Gaberiela Biló/Estadão
Gaberiela Biló/Estadão

A encruzilhada da tradicional camisaria

Varca é sinônimo de tamanhos grandes, mas precisa modificar o modelo do negócio se deseja sobreviver

Renato Jakitas, O Estado de S. Paulo,

17 de dezembro de 2014 | 07h17

Segundo o Ministério da Saúde, 51% dos brasileiros estão acima do peso. Mas para a família Varca, o problema é que apenas 30 mil desses milhões de consumidores têm coragem, disposição e dinheiro para gastar em suas lojas. A Camisaria Varca, primeira e por década e décadas a única especializada em modelagem especial (até o manequim 80), hoje sofre com uma trinca de fatores que ameaça sua sobrevivência: a concorrência interna, o preconceito com a marca e o exército de brasileiros que se habituou a renovar o armário anualmente nos Estados Unidos.

A sangria é tamanha que, nos últimos meses, os irmãos Rafael e Fernando Varca Thomeu, a quarta geração no comando do negócio, começam a prospectar novas fontes de receita com o claro objetivo de pular do barco antes que ele afunde.

“Se continuar do jeito que está, não vai ter quinta geração, não vai ter nem mais um ano de vida para a marca”, reflete, desanimado, Rafael. “A solução seria achar um grupo que investisse na empresa e nos possibilitasse algumas mudanças”, diz.

Mas nem sempre foi assim. Especializada em moda para pessoas grandes, como hoje define o site da marca, a Camisaria Varca abriu as postas pela primeira vez em 1939, chefiada pela italiana Philomena Varca. Na época, vendia camisas comuns, que ela mesmo costurava em um máquina Singer. A opção por ampliar a modelagem aconteceu no fim da década de 50, começo dos anos 60, quando Francisco, filho e sócio de dona Philomena, percebeu espaço para avançar no nicho.

A iniciativa transformou-se em sucesso imediato. “Ganhamos muito dinheiro. Meu pai me diz que é uma pena a gente não ter vivido aquele período”, conta Rafael, que informa com orgulho que em 1980 a marca patrocinou o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 e tinha lojas por todo lado. “Passavam de 15”.

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Mas o que passou mesmo foi o tempo. “A Varca já era uma multimarca e aconteceu que começamos a sofrer com preconceito. Nos transformamos em sinônimo de marca para homem gordo. E o que seria bom para qualquer marca, para nós é um problema”, conta Rafael, que lembra que os clientes no shopping Ibirapuera pediam para virar a sacola do avesso para que as pessoas não os vissem desfilando com o nome da loja pelos corredores.

“Saímos dos shoppings, é um fluxo que não nos interessa. Hoje só temos unidades na rua”, conta o empresário, que trabalha com manequim que parte de 54 e vai até a numeração 80. A saída para o empreendimento, ele conta, passa por um investimento em e-commerce, projeto em que ele vem se dedicando, e na reformulação completa do modelo de negócio. “Sabemos que existe um mercado, mas precisamos nos modificar. O atendimento da loja, por exemplo, ainda é de balcão. O vendedor precisa ser muito bom para mostrar tudo. Eu não sei se temos o tempo que precisamos para essas mudanças.” 

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