Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

A história da rede 2001, uma locadora de filmes que usou a estratégia para sobreviver ao tempo

A 2001 faz sucesso em um mercado que quase não existe mais porque aposta na relação física entre clientes e filmes

Rodrigo Rezende, Estadão PME,

01 de agosto de 2013 | 06h39

A 2001, locadora de filmes estabelecida na capital paulista há 31 anos, busca se reinventar praticamente todos os dias para sobreviver em um mercado que encolheu drasticamente nos últimos anos por conta das novas tecnologias, que por sua vez influenciaram (praticamente sepultaram) o hábito do consumidor de sair de casa para alugar um vídeo no fim de semana.

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E nessa busca pela inovação vale tudo, até mesmo criar um serviço de delivery. “Neste momento, nosso desafio é estarmos cada vez mais próximos dos clientes, além de prospectar novas demandas, por isso criamos o 2001 Em Casa”, afirma Sonia Abreu, diretora e proprietária da rede. “O delivery, segundo ela, manterá a relação física com o produto e a personalização do atendimento ao cliente. “Esse sempre foi nosso diferencial.”

A 2001 parece apostar mesmo nessa relação nada virtual entre loja, filme e cliente para pavimentar o futuro do empreendimento. “Não podemos deixar de considerar as opções de imagem e som que são exclusivas da mídia física, como Full HD, som 6.1, 7.1 e True HD, e o aumento da busca pelo 3D. Além disso, a diversidade do acervo da 2001 é imbatível”, garante a proprietária.

Outro exemplo usado pela empreendedora deixa clara qual é a estratégia da marca. “Enquanto a concorrência anuncia um serviço totalmente virtual, onde assume que não pode entregar pipoca, nós acreditamos e reforçamos a importância desta relação com o cliente. Pretendemos, sim, entregar pipoca e muito mais”, afirma. “Somos referência na difusão da linguagem cinematográfica e hoje somos muito mais do que uma videolocadora”, completa. A 2001, além de locação e venda de filmes e livros, realiza cursos, workshops, debates com diretores, exposições e lançamentos de filmes em suas lojas.

A 2001 tem seis unidades, a última inaugurada em 2011, e conta com cerca de 100 funcionários – todos têm conhecimento de cinema. A mão de obra especializada, conta a diretora, possibilita à locadora oferecer uma consultoria sobre o assunto para o consumidor. “O perfil do nosso cliente é o de quem não quer apenas alugar o filme, mas também conversar sobre cinema e trocar informações.”

Futuro. Sonia Abreu afirma que a lição de casa está sendo feita pela 2001, embora ela também reconheça que isso não significa sucesso no futuro. “Daqui cinco anos, não sabemos o que será deste mercado, mas estamos fazendo de tudo para manter viva essa interlocução com um público exigente, apaixonado por cinema de qualidade, que deseja e merece ser respeitado e bem atendido”, afirma a empreendedora.

Buscar regiões mais afastadas pode ser a saída

O nicho das locadoras de filmes ainda pode ser explorado, acredita o professor Felipe Wasserman, especialista em comportamento do consumidor em mídias sociais da ESPM. Ele destaca que esse segmento enfrenta um problema similar ao das grandes livrarias. “Elas perderam mercado por causa da internet.”

O professor, entretanto, enxerga uma luz no fim do túnel. Para ele, lojas que atendem cidades mais afastadas, com acesso difícil à internet, e regiões mais humildes, inclusive favelas, podem obter algum sucesso. “O negócio pode dar certo também em lugares onde haja população mais velha, que ainda não se adaptou às novas tecnologias.”

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