Regys Lima
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Aceleração é principal demanda de negócios de impacto no País

Além de haver poucas aceleradoras no País, as tradicionais em geral não sabem lidar com negócio de nicho

Letícia Ginak, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2019 | 06h01

Proporcionar estrutura física e ritmo de trabalho à empresa, dar mentoria, testar a solução em ambiente seguro, fazer conexão com outros empreendedores e dispor da possibilidade de captação de dinheiro ao final do processo são etapas de um programa de aceleração. De acordo com o 2° Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental, feito pela Pipe.Social, a demanda de empreendedores para participar de programas do tipo é inversamente proporcional a quantidade de aceleradoras no País. 

Metade da base mapeada já tentou ingressar em um programa e não conseguiu; 30% já foi acelerado uma vez e 9% mais de uma vez.

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São duas as principais queixas reportadas pelas 1.002 empresas que participaram do estudo: a concentração de aceleradoras no eixo Sul-Sudeste, principalmente na cidade de São Paulo, e a falta de programas que contemplem os negócios de impacto social e ambiental. 

“Algumas aceleradoras que não são focadas nesse setor, mas aceitam negócios de impacto, deparam-se lá na frente com empreendedores que não conseguem acelerar, pois não têm essa expertise”, analisa a fundadora da Pipe.Social, Mariana Fonseca. “Para tecnologias verdes, por exemplo, que são soluções mais complexas, não necessariamente uma aceleração tradicional está preparada para apoiar esse negócio”, completa. 

Anderson Morais, cofundador da plataforma AgendaEdu, que conecta a escola com pais de alunos para proporcionar envolvimento de ambos na jornada do estudante, é entusiasta dos programas de aceleração. A startup, criada em 2014 no Ceará, passou por três programas. 

“Logo no início, fomos acelerados pela Wave Accelerator e o programa nos ajudou a olhar para o mercado e a crescer de forma financeiramente sustentável”, conta. Em 2015, a AgendaEdu participou de mais um programa do tipo, dessa vez com foco no setor de atuação. 

“Participamos de um programa da Fundação Lemann, focada apenas em empresas de educação. Foi nele que expandimos os horizontes para formatarmos a empresa como está hoje. Saímos da intenção de gerar impacto social e o colocamos em prática”, diz. A terceira aceleração aconteceu recentemente, por meio do programa Scale-Up, da Endeavor. “Nele, aprendemos a medir esse impacto.” 

Para a fundadora da Connecting Food, Alcione Pereira, a aceleração também foi importante na estruturação da empresa, que identifica pontos de desperdício no varejo e transforma esse excedente em doações para associações e ONGs. Em 2016, a empreendedora participou do programa da Social Good Brasil. De 300 candidatos, a empresa ficou entre os 30 e passou por uma programa de seis meses de duração. 

“Eu tenho uma experiência de 15 anos no mercado de supply chain e logística em grande indústria. Com isso, eu trouxe a disciplina do trabalho, mas precisava me formar como empreendedora. Esse programa me trouxe outros conhecimentos, como maximizar recursos com alto risco e ferramentas para pode minimizar esse risco.”

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A possibilidade de colocar a empresa no mercado em ambiente seguro também é um ponto de destaque para Alcione sobre a aceleração. “É possível fazer um teste de mercado com baixos recursos e ainda ter uma resposta rápida.” A validação da ideia e do modelo de negócios é uma busca crescente dos empreendedores que pretendem participar de aceleração, segundo o estudo. 

Dos negócios do Mapa que já captaram investimentos, os índices de empresas já aceleradas crescem, com 33% acelerados uma vez e 14% mais de uma vez. Por área de atuação, mobilidade e outros desafios urbanos têm o maior índice de empresas aceleradas, 36% delas. A demanda por aceleração cresce no Centro-Oeste e no Norte, principalmente nas áreas de serviços financeiros e cidadania. 

Por gênero, negócios fundados por homens foram mais acelerados (14% deles mais de uma vez). As empresas com sócias mulheres estão entre as que mais demandam programas do tipo. 

Sebrae cria curso online com foco no segmento 

De olho no crescimento da procura pela criação de negócios com impacto social ou ambiental, o Sebrae criou um curso gratuito e online para interessados no segmento. Ele é composto por 10 módulos, que abordam da construção de canvas ao gerenciamento de risco, passando pela preparação de pitch para quem busca investimento. A carga horária é de 24 horas e o prazo de conclusão é de 30 dias.

A atividade conta com um certificado digital, que é emitido ao final dos estudos. O curso já teve mais de 2 mil inscrições. Mais informações e link de acesso ao curso no site do Sebrae. 

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