Gilles Sabrié /The New York Times
Gilles Sabrié /The New York Times

A missão da Taco Bell na China: explicar o que é comida mexicana e convencer os locais a apreciá-la

Rede de fast-food mexicano volta a abrir unidade em país onde culinária do país latino é quase totalmente desconhecida

O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2017 | 12h44

A rede de fast-food mexicano Taco Bell voltou a abrir um restaurante na China doze anos depois de deixar o país. A empresa americana aposta que desta vez irá conquistar os paladares chineses. Só tem um problema: lá, a culinária do país latino-americano é um mistério para a grande maioria dos consumidores. 

Para ilustrar essa realidade, uma reportagem do The New York Times conta que o gerente da loja recém-aberta em Xangai nunca tinha visto um taco antes de ir para Los Angeles. Taco é aquela típica iguaria mexicana, espécie de concha crocante em forma de U com vários ingredientes dentro. Will Cao, o gerente, não fazia ideia da logística necessária para comê-lo, e fez uma bela sujeira em sua estreia. 

Não é só o taco, porém, que é um ilustre desconhecido entre os chineses. Outras iguarias mexicanas populares no Ocidente, como os burritos, terão que ser aprensentadas aos chineses. A Taco Bell, porém, aposta em algumas adaptações no cardápío para ser bem-sucedida na nova investida. 

Itens que são um sucesso nos Estados Unidos, como o taco de Doritos e o que leva um frango frito no lugar da concha, estão fora do cardápio chinês. O mesmo se aplica às fajitas e ao burrito de feijão. No caso das primeiras, considerou-se que seu tipo de sabor apimentado não agrada aos locais. Já com o burrito, o problema é a ideia de duas camadas de ingredientes que levam amido uma sobre a outra: na China, é simplesmente estranho. 

A aposta da Taco Bells se apoia em opções mais básicas e compreensíveis ao gosto local, como supremo de taco crocante, quesadilla de queijo, burrito de camarão e abacate e uma refeição que leva frango frito apimentado. Também haverá, diferente do oferecido nos Estados Unidos, cerveja e outras opções de bebida alcoolica. 

A mesma estratégia foi adotada com sucesso pela rede especializada em frango frito KFC. Na China, os restaurantes da empresa são operados pela Yum China, a mesma que agora traz a Taco Bell. Desde que começou a levar redes de fast-food estrangeiras para a China, em 1987, a Yum já abriu mais de 7.300 lojas em mais 1.100 cidades. O número é três vezes maior que o do McDonald´s, e boa parte do sucesso se deve exatamente às adequações do menu ao paladar local. A Pizza Hut, por exemplo, tem pizzas com cobertura de frutos do mar e durian, fruta típica do Sudeste Asiático. 

A missão, entretanto, não será mesmo fácil. Além do desconhecimento até da maneira correta de comer os petiscos mexicanos, a reportagem aponta um certo preconceito chinês contra o que vem de países considerados em desenvolvimento. E não apenas: a concorrência com redes chinesas é hoje muito maior que na época em que as primeiras marcas ocidentais chegaram ao país. Os consumidores locais, hoje com poder de compra bem maior, tem muito mais opções. E, para complicar mais, recentemente a Yum se envolveu em escândalos relacionados à qualidade de seus alimentos.

Em 2012, a KFC foi acusada de usar antiobióticos e hormônios de crescimento em seus frangos. Dois anos depois, a fornecedor de carnes da Yum foi acusado de vender carne com data de validade vencida. 

No Brasil, o Taco Bell tem seis restaurantes em operação. Cinco estão na cidade de São Paulo, e a outra em Campinas. 

 

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