Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

A melhor escola do mundo é o risco, diz fundador do Grupo Flytour

Eloi D’Avila já morou nas ruas, revelou que quase quebrou várias vezes, mas hoje comanda um negócio de R$ 4,5 bilhões

Gisele Tamamar, Estadão PME,

28 de janeiro de 2015 | 07h11

A vida do empresário Eloi D’Avila é de superação: a mãe morreu quando ele tinha 1 ano e nove meses e o pai resolveu ‘dar’ todos os filhos – Eloi, por exemplo, foi morar com a irmã. Não por muito tempo. O menino fugiu de casa, viveu na rua e trabalhou de vendedor de pastel a engraxate. Resolveu empreender por necessidade e conseguiu criar um negócio que hoje fatura R$ 4,5 bilhões por ano. “Já tive para quebrar várias vezes e vendi tudo que tinha para continuar com a empresa. A melhor escola do mundo é o risco”, afirmou o CEO do Grupo Flytour.

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A opção por empreender não foi tão fácil. Depois de ser demitido da Linhas Aéreas Paraguaias, ele precisou vender até a casa e estava em busca de uma oportunidade. Eloi, então, encontrou um chileno, que lhe ofereceu a possibilidade de atuar como representante de uma companhia de hotéis no Chile e Paraguai.

“Comecei sozinho”, lembrou. Seis meses depois, o general que comandava a empresa aérea paraguaia chamou Eloi para voltar ao trabalho. Mas desta vez, ele fez a proposta de atuar como representante de vendas da companhia no Brasil. “Eu estava disposto a assumir o risco. O empreendedor precisa saber que não basta ele ser dono de uma ideia, ele tem que conhecer o risco. Naquela época não tinha Excel, business plan. O empreendedor era conhecido como um aventureiro”, contou Eloi, que criou a empresa há 40 anos e compartilhou sua experiência no empreendedorismo durante o Encontro PME. Confira os principais trechos.

Negócios

O Grupo Flytour é formado por sete empresas: de operadora de turismo e franquias a prestação de serviços para empresas. Com forte atuação na venda B2B, o empresário ainda não se acha capacitado para correr o risco financeiro de um site aberto ao público na área. Ele criou o primeiro site da empresa em 1998, quando todos o chamaram de louco. Em 2000, fez uma parceria para criar uma agência de viagem online, onde acumulou prejuízos.

“É muito difícil ganhar dinheiro na internet. Lá você vende preço e precisa ter margens muito pequenas. Eu vendo serviço. O volume de negócios ainda é muito pequeno no Brasil e para ganhar dinheiro precisa de muito volume”, destacou o empreendedor. Mas Eloi não ignora o canal online. Todos os clientes compram da companhia, justamente, pela internet. Apenas a relação direta com o consumidor ainda não está madura o suficiente para esse tipo de risco, avalia.

Sucesso

Questionado sobre a manutenção do sucesso com uma empresa de 40 anos, Eloi disse que a “picada de sorte” de cada um costuma ser pequena, estreita. “Não existe uma picada de sorte grande”, pontuou. Por isso, ele acredita que tudo o que passou, de morar na rua e aprender a se virar sozinho, serviu não só como uma experiência de vida, mas também o ajudou a não temer o desconhecido.

“Você vai aprendendo desde cedo a se livrar dos problemas. E como você se livra? Tomando a iniciativa, refazendo seu propósito. Acho que é isso que eu faço no meu negócio hoje. É importante se preparar para mudar. E é difícil mudar. Mas se você melhorar o ingrediente do bolo certamente a receita vai melhorar”, disse o empresário.

Durante o encontro com pequenos empresários, Eloi revelou que quase vendeu, há seis anos, o negócio para um fundo de investimentos. O contrato já estava pronto, mas Eloi foi viajar com o filho para o Caribe. “Perguntei: ‘vamos vender nossa alma para o diabo?’ Ele falou: ‘Se o senhor não está a fim, não venda.’ Não vendi”, contou. “Nem todos os empresário que venderam seus negócios ficaram felizes. Dinheiro não traz felicidade. Felicidade é você ter um plano de vida e concretizá-lo”, completou.

Funcionários

De acordo com Eloi, o colaborador vem em primeiro lugar na Flytour, seguido do cliente e do fornecedor. “Eu não consigo atender uma grande empresa sozinho, preciso deles”, disse. Como empresário, Eloi destaca que uma das coisas importantes da vida é entender que “não basta você tomar o café, o colaborador precisa ter tomado também”. “Eu dou café há 38 anos e invisto uma fortuna no café dos funcionários. Em todas as crises, a primeira coisa que a área de finanças fala é: corta o café! Mas é fundamental entender que você não fará nada sozinho”, afirmou. 

 

:: 2015 não será um ano fácil, analisa o empreendedor ::

Para 2015, o CEO do Grupo Flytour, Eloi D’Avila, prevê um ano de aprendizado e renovação. “Não vai ser fácil. Talvez para o turismo, um dos mais difíceis. Será preciso ter um pouco de calma e um pouquinho de otimismo. Estamos muito negativos”, afirmou.

No ano passado, o grupo faturou R$ 4,5 bilhões e fechou o ano com 2,7 mil funcionários. Mesmo diante do cenário adverso, os planos são ambiciosos. O planejamento prevê um faturamento de R$ 9,4 bilhões, 5 mil funcionários, 240 escritórios e 426 lojas em 2018.

O empresário usa a trajetória pessoal para enfrentar o momento adverso da economia e diz que todos os problemas políticos, econômicos e pessoais pelos quais passou foram resolvidos da mesma maneira que ele pretende superar a situação atual: levando a sério o que faz, gostando do que faz e investindo no que faz. “Eu vejo um melhor momento para investir no País quando ele está em crise.”

Com atuação em sete canais de venda, o empresário está de olho em um novo negócio. Por meio de uma parceria com uma empresa de crédito consignado, a proposta é oferecer pacotes de viagens pagos por meio desse tipo de financiamento. O piloto será lançado em Goiânia e os funcionários públicos poderão quitar a viagem em até 70 vezes. “Se os bancos usaram isso para vender dinheiro, nós queremos vender sonhos para as pessoas viajarem com crédito consignado.”

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Atitude

Na opinião do criador do Grupo Flytour, o empresário precisa saber a hora certa de tomar uma atitude e não vacilar. “Quem não toma atitude não sai do lugar”, afirma o empreendedor de destaque.

Felicidade

A economia vai mal? Vai! O ano deve ser muito difícil para quem administra uma empresa? Sem dúvida. Mas Eloi recomenda ‘não ter medo de ser feliz’ e, para isso, deixar de lado o pessimismo.

Valorização

Muita gente, na visão do empresário, deposita uma energia enorme, por exemplo, no seu time do coração. Por isso, seu conselho é torcer para você, não só para um time de futebol. “É importante acreditar em si mesmo.”

Humanidade

É necessário ter humildade para conseguir os objetivos. “Não há necessidade de passar por cima dos outros.” Mas isso não significa que se deve vacilar diante do desafio: “Não precisa ser bonzinho, basta ser transparente.”

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