Reprodução/Endeavor
Reprodução/Endeavor

A história empreendedora do criador da São Paulo Fashion Week. Ele gostava de computação!

Paulo Borges adorava casamentos, mas veio para São Paulo para trabalhar com comércio exterior

GISELE TAMAMAR, ESTADÃO PME,

14 de dezembro de 2013 | 07h59

Paulo Borges não é estilista, não é formado em moda e nunca teve loja. Mas como ele foi parar no mundo da moda e se tornou responsável pela criação da São Paulo Fashion Week? Foi essa história que ele contou durante o Day1, evento promovido pela Endeavor.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

A única memória de moda de Borges é da infância, viviada em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Na época, a coisa que mais gostava de fazer aos sábados era ver casamentos na igreja matriz. “A música me interessava, os corais, a noiva que entrava, aquele monte de padrinhos. Depois, pensei que tudo isso poderia ser um tipo de desfile. Foi a única aproximação que um dia a moda entrou na minha vida”, contou.

Borges mudou-se para São Paulo com 18 anos e seu sonho era trabalhar na área de computação. E com comércio exterior. Por isso, Borges começou a trabalhar na área de processamento de dados, até que se afastou quando foi ajudar um amigo a produzir um desfile da sua loja, em 1982.

Foi apenas uma ajuda de amigo para amigo, sem saber muito bem o que poderia fazer. “No fim do dia, eu tinha ajudado a fazer tudo, do ensaio dos modelos a arrumação das cadeira. E naturalmente foi uma coisa que gostei”, lembrou.

Na plateia do desfile estava um amigo de um amigo que conhecia a editora da Vogue, Regina Guerreiro, e Borges passou a trabalhar como assistente da editora ao se enquadrar em três condições para o cargo: não era mulher, não tinha vícios de moda e era uma pessoa desconhecida do meio. “Sabe o filme o Diabo veste Prada? Ela era o diabo e eu era a assistente. Mas ela foi incrível para mim. Nunca sei se ela me aceitou ou escolheu”, disse.

Durante dois anos e meio, Borges aprendeu os valores, processos, sistema e toda a rede com a qual o mundo da moda trabalha. “Hoje eu sei que o que me aproximou nunca foi roupa. Foram as pessoas”, conta.Ele pediu demissão do emprego para seguir novos rumos.

Borges, então, produziu os desfiles do estilista Conrado Segreto, no fim dos anos 80, o que chamou a atenção de outras empresas. Nesse período, o empreendedor também montou o projeto Phytoervas Fashion para lançar novos estilistas e de onde surgiram grandes nomes da moda como Alexandre Herchcovith e Fause Haten.

Mas um desencontro de propósitos fez Borges seguir outro caminho e focar no projeto de criar uma semana de moda no Brasil. Hoje, a São Paulo Fashion Week é uma referência para eventos em outros países. “E ela será copiada cada vez mais por ter inovado muito. Criamos um sistema muito sustentável que é bom para todo o mercado. Hoje, em cada edição, o evento emprega 12 mil pessoas direta ou indiretamente, que vivem dessa economia criativa, desse mercado que há 20 anos não era reconhecido como mercado de desenvolvimento”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.