais se juntam a uma meia quadra e a um bar temático, somando 2 mil metros quadrados de imóvel. O idealizador, Jonatas Correa, resolveu apostar na demanda de praticantes do esporte, ainda que o volume de fãs de basquete não seja tão grande quanto um esporte como futebol.

O local exigiu um investimento de R$ 1,5 milhão, que Correa aposta ser recuperado no longo prazo: “Há muito mercado. São muitas crianças começando a jogar, estamos formando algo para os próximos dez anos.” Integrar os iniciantes é uma preocupação para Correa, já que espaços como parques costumam não ser inclusivos aos novatos. Em março, o intuito é oferecer partidas exclusivas para os ingressantes. 

Ainda assim, mesmo os mais familiarizados encontram no espaço alguns diferenciais. “Apostamos no que é mais parecido com o que a pessoa vê na TV”, conta Correa. Segundo ele, um cliente mais habituado ao esporte chegou a se emocionar ao jogar pela primeira vez em uma quadra de demarcação exclusiva para a modalidade. Para ele, “é fácil identificar um fã de basquete”, e o espaço aposta em eventos musicais e culturais voltados ao esporte americano. Além de oferecer a prática desportiva, quer fomentar o aspecto cultural.

De olho no aumento do interesse por esportes americanos, a Arena Beisebol surgiu em 2017 também em São Paulo. No espaço, é possível praticar aspectos da modalidade, como rebatidas e arremessos. A estrutura conta com equipamentos para melhorar a experiência, como máquinas que lançam bolas utilizadas em treinos e radares que medem a velocidade atingida pelas bolas. Desde então, o espaço se expandiu e agora conta com uma hamburgueria voltada a lanches ligados ao beisebol, com destaque para os tradicionais cachorros quentes típicos de estádios. É uma forma de agregar serviços para atrair clientela.

“Cerca de 80% do nosso público em dias de semana é de gente que já pratica, inclusive jogadores de seleção. Mas nos finais de semana aparecem muitos curiosos”, conta Mário Mandruzatto, criador do espaço, que fica no Tatuapé, zona leste da capital paulista. Na modalidade mais simples, é possível praticar a rebatida de 40 bolas por R$ 30. 

Além da renda com aluguel e lanches, o espaço fatura com a venda de equipamentos. Com cerca de 300 praticantes fixos por semana, Mandruzatto conta ter recuperado o investimento inicial (que ele prefere não revelar) em dois anos de operação, em 2019. 

Mesmos espaços, outras ideias

Na mineira Juiz de Fora, a Livewell Soccer, criada em 2018, opera em um campo tradicional de futebol society, mas vem se destacando pelo futfit, modalidade que mistura o esporte mais popular do País e o crossfit. Responsável pelo espaço e pelo método praticado ali, Guilherme Lopes conta que viu modalidades semelhantes em viagens e, a partir daí, adaptou o estilo com uma metodologia própria.

Atualmente com cerca de 85 alunos, o local funciona a partir de um check-in que os interessados fazem em um aplicativo próprio a cada sessão, que pode ser paga à parte ou em pacotes. “A preparação é parecida com a de clubes de futebol”, explica Lopes, citando aspectos físicos e técnicos, como prática de condução de bola, sprints e outros. Segundo ele, a empresa cresceu 20% em 2019, aumento de faturamento que ele espera alcançar novamente neste ano.

Desde 1983 atuando com locação de quadras de futebol em São Paulo, a Playball percebeu que precisava se reinventar nos últimos anos, para aumentar a competitividade com suas cinco unidades na capital. Em 2015, passou a atrair o público feminino com seu primeiro torneio de futebol para mulheres, modalidade que já teve 13 competições realizadas desde então. Outra mudança foi na organização de campeonatos corporativos, hoje responsáveis por cerca de 70% da arrecadação da Playball.

Para atrair as empresas, o jeito foi contar com serviços personalizados. “A gente oferece a organização do evento, os destaques das partidas, gravação em vídeos, cobertura jornalística”, explica Amanda Macedo, assistente de marketing da Playball. Algumas partidas chegam a contar com narrações e cobertura completa de vídeo, material que depois fica disponível aos participantes. A empresa já chegou a organizar 18 campeonatos simultâneos, e tem uma média de 50 realizados durante o ano.

 

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