André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

A história da startup de sucesso que ganhou espaço com um simples esbarrão no metrô

Hélio Dias precisou de coragem (e um pouco de sorte) para abandonar uma carreira já estável para empreender no País

Marcelo Osakabe, especial para o Estado,

17 de outubro de 2013 | 06h40

A ideia estava na frente do brasiliense Hélio Guilherme Dias Silva. Um amigo de infância, que se preparava para um concurso público, queixava-se do trabalho de selecionar e separar os exercícios por assunto antes de começar a estudar. Hélio percebeu que esta não deveria ser uma queixa incomum – Brasília respira concurso público – e então resolveu criar uma plataforma online de estudos.

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Nasceu assim o Rota dos Concursos, uma startup cujo começo promissor logo fez o empresário perceber que sua formação em ciência da computação seria insuficiente para administrar o negócio. Hélio concluiu também que teria de largar o emprego, um respeitável cargo de coordenador de infraestrutura de TI em um importante fundo de pensão do País.

"A gente nem falava que era startup. Não sabia nada de negócios. Larguei tudo e vim para São Paulo fazer pós-graduação em empreendedorismo e inovação", lembra o empresário.

Mas a sorte sorriu para o brasiliense na capital paulista, e, em uma dessas coincidências da vida, Hélio trombou com um norte-americano que pedia informação no metrô. Ele era Davis Smith, fundador da baby.com.br, a maior loja virtual de artigos para bebês do Brasil, e iria participar do BRNewTech, evento que reúne empreendedores, investidores e inovadores. "Eu disse: 'Caramba! Eu também tenho um negócio' e comecei a falar do Rota."

Davis acabou levando Hélio com ele para o evento. A experiência de conhecer tantos empreendedores da mesma idade foi tão boa que Hélio resolveu procurar outras reuniões desse tipo. Foi assim que o empreendedor descobriu o TechCrunch, maior encontro de inovação do mundo e que aconteceria dali um mês. Hélio viajou aos Estados Unidos sem ao menos ter um ingresso em mãos.

Chegando em São Francisco, a primeira coisa que o brasiliense fez foi checar o local do evento para saber se existia uma forma ‘alternativa’ de entrar. Ele não conseguiu, mas participou de um encontro menor no mesmo local. "A ideia era criar um site em 24 horas e os melhores ganhavam acesso ao TechCrunch. Me juntei com outro brasileiro e ganhamos o evento com um site de saúde", recorda.

No TechCrunch, Hélio novamente fez questão de conversar com o máximo de gente possível, "do porteiro ao Vinod Khosla (criador da Microsystems e investidor de tecnologia)". E foi em um desses contatos, a sino-brasileira Bedy Yang, que o convidou na semana seguinte para ser acelerado pela 500 Startups no Vale do Silício. Hoje, seu site tem o maior banco de dados online de questões de concurso e briga em um mercado estimado em R$ 50 bilhões.

Além da 500 Startups, ele também recebeu investimentos da Monashees e da Gera Venture – fundo que tem como conselheiro Jorge Paulo Lemann, além de outros investidores. Nada mal para um simples esbarrão no metrô.

Mas apesar do sucesso, a trajetória do empreendedor ainda é permeada de desafios. "Meu maior erro foi no começo da empresa, quando não tinha muito conhecimento da área mas fazia tudo na correria. Acabava fazendo tudo errado. Precisava controlar minha ansiedade", conta Hélio. "Mas acredito que se você gosta do que faz, consegue conciliar os bons e maus momentos".

Quem também tem experiência no setor é o recifense Gustavo Gorenstein, da Poup, uma startup que aposta no conceito de cashback – o usuário que faz compras online recebe de volta parte do dinheiro que gastou. "A minha dica é: bote para testar. Tem gente que gosta tanto do seu projeto que não coloca ele na rua, quer antes deixar tudo perfeito, acessível para um milhão de pessoas. Quase nenhum produto chega a ter um milhão", afirma.

De acordo com Gustavo, quando você testa sua criação, fala dela para outras pessoas, consegue melhorar a versão original. "Pode ter um feedback, conseguir entusiastas e também investidores", ensina o empreendedor do Recife.

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