Alterar planos e metas pode salvar empresa da crise e aumentar nível de inovação

Alterar planos e metas pode salvar empresa da crise e aumentar nível de inovação

Grings Alimentos redesenhou oferta para ganhar espaço em mercado que movimenta US$ 36 bilhões por ano no Brasil

Bruno de Oliveira, especial para O Estado,

12 de agosto de 2015 | 08h10

"Enquanto eles choram, eu vendo lenços". Esta frase, atribuída ao publicitário brasileiro Nizan Guanaes, representa uma prática que tem dado certo ao longo da história, sobretudo nos momentos de estagnação econômica - foram nestes períodos que surgiram inúmeros produtos e práticas inovadoras que revolucionaram o comércio, a indústria e o setor de serviços.

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Sejam motivados por uma realidade financeira caótica ou por pura inspiração, foram durante crises que empreendedores de sucesso conseguiram driblá-las inovando em suas estratégias de negócios. Em muitos casos, a guinada nas empresas veio a partir de um reposicionamento no mercado. Na prática, revisaram os planos iniciais e decidiram começar do zero com uma nova proposta.

Foi assim com a Nestlé para superar queda nas vendas de marcas como o Nescau; com as Alpargatas, quando observou o avanço de concorrentes no mercado das Havaianas; e também foi o que aconteceu com a Grings Alimentos, uma PME de São João da Boa Vista (SP) que faturou R$ 14 milhões em 2014 e quer chegar a R$ 20 milhões até o final do ano por meio de novos planos que surgiram após a reformulação.

Em 2010, a empresa, que produz alimentos a base de grãos, vivenciava um momento de estagnação frente a um mercado dominado por gigantes como Camil e Tio João. No ano seguinte, em 2011, o investimento na composição de um mix mais simples e com maior valor agregado fez com que a empresa conseguisse mais receita e market share.

"O mercado de alimentos naturais é algo novo e com muitas oportunidades. Para competir com as empresas maiores, que dispõem de maior capacidade produtiva, a saída é reforçar a operação onde elas ainda não atuam", explica Cristiano Grings, fundador da empresa. "Hoje, vendemos mais os novos produtos do que os itens da linha que começamos", completa.

No começo do negócio, em 1998, a Grings era uma pequenas indústria que ensacava e vendia granola e arroz integral, produtos que começavam a ganhar popularidade em determinados setores da sociedade. Após o plano de reestruturação, que envolveu um profundo estudo do mercado consumidor do País, a empresa agregou novos grãos e passou a processá-los, criando assim novos produtos, como as barras de cereais.

"Na época em que decidimos inovar em nossa produção e estratégia, o varejo que trabalhava com alimentos naturais contava com produtos de outros países e, por aqui, as grandes ainda não tinham linhas específicas para atender o nicho. Focar em uma nova linha permitiu que fossemos um dos primeiros a explorar essa oportunidade, fortalencendo a marca e desbravando novos mercados", contou Grings.

O aumento das vendas da empresa viabilizou um movimento de expansão da atuação da empresa para além de São Paulo, chegando hoje a 11 estados. Além disso, o empreendimento decidiu investir no desenvolvimento de novos produtos com a construção de parcerias com laboratórios de fornecedores.

"Inovação é um movimento constante, não pode ser abandonado quando se consegue melhores resultados a partir de uma estratégia que surge para ajudar a empresa. Após a reestruturação, contratamos um engenheiro de alimentação que trabalha junto com laboratórios parceiros no sentido de criar novos produtos, testar novos ingredientes e aumentar o nível de qualidade do que vendemos", disse.

De acordo com a última pesquisa de mercado Internacional Euromonitor, o mercado de produtos naturais movimenta cerca de US$ 36,4 bilhões por ano só no Brasil. O crescimento acumulado nos últimos cinco anos chegou a 83%.

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