Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Ainda dá para ganhar dinheiro ao abrir uma loja para bichos de estimação

Mercado ainda pode crescer, avaliam especialistas, mas é preciso se diferenciar

carolina dall´olio, estadão pme,

19 de agosto de 2011 | 18h56

Ao analisar um mercado com 98 milhões de potenciais consumidores que encontra os produtos desejados em apenas 100 mil pontos de venda, seria possível concluir que o setor oferece espaço de sobra para novos empreendimentos. Mas não é bem assim. Tudo porque os consumidores, nesse caso, são bichinhos de estimação. Por isso, quem planeja investir no mercado pet precisa considerar algumas particularidades do setor antes de abrir um negócio.

O primeiro deles é que boa parte desses ‘potenciais clientes’ ainda está excluída do mercado. Muitos bichinhos ainda são alimentados com os restos de comida da família. Atualmente, vende-se 1,83 milhão de toneladas de ração no País, mas o número poderia chegar a 4,55 milhões se todos os pets consumissem o produto, estima a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação (Anfalpet).

Além da ração, outros cuidados oferecidos pelos pet shops (como banho e tosa) ainda estão distantes do cotidiano dos bichinhos de estimação das famílias de renda média ou baixa.

“Enquanto vários setores se beneficiaram da ascensão das classes C e D no Brasil, no nosso ramo esse fenômeno só começa a impactar as vendas agora”, afirma José Edson Galvão França, diretor da Anfalpet. “As famílias se preocuparam antes em reformar a casa, trocar os eletrodomésticos, comprar um carro, melhorar a escola dos filhos para só depois passar a gastar mais com os bichinhos. Os animais dificilmente são uma prioridade no orçamento.”

Com a ajuda da nova classe C, a Anfalpet estima que o faturamento do setor cresça 7% em 2011 em relação a 2010, quando as vendas somaram R$ 9,6 bilhões. Mas enquanto a demanda nos pet shops não embala no ritmo do crescimento da economia brasileira, os empresários do setor devem se preocupar em diversificar e sofisticar os produtos e serviços que oferecem. “Ainda há sim espaço para abertura de novos pet shops, mesmo em mercados mais saturados como São Paulo. Mas as novas lojas precisam apresentar algum diferencial em relação à concorrência”, afirma Sérgio Diniz, consultor do Sebrae-SP.

Para Diniz, pet shops que funcionem no mesmo espaço de clínicas veterinárias tendem a ter mais sucesso. “Fica mais fácil atrair clientes porque os negócios são complementares”, avalia o consultor. Mas quem quiser se restringir à loja terá de apostar em um atendimento completo para conquistar seu espaço. “Uma das estratégias é oferecer conveniência ao cliente: buscar o animal em casa para tomar o banho, entregar a ração em domicílio, lembrar o dono que o bichinho precisa tomar uma vacina naquele período, entre outras coisas.”

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Oferecer conveniência aos clientes foi a motivação do empresário Daniel Nepomuceno para criar o site Meu Amigo Pet. “As pessoas estão muito ocupadas, sem tempo para nada”, analisa. “Por isso, os clientes valorizam a comodidade de poder comprar a ração do seu bichinho ou uma roupinha pela internet e receber em casa.”

Nepomuceno entrou no setor por enxergar uma oportunidade de profissionalizar a venda de produtos pet na internet. Com a experiência de quem trabalhou em grandes grupos de e-commerce, criou um site com detalhamento de produtos e boa navegabilidade. No portfólio, priorizou produtos importados – o que faz com que muitos itens sejam vendidos com exclusividade pelo Meu Amigo Pet no Brasil.

O investimento para criação da empresa consumiu R$ 2 milhões. Mas a empresa, que ainda não completou um ano de vida, espera faturar R$ 1 milhão ao fim de 12 meses e já planeja a abertura de uma loja física até o fim do ano. “O mercado pet ainda apresenta muitas oportunidades porque, no varejo, não há muitas empresas de grande porte atuando no setor”, avalia Nepomuceno. “Há espaço para quem começa agora.”

 

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