Valeria Gonçalvez/Estadão
Valeria Gonçalvez/Estadão

Academias para bebês crescem como nova opção de negócio

Além de espaços como Baby Gym e Steps, rede BodyTech também lança espaço exclusivo para bebês e crianças

Mateus Apud *, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2019 | 06h03

Academias para bebês, nascidas com o apelo de estimular a psicomotricidade infantil, viraram um nicho de mercado que tem atraído empreendedores para além dos espaços lúdicos criados para esse público. Nelas não há barras de ferro ou supinos, mas obstáculos e objetos que chamam a atenção dos pais de olho no desenvolvimento dos filhos.

Baby Gym e Steps Baby Lounge são exemplos de empreendimentos que entenderam essa demanda e enxergaram um vácuo no mercado de endereços infantis com foco no exercício físico. Eles investem em atividades para bebês de três meses a crianças de quatro anos e, diferentemente de espaços recreativos tradicionais, onde os filhos são em geral deixados com cuidadores, eles trazem os pais de primeira viagem para dentro das aulas. O público crescente acabou por atrair também academias grandes e tradicionais, como a rede BodyTech.

Na Baby Gym, rede de franquias fundada em 2014 pelo gaúcho Lucas Silva, para cada faixa etária há uma aula específica, com duração de 50 minutos. Elas vão desde atividades para se aprender a andar até circuitos mais complexos para escalar escadas e rampas. 

São 15 unidades espalhadas por Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e São Paulo, onde a primeira unidade foi aberta no ano passado. Uma delas, no Tatuapé, na zona leste da capital paulista, é comandada desde agosto de 2018 pela fisioterapeuta e psicomotricista Lilian Chateau.

Após se tornar mãe e decidir empreender, Lilian viu na Baby Gym (cujo investimento inicial é de R$ 75 mil) uma boa opção de negócio. “É um mercado muito grande e existe um gap que precisa ser explorado. Existem mães com muitas dúvidas e que buscam que seu filho se desenvolva da melhor forma possível”, conta ela.

Assim, a proposta da Baby Gym vai além de ser um espaço de desenvolvimento para acolher os pais, trazendo-os para dentro das aulas. “Temos percebido que cada vez mais os pais vêm nos procurando por isso. As mães podem trocar informações com os professores e conseguem se orientar em relação ao desenvolvimento do bebê”, afirma a empreendedora.

Pais e filhos

A ideia do apoio aos pais se repete na Steps Baby Lounge, conta o empreendedor Cody Lund, que comprou em 2017 as duas unidades da rede, fundada em 2003. “Quando nasce uma criança também nasce um pai. E essa fase de virar pai é um desafio. Nas nossas aulas buscamos passar segurança e orientá-los.”

Ex-executivo de comunicação, Cody Lund estudou o mercado quando decidiu empreender e identificou o nicho da primeira infância como o mais carente e de grande potencial de expansão. Na Steps, com endereços nos Jardins e na Vila Olímpia, em São Paulo, oferece aulas de psicomotricidade, além de música e artes. “Está crescendo a conscientização das pessoas em relação à importância de a educação começar cedo”, diz.

Para o consultor do Sebrae-SP Adriano Augusto Campos, por esse mercado ser novo e pouco explorado, tem grande potencial de crescimento. Segundo ele, a “família moderna” está muito interessada em saúde e entende essas academias como um serviço interessante.

Apesar disso, Campos faz a ressalva de que, mesmo despertando curiosidade, explorar o termo “academia para bebês” pode assustar. Segundo ele, para aproveitar todo o seu potencial, o conceito deve ser explicado. “Os pais precisam ser informados, pois não é algo trivial. Realmente gera dúvida.”

Além delas, a tradicional rede de academias BodyTech também está de olho nesse nicho. Com 113 unidades espalhadas pelo Brasil, 45 delas já oferecem modalidades para bebês a partir dos seis meses de vida. Além disso, a companhia inaugurou no mês passado, no Rio de Janeiro, a BodyTech Babies & Kids, primeira unidade exclusiva para este mercado.

“A questão da promoção da saúde está muito em alta, e é uma preocupação dos pais que os filhos não fiquem em casa. Assim, procuram que eles façam atividade física”, diz a gerente nacional de Acqua e Kids da BodyTech Company, Paula Toyansk. Segundo a gerente, a companhia segue animada com o mercado e planeja a expansão de unidades exclusivas para bebês e crianças.

* Estagiário sob a supervisão do editor de Suplementos, Daniel Fernandes

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