A internet está contribuindo para o desperdício de água?

A internet está contribuindo para o desperdício de água?

Pesquisa de instituição inglesa levanta debate sobre o papel da água no resfriamento de centro de dados

Paulo Palma Beraldo, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2016 | 10h08

Pesquisadores do Imperial College de Londres foram destaque na imprensa quando afirmaram no ano passado que 200 litros de água estariam envolvidos no download de um gigabyte de dados. Levando-se em conta estudo da empresa Ericsson apontando que cada smarthphone nos Estados Unidos consome, em média, 3.7GB de dados por mês, a estatística pode assustar. Cada vez que um usuário abre um email, acessa as redes sociais ou assiste a um vídeo, recebe e troca informações com um centro de dados. Esses locais são super aquecidos e demandam muita energia. Os e-mails, por exemplo, só podem ser acessados de onde quer que estejamos porque os dados estão armazenados em servidores. 

Mas qual a relação disso tudo com a água? Na pesquisa do Imperial College, foi identificado que a água é a responsável por manter os centros de dados resfriados e para produzir a eletricidade necessária para mantê-los em operação. 

Em entrevista à BBC, o pesquisador Bora Ristic, do Imperial College, afirma existir uma grande incerteza no número de 200 litros de água por gigabyte. Para ele, a quantia pode ser até menor do que um litro por gigabyte. No entanto, diz, o trabalho ressaltou o papel da água nos centros de dados, tema até então pouco pesquisado. 

"É uma pesquisa preliminar importante para começar a vasculhar o problema", disse o especialista Bill Thompson à BBC, dizendo que alterar os hábitos do consumidor é bastante improvável. "O que você faz é mudar o comportamento das pessoas operando os centros de dados", afirmou. 

Kaveh Madani, do Centro de Políticas Ambientais do Imperial College, diz que a situação tem melhorado desde que a pesquisa foi conduzida, lembrando que Facebook, Apple, Microsoft e Google promoveram mudanças no seu uso da água. "Se eles ignorarem os efeitos ambientais, podem afetar suas reputações", afirma. Na sua avaliação, no entanto, ainda há "séria necessidade" de avanços tecnológicos nesse setor. 

Resfriamento natural - Algumas companhias de tecnologia têm levado a ideia de um centro verde a sério, seja usando energia renovável ou escolhendo ambientes que permitam o resfriamento natural. 

A Microsoft finalizou em fevereiro de 2016 os testes do primeiro protótipo de um centro de dados submerso. O conceito é de que a água no entorno manteria o centro resfriado. Já o Facebook abriu um centro de dados próximo ao Círculo do Ártico em 2013 - as temperaturas locais são um resfriador natural. A empresa está construindo um centro na Irlanda que será resfriado com energia eólica, como já ocorre nas bases na companhia em Fort Worth e Altoona, nos Estados Unidos. 

A Apple afirma que todos seus centros de dados usam energia renovável e o Google anunciou em outubro deste ano que seis de seus centros já não estão gerando resíduos sólidos. 

 

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