Coley Brown / The New York Times
Coley Brown / The New York Times

A vida na Vans, onde dominam as pranchas de surfe e skate, arte e música

Presidente de empresa que começou com foco nos skatistas abre seu escritório e revela detalhes do ambiente de trabalho

Patricia R. Olsen / The New York Times, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2018 | 15h55

Conversamos com Doug Palladini, presidente global da Vans em Costa Mesa, Califórnia, que trabalha em um espaço repleto de arte, música, esportes de ação e punk rock.

Aquela icônica aparência de tabuleiro xadrez

Em junho passado, mudamos nossa sede para cerca de 10 minutos adiante, para um novo prédio na rodovia I-405. Várias centenas de milhares de pessoas dirigem por esta estrada todos os dias. Nós ouvimos de alguns, especialmente os que vão e voltam do trabalho diariamente, que dizem: “Ei, eu vi seu prédio com o padrão de tabuleiro de xadrez no topo.”

Quando projetamos este edifício, queríamos possibilitar a expressão criativa entre os funcionários, de acordo com o que somos: arte, música, esportes de ação e cultura de rua. Nós incorporamos esses elementos em todo o edifício, e eu decorei meu escritório com eles em mente.

Levante-se e mova-se

Minha mesa, que eu trouxe do escritório anterior, é de madeira reciclada. Eu gosto porque ela é desigual, bruta e imperfeita. Eu trago meu teclado quando preciso, mas não damos destaque a pessoas sendo acorrentadas a um espaço de trabalho específico. Tentamos ter funcionários que trabalhem fora de seus escritórios nas áreas comuns, para que eles não fiquem em suas mesas com a cabeça baixa o tempo todo.

 Juventude em voo

A foto clássica de Ed Colver captura não apenas um skatista em um show de punk rock, mas também um momento no tempo da minha própria juventude. Eu gostei de punk rock uma vez, assim como muitos dos nossos clientes. Eu estava no colégio em Los Angeles quando isso foi tirado, e reconheço um amigo do ensino médio no meio da multidão. A foto representa a liberdade da juventude que tentamos manter conosco, independentemente do que a nossa idade cronológica nos diz. Fora do Muro, o ethos (caráter) que nos define, é um estado mental, não a idade que temos.

Também tenho um pôster do primeiro evento da Vans do qual participei como funcionário -- a festa básica de feiras promocionais. O show durou cerca de duas músicas da primeira banda antes que a segurança nos mandasse embora, mas a programação ainda me deixa orgulhoso de nossa herança punk rock.

Uma prancha de surfe moldada por um herói

Cresci no sul da Califórnia e me apaixonei por surfe ainda jovem. Uma das minhas posses favoritas é uma prancha de surfe moldada e trabalhada por Mark Richards, um dos meus heróis do surfe. Mark surfou essa forma exata em vários títulos mundiais. Uma amiga me deu uma réplica da primeira prancha que ele produziu e me deu no Havaí. Ela me surpreendeu ao fazer com que ele a presenteasse para mim. Mark escreveu “Para Doug” na longarina, no meio do tabuleiro, o que ainda me dá calafrios. Ele me fez prometer que iria usá-la para surfar antes de pendurá-la na parede, e cumpri minha obrigação com cuidado, em uma onda, porque ela é única.

Um skate antecipado

O original deck Quinze Dedos (Fifteen Toes), ou top de madeira, em uma das primeiras pranchas de surf de calçada Nash, foi um presente de Stanton Hartsfield e Jason Cohn, autores de Surf to Skate: Evolução para Revolução. Ele tem as rodas de aço dos primeiros skates. Fiquei tão inspirado pela coleção de skates vintage que aparecem no livro, que pedi a eles que organizassem uma instalação de decks em nossa sede, e agora várias dúzias de skates de seus arquivos enfeitam nossas paredes.

Homenagem à guitarra

Eu não toco além de alguns acordes de guitarra; minha maior habilidade musical é ouvir. Mas sou grande fã de música e apoio a música como parte da identidade da nossa marca. Quando construímos a nova sede, criamos uma sala de música com equipamentos de estúdio, onde os músicos podem se apresentar, incluindo nossos funcionários. O cantor e compositor Anthony Green, de Doylestown, na Pensilvânia, tocou um uma série incrível recentemente.

Definindo o curso

Um par de verões atrás, comprei uma bússola em uma loja marítima na Itália. Eu a guardo em minha mesa para me lembrar que a minha responsabilidade é dar a direção da nossa marca e compartilhá-la claramente com nossas equipes ao redor do mundo.

Costumo tentar estar no escritório por volta das 6:30 da manhã. Valorizo o período calmo quando o sol está chegando e posso começar minha atuação para o dia adiante. Tenho um conjunto padrão de sites e e-mails que verifico todas as manhãs. Há o The Business of Fashion, e o principal site da nossa marca é o Hypebeast, que tem as últimas novidades do mundo de tênis e roupas. Recolho algumas informações e notícias e depois começo a trabalhar. Várias vezes ao dia, ando pelo prédio e converso com as pessoas. Temos três andares e cerca de 550 pessoas, e se eu não sair, posso ficar trancado em uma sala de conferências o dia inteiro em reuniões.

Tênis recriados

As pessoas amam ou odeiam a “sneaker mask”. A Nepenthes, uma loja na cidade de Nova York, é uma de nossas contas. Em um evento de lançamento de produtos da Vans que realizamos lá, um artista fez essa máscara a partir de peças de um tênis Vans. Eu vi fotos da festa, rastreei e comprei. Adoro o conceito de que os sapatos Vans são uma plataforma para as pessoas expressarem sua criatividade. A ironia de que nossos sapatos são de lona não me escapa.

Negócios e esportes

Eu assisto à CNBC durante o dia, porque a empresa tem ações na bolsa e acompanho o que acontece no nosso setor. Além disso, transmitimos muitos dos nossos eventos, como o Vans Triple Crown of Surfing do Havaí, e os eventos de skate da Vans Park Series que fazemos em todo o mundo, e gosto de assisti-los quando posso.  / Tradução de Claudia Bozzo


 

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