A sua startup está pronta para crescer?

Não se surpreenda se a sua empresa, ao invés de crescer, acabe

MARCELO OSAKABE, ESPECIAL PARA O ESTADO,

26 de janeiro de 2014 | 10h00

 

Saber o momento certo de alavancar sua startup não é exatamente algo trivial. Uma pesquisa divulgada no final de 2011 mostrou que a primeira causa de morte das startups de internet nos Estados Unidos era justamente a escalada prematura do negócio - 70% dos 3,2 mil negócios pesquisados não estavam preparados para crescer e morreram ao tentar fazê-lo. A pesquisa foi feita pelo projeto Startup Genome, uma iniciativa de quatro empresários juntamente com as Universidades de Stanford e Berkeley.

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O escalonamento pode ser considerado prematuro por diversos motivos. O mais comum deles é o nível inadequado de aperfeiçoamento da ideia central do projeto. "Um negócio precisa conhecer  bastante bem qual o problema e qual solução está propondo, além de ter uma ideia clara do mercado em que está se aventurando", afirma a coordenadora do Centro de Empreendedorismo do Insper, Cynthia Serva. "Para os negócios de tecnologia e internet, que não precisam se preocupar em abrir lojas e ter estoques, isso de certa forma é ainda mais importante. Algumas empresas digitais duram anos com uma equipe pequena, como o caso do Survey Monkey, que trabalhou muito tempo com três funcionários". 

De fato, a mesma pesquisa do Startup Genome mostra que a equipe das startups que escalavam prematuramente eram até três vezes maior do que as que conseguiram ter um crescimento consistente durante o mesmo estágio de vida. As empresas que se mostravam mais afobadas em crescer eram as que tinham mais chances de falhar. Durante o estágio em que deveriam estar validando sua ideias, as startups inconsistentes eram 2,2 vezes mais inclinadas a estar tentando vender seu produto do que o testando. 

"É uma crença comum entre gurus de startups que as empresas de sucesso conseguem vencer porque validaram bem seu produto, enquanto as que falharam conseguiram isso executando eficientemente o que era irrelevante, como aperfeiçoar os mecanismos de compra para seus clientes ", diz o site do projeto. 

O momento de alavancagem precisa ser bastante bem planejado. "Muita gente costuma agir intuitivamente no começo do negócio, na base da tentativa e erro. E este é o momento em que isso precisa ser deixado para trás", afirma Cynthia.  É preciso mapear as principais dificuldades, os gargalos de crescimento, planejar uma ação para cada um deles, ter um plano de médio ou longo prazo."

Outra questão que deve ser analisada é se o diferencial competitivo da empresa conseguirá se manter com o crescimento do negócio. "Se, por exemplo, o diferencial é o atendimento, daqui a dois anos, quando eu for maior, ele continuará aqui? Precisarei ter outros diferenciais competitivos? Quais?", diz a professora do Insper.

Por fim, saiba que pivotar o negócio é altamente comum neste segmento. "Todos os negócios tem uma espécie de alarme de funcionamento, que é em geral as restrições de caixa. Se depois de algumas rodadas você começa a sentir pressão sobre o caixa, você já tem um problema que provavelmente está em uma das três pontas: vendendo pouco, produzindo pouco ou produzindo caro", lembra o professor Sílvio Passarelli, diretor da Faculdade de Economia da FAAP.

"Um eventual recuo não significa dizer fracasso. Um insucesso, ainda que parcial, sinaliza que existem outras maneiras para fazer aquilo direito". É natural desse ramo que o empreendedor tenha que pivotar seu negócio ao menos uma vez. Só não se deixe paralisar na hora de enfrentar esse problema.

SERVIÇO

Feira do Empreendedor

Local: Expo Center Norte - Pavilhão Verde, São Paulo

Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme

Data: de 22 a 25 de fevereiro

Sábado e domingo: 10h às 21h

Segunda e terça-feira: 13h às 21h

Entrada franca

Inscrições no site: feiradoempreendedor.sebraesp.com.br

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