Werther Santana/Estadão PME
Werther Santana/Estadão PME

A histórias do empresário que chegou ao Brasil de navio, perdeu tudo e precisou recomeçar

Thái Nghiã, da Goóc, e Ernesto Villela, da Enox, enfrentaram obstáculos, mas ergueram empresas de sucesso

Gisele Tamamar, Estadão PME,

09 de junho de 2013 | 09h01

Thái Quang Nghiã conduz seu trabalho na Goóc baseado em seus sonhos. Ernesto Villela usa a disciplina e a gestão de fluxo de caixa como combustíveis para o sucesso da Enox. Emoção e razão dividiram o palco do 5º Encontro Estadão PME. E por mais diferenças que existam entre eles, a dupla também tem algo em comum: a ousadia para recomeçar.

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A história de Thái é de superação. Ele fugiu do Vietnã com 19 anos e foi salvo por um navio da Petrobrás em alto mar. “Cheguei no Brasil sem nada e as pessoas foram abrindo as portas. Sinto que tenho que retribuir para o País”, contou.

Essa retribuição está ligada ao sonho do empreendedor em transformar o Brasil em plataforma para ensinar ao mundo como produzir e reciclar pneus para fazer sandálias – desejo, inclusive, afinado com a sustentabilidade do planeta.

No meio dessa trajetória, porém, Thái enfrentou um grande problema. A fábrica de calçados em Brotas mantida pelo empresário foi destruída em um incêndio. Mas nem esse fato desanimou o vietnamita.

“É um sonho muito grande e não vai ser um incêndio na fábrica que vai me fazer parar”, afirma com segurança. “Aparentemente eu perdi tudo, mas ainda tem uma coisa muito forte: a raiz. A raiz embaixo está muito forte ainda, ela é a nossa força de vontade”, concluiu o empreendedor.

Reconstrução. Depois do incêndio, a empresa não dispõe atualmente de recursos como antigamente. A nova realidade fez com que Thái revisse alguns processos. “Minha filha é meu braço direito na empresa. Antes, fazíamos planejamento anual com ajustes mensais. Agora, o planejamento é mensal com ajustes semanais.”

Já a razão foi o principal argumento usado por Ernesto Villela. O empresário criou a empresa Enox e na última quinta-feira compartilhou suas histórias com o fundador da Goóc durante o evento. A gestão do fluxo de caixa é apontada por ele como um dos principais segredos do seu empreendimento.

“É uma planilha de mais e menos com uma visão de futuro. E uma disciplina tremenda nessa mesma planilha desde o começo. Acho que o que quebra a empresa é o caixa. Se você administrar bem, você vai embora”, analisou Ernesto.

Ao longo dos seus nove anos de vida, a Enox também precisou recomeçar. O negócio inicial era fazer publicidade em banheiros públicos. A ideia surgiu em uma conversa de bar e foi apresentada para Ernesto por seu irmão. “Ele disse que estava lá, foi no banheiro, e sabe, é uma situação meio chata, de não ter para onde olhar. Perguntei o que eu tinha a ver com isso e ele disse: ‘ah, você é formado na FGV (Fundação Getúlio Vargas), é o nerd da família, faz um business plan’”, lembrou.

Ernesto não só fez o plano de negócios como entrou de sócio na empresa. Ernesto, Bernardo Villela, Gustavo Gasparin e Rafael Cordeiro investiram R$ 5 mil cada um para abrir a Enox.

“Isso prova que o recurso é importante, mas não é necessário ao extremo”, destacou Ernesto. “Não quis até então tomar dívida ou colocar um fundo de investimento, embora (atualmente) tenhamos propostas. Vamos olhar isso a partir do ano que vem”, revela o empreendedor curitibano.

Em 2011, a Enox era a maior empresa de mídia indoor do País e gerenciava 6 mil ambientes, que recebiam 100 milhões de pessoas. Mesmo com uma plataforma de mídia robusta em termos de audiência, a Enox tinha um problema. “Estávamos entre as cinco maiores audiências do Brasil mas não estávamos entre as 200 de faturamento no mercado”, disse.

A solução encontrada pelo empresário foi acabar com o modelo de mídia indoor e reconstruir todo o conceito. “Criamos um modelo de mídia onlife e nosso foco passou a ser diretamente as empresas. Se você tem um problema, resolva”, recomendou.

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