JF Diório/ AE
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A média empresa paulistana que seduziu o Grupo Fasano

Importadora La Pastina comprou as duas unidades da Enoteca Fasano

Carolina Dall'Olio, do Estadão PME,

25 de outubro de 2011 | 07h00

Fundada em 1947, a La Pastina nasceu e cresceu como uma importadora de alimentos e bebidas. Só em 1999 desembarcou também no varejo, com a abertura das lojas de vinhos World Wine. Agora, a empresa acaba de dar mais um passo em direção ao consumidor da classe A: comprou as duas unidades da Enoteca Fasano e firmou parceria com o grupo para outros negócios.

O mercado sabia que a família Fasano tinha a intenção de vender as lojas. "A Enoteca pertencia única e exclusivamente ao meu pai Fabrizio, que optou por vendê-las para estar mais próximo dos nossos novos hotéis", afirma Rogério Fasano, presidente da empresa da família.Muitos compradores já estavam de olho no negócio, principalmente porque as lojas ficam em pontos nobres: a Rua Amauri, no bairro paulistano do Itaim Bibi, e o shopping carioca Fashion Mall.

Diante de muitos concorrentes, nada indicava que uma empresa de médio porte como a La Pastina levaria a melhor nas negociações. "Soubemos oferecer outras vantagens ao Grupo Fasano, e não apenas um bom preço pelas lojas", justifica Celso La Pastina, dono da importadora.

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Para começar, a empresa se valeu da experiência na importação de alimentos. Por isso, como parte do acordo, propôs a criação de uma linha de produtos Fasano. "Não vamos fabricar nada no Brasil", reforça Celso. "Seremos responsáveis por selecionar alimentos de qualidade, importá-los e distribuí-los aqui com a grife Fasano. E pagaremos royalties pelo uso da marca.”

Os produtos serão prioritariamente de origem italiana – em comum, as empresas têm o fato de serem administradas por descendentes de imigrantes. O panetone Fasano, anterior a esse projeto, continuará no mercado. Mas já em 2012 haverá outros lançamentos. “Devemos começar pelos azeites”, informa Celso.

Com a parceria, a La Pastina também passa a importar os vinhos, antes comprados com exclusividade pela Enoteca Fasano. E fica responsável por 50% da carta de bebidas dos restaurantes e hotéis do grupo.

Outra cláusula do contrato prevê ainda que a logomarca das enotecas possa ser substituída pela inscrição ‘Fasano-World Wine’. “Isso vale por 16 meses, depois não sei se ficaremos apenas com o nome World Wine”, afirma Celso.

A La Pastina não revela o valor total do investimento. E o empresário Rogério Fasano não comenta a transação. Sem falar em cifras, Celso tenta apontar uma razão para que o negócio tenha se concretizado: “Foi importante perceber que o Grupo Fasano estava concentrado na expansão dos restaurantes e hotéis. Atentos a isso, montamos uma oferta mais completa”.

Hoje, a família Fasano possui dez restaurantes e quatro hotéis – e até o fim de 2014 deve inaugurar outros três, que também abrigarão espaços gastronômicos.

As enotecas nunca estiveram no foco do plano de expansão do grupo. Em contrapartida, se adequavam perfeitamente à estratégia de crescimento da La Pastina – que pretende se aproximar cada vez mais dos consumidores com maior poder aquisitivo.

“No varejo de luxo, a localização estratégica do ponto de venda e a ambientação da loja são fundamentais para o sucesso de um negócio. É ali que a empresa tem a chance de conquistar a preferência consumidor”, afirma Gabriela Otto, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), especializada no mercado de luxo.

Celso sabe disso. “Entrar no varejo foi como fazer mergulho. É um outro ambiente, com outras regras”, admite. “Por isso, quisemos o respaldo de uma marca forte e procuramos um parceiro que pudesse nos ajudar a superar uma das nossas principais dificuldades, que era encontrar pontos bem localizados.”

A meta da La Pastina é aumentar as vendas em 20% em 2011 frente a 2010. Para isso, além do acordo com o Fasano, a empresa iniciou a divulgação de seus produtos em canais de TV a cabo.

 

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