Alex Silva/AE
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Adesivo de três centímetros garante o futuro de pequeno empresário

Inovação desenvolvida por Augusto Cesar Neto atrai capital de fundo de investimento

Carolina Dall'olio, Estadão PME,

17 de agosto de 2011 | 00h05

Nerd assumido, o químico Augusto Cesar de Camargo Neto, de 36 anos, sempre sonhou em ser aluno da Singularity University, a faculdade da agência especial dos Estados Unidos (Nasa). E ele conseguiu. Ao vencer o prêmio de tecnologia empreendedora Call to Innovation 2011, Neto ganhou a chance de estudar lá por dez semanas.

A premiação selecionava ideias inovadoras que poderiam impactar a vida de uma grande quantidade de pessoas. E o passaporte que levou Neto para a escola dos sonhos de todo nerd foi um adesivo com cerca de três centímetros, que contém a tecnologia RFID (Radio-Frequency Identification) – a mesma usada em crachás modernos ou no Bilhete Único de Transporte usado na cidade de São Paulo. É o produto inovador que em breve será vendido por sua empresa, a Aatag, localizada em Sorocaba, no interior de São Paulo.

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Nos sonhos de Neto, a palavra Aatag vai fazer parte do vocabulário de todo mundo em breve. Isso porque ele espera que, em um futuro próximo, cada pessoa carregue  consigo o adesivo – colado no celular, no chaveiro ou onde quer que seja. E lá estarão todas as informações sobre aquele consumidor, desde o e-mail até seus hábitos de compra.

Em seus planos, Neto também imagina que cada loja do mundo terá um leitor de dados, capaz de capturar as informações contidas no adesivo do cliente. É assim que ele pretende “digitalizar o mundo real”.

Sua invenção permitirá, por exemplo, que não seja mais necessário ditar o número de um CPF cada vez  que o cidadão quiser pedir uma Nota Fiscal Paulista ou se cadastrar na entrada de  um edifício comercial. “Também será possível passar por uma vitrine, gostar da roupa que está ali e dar seu e-mail para que a loja mande para a casa do consumidor o catálogo completo de sua coleção. Mas isso tudo sem perder tempo: bastará encostar o adesivo no leitor que fica instalado na fachada”, explica Neto.

Para as empresas, o grande benefício do adesivo da Aatag é a possibilidade de capturar dados sobre seus clientes de forma muito ágil. E para os consumidores, além da praticidade, a vantagem é usar suas informações como moeda de troca para conseguir benefícios das empresas. “O cliente poderá fazer uma seleção prévia dos dados que quer divulgar e só vai informá-los se a contrapartida que a empresa lhe der for interessante”, afirma Neto. “A segurança do sistema e a privacidade do consumidor estão garantidas.”

Os clientes não pagarão nada pelo adesivo. A receita da Aatag virá da venda dos leitores de dados e da gestão das informações dos clientes. Como a tecnologia RFID é barata, estima-se que o leitor possa custar cerca de R$ 20  – o que ampliaria¬ as chances da Aatag espalhar os leitores por aí. E para o negócio decolar e ganhar escala, a empresa está prestes a receber capital de um fundo de investimentos.

Agora, só resta esperar para ver a empresa em ação. Alguém ainda duvida que os sonhos de Neto podem virar realidade?

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