Daniel Teixeira/AE
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Alta de 4,1% no consumo das famílias favorece pequenas e médias empresas

Retomada do crescimento do PIB no quarto trimestre do ano passado e outros fatores, como medidas para fomentar o crédito, devem manter estímulo ao consumo em 2012

Ligia Aguilhar - Estadão PME,

06 de março de 2012 | 12h56

A alta de 4,1% no consumo interno das famílias em 2011, com aumento de 1,1% no quarto trimestre, segundo dados divulgados nesta terça, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam um cenário mais otimista para as pequenas e microempresas dos setores de comércio e serviços em 2012.

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De acordo com o economista-chefe da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza, Rodolfo Manfredini, a retomada do crescimento da economia no quarto trimestre do ano passado, ainda que tímido, a manutenção dos baixos índices de desemprego e o crescimento da massa salarial vão estimular o consumo em 2012. "O provável novo corte da taxa Selic, que entra na casa de um dígito, vai fomentar o investimento, o crédito e acelerar a economia, que deve crescer pelo menos 3% neste ano", diz.

A economia do Brasil cresceu de acordo com o previsto em 2011, conforme dados divulgados pelo IBGE, e avançou 2,7% no ano passado, com alta de 0,3% no último trimestre. O PIB de 2011 em valores correntes somou R$ 4,143 trilhões e o PIB per capita ficou em R$ 21.252, uma alta de 1,8%, em volume, em relação a 2010.

Foi o mais fraco resultado anual do PIB desde 2009 (-0,3%) e bem inferior ao desempenho de 2010 (+7,5%). "Em 2010 o crescimento foi muito bom, mas muito acima do potencial médio do País, em torno de 4,5%", diz Mafredini. "O pequeno empresário tem que sempre avaliar essas oscilações, especialmente crescimentos muito expressivos, para não se empolgar demais e acabar se descuidando dos controles internos", diz.

O economista recomenda que durante esse momento de desaceleração o empreendedor reavalie seu negócio e aumente o cuidado com o fluxo de caixa, especialmente porque um eventual agravamento da crise europeia pode interferir no cenário previsto para a economia brasileira neste ano. "O empreendedor deve melhorar sua administração interna, cortar desperdícios e aprimorar os controles internos para ter margem de manobra", aconselha.

Outros resultados. A indústria foi um dos destaques negativos do PIB, na comparação do quarto trimestre de 2011 contra o quarto trimestre de 2010, com queda de 0,4% . "O câmbio dificultou o crescimento da indústria, que foi o principal entrave da economia no ano passado, especialmente no segmento de vestuário", afirma Manfredini. "No entanto, as pequenas e médias empresas se beneficiam porque a maior parte está concentrada nos setores de serviços e no varejo, que tiveram resultados satisfatórios", diz.

O PIB de serviços mostrou alta de 0,6% no quarto trimestre de 2011 ante o terceiro trimestre do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, a alta foi de 1,4%. Isso levou um crescimento de 2,7% no PIB de serviços em 2011.

As exportações brasileiras também subiram. A alta foi de 1,9% no quarto trimestre de 2011 ante o terceiro trimestre do ano passado, e de 3,7% na comparação com o quarto trimestre de 2010, totalizando uma alta de 4,5% ante 2010. No caso das importações, houve alta de 2,6% no quarto trimestre de 2011 contra o terceiro trimestre do ano passado, e aumento de 6,4% no quarto trimestre de 2011. Com isso, as importações subiram 9,7% em 2011 contra 2010.

"A demanda por commodities tem crescido muito, como reflexo da demanda chinesa e asiática. Mesmo com o anúncio da redução do crescimento de chinês de 8% para 7,5%, não acredito que as exportações brasileiras sofrerão algum impacto negativo neste ano", afirma.

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