Sem trabalho desde 2013, Jailma abriu um negócio
Sem trabalho desde 2013, Jailma abriu um negócio

Abertura de microempreendimentos é a maior em seis anos

Aumento do número de empresários formais em janeiro poderia ser um bom sinal, mas é reflexo da alta do desemprego

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo,

22 de março de 2016 | 09h48

Abrir uma empresa de panificação pareceu à empreendedora Jailma Bispo de Lima, de 24 anos, a saída para quebrar um longo ciclo de desemprego. Em julho de 2013, ela foi demitida do trabalho de vendedora em uma loja e, desde então, tentou voltar ao mercado de trabalho – sem sucesso. Por isso, em janeiro, Jailma decidiu se formalizar como microempreendedora individual (MEI) para investir na Doce ao Paladar.

::: Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

O movimento de Jailma não é único e foi percebido pelo último Indicador Serasa Experian de Nascimento de Empresas, obtido pelo Estado, e que aponta aumento de 14,8% na abertura desse tipo de registro em relação ao mesmo mês do ano passado. Em números absolutos, foram 137,3 mil novos microeempreendimentos em janeiro, contra 119,5 mil do mesmo mês de 2015. Ao todo, o nascimento de empresas de outras configurações jurídicas cresceu 7,5%.

Dessa maneira, ainda segundo dados do indicador da Serasa, o Brasil ganhou em janeiro, entre empresas individuais e sociedades limitadas e MEIs, 166,6 mil novos empreendimentos, o maior registro para o primeiro mês do ano desde 2010 e movimento 10,4% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, ainda conforme aponta o indicador mantido pela Serasa.

Para o economista da Serasa Experian e responsável pelo levantamento, Luiz Rabi, o crescimento substancial dos microempreendimentos individuais é reflexo da alta no desemprego – o País perdeu 1,5 milhão de vagas com carteira de trabalho assinada no ano passado, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo Ministério do Trabalho (MTE). Trata-se do pior resultado da série histórica, que foi iniciada em 1992.

“Sabemos que a economia brasileira está em crise, não é o melhor momento para abrir negócios. O que explica a alta é uma abertura por necessidade, por pessoas que estão perdendo seus empregos no mercado formal”, explica Rabi. “Antes, essas pessoas apelavam para o mercado informal, mas agora é possível ser formalmente constituído”, analisa.

Diante da situação de desalento há mais de um ano e com pouca experiência profissional no currículo, Jailma optou por empreender em algo que já sabia fazer de forma caseira. “Não estou olhando para a crise, não. Eu gosto do que faço”, conta. Sem a necessidade de investimento inicial, a empreendedora fez seu registro de MEI pela internet. “Acredito ser a melhor opção. Tentei de todas as formas voltar a trabalhar fora, mas o mercado está difícil.”

Retorno. O desemprego elevado na Espanha fez com que o professor de matemática Anderson Ferraz, que residiu no país europeu por dez anos, voltasse ao Brasil. Porém, o regresso o trouxe, em 2014, para um ambiente comercial pouco favorável. O único trabalho com carteira assinada que conseguiu nesse tempo foi em uma empresa prestes a fechar as portas, que atrasava salários.

Aos 31 anos, Ferraz entrou para a relação dos microempreendedores individuais em janeiro. A empresa de segurança residencial e comercial que acaba de nascer deve prover o sustento dele e da mulher durante a crise. “Chegamos no Brasil sem nada. Percebi que, no meu segmento, ter uma empresa de um porte menor deixa meu preço mais competitivo diante da concorrência”, afirma o empreendedor. “Eu não tinha intenção de abrir uma empresa, mas vendo a situação, estando sem trabalho nem nada, não encontrei escolha.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.