Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

A empresa que armazena coisas e que receberá R$ 1 bilhão de investimentos em cinco anos

Com aporte bilionário, empresa de armazenagem muda de gestão e aposta no interior do País

MARIANA GAZZONI, NEGÓCIOS,

22 de outubro de 2012 | 10h08

 O bilionário americano Sam Zell reservou o horário do almoço na terça-feira passada para se inteirar sobre um de seus investimentos no Brasil. Em sua breve passagem pelo País, almoçou com o executivo Allan Paiotti, presidente do GuardeAqui, uma empresa de locação de espaços para armazenagem de produtos ou pertences comprada pela Equity International, o fundo de Sam Zell, em fevereiro de 2011. O investidor deu palpites sobre o plano de expansão da empresa, que consumirá um investimento de até R$ 1 bilhão em cinco anos.

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A Equity pagou US$ 58 milhões por 70% do GuardeAqui, fundada em 2006 pelo cubano Mario Fernandez. Foi a primeira vez que o fundo comprou o controle de uma companhia brasileira – ele já investiu em gigantes do setor imobiliário como Gafisa e BR Malls, mas sempre em participações minoritárias.

O que todos se perguntaram quando Sam Zell comprou o GuardeAqui era, afinal, por que ele investiu em uma empresa tão pequena. O GuardeAqui tem apenas três unidades. Mesmo assim, é líder no setor. 

Paiotti faz questão de dizer que a empresa é a “joia da coroa” da Equity. “Temos uma das maiores rentabilidades do fundo. A margem é acima de 15%. Algumas incorporadoras ganham um terço disso”, comparou. 

Desde que a Equity comprou o GuardeAqui, a empresa está um turbilhão. O antigo controlador se afastou do negócio, que passou a ser administrado por executivos da Equity dos Estados Unidos, até a contratação de Paiotti, em abril deste ano. 

A empresa já revisou gestão e processos e agora está desenhando seu plano de expansão. A sede do GuardeAqui está repleta de mapas –do Brasil, de São Paulo, de Uberlândia, Belo Horizonte, Rio, entre outros. Só o de São Paulo tem 22 “post-its” colados em cima de áreas que estão sendo negociadas pela empresa para construir novos armazéns. “Nem tudo vai fechar. Mas tranquilamente poderíamos ter dez unidades a mais só em São Paulo”, disse Paiotti.

A GuardeAqui tem seis executivos percorrendo 30 cidades brasileiras para estudar o mercado. O plano é abrir 50 unidades até 2017 – cada uma exigirá investimentos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. “Existe mercado para esse produto em cidades acima de 200 mil habitantes”, disse Paiotti. A primeira das novas unidades será em Ribeirão Preto e já está em construção.

A visão de Sam Zell é de que as maiores oportunidades estão fora do eixo Rio-São Paulo, conta Paiotti. Nas duas maiores cidades brasileiras, os “depósitos” enfrentam uma concorrência acirrada por terrenos com incorporadoras e centros logísticos.

Potencial. A aquisição do GuardeAqui por Sam Zell colocou os holofotes em um setor praticamente desconhecido no País, chamado de self storage. Os complexos são formados por boxes de diversos tamanhos usados para fins que vão de depósito de móveis para famílias, estoque de importadoras a centro operacional de empresas de instalação de TV a cabo. 

No País, há apenas 50 unidades do tipo, segundo estimativas da recém-criada Associação Paulista de Self Storage (Aspass), e 70% delas estão na capital paulista. Para o presidente da entidade, Flavio Soldato, o Brasil poder ter 500 unidades em 25 anos. 

Apesar do crescimento expressivo, o número ainda é pequeno perto do tamanho deste segmento nos Estados Unidos, onde há cerca de 50 mil armazéns do tipo. Só a líder do setor, a Public Storage, é dona de mais de 2 mil unidades. A empresa está listada na Bolsa de Nova York e faturou US$ 1,75 bilhão em 2011.

“Muitas pessoas físicas, donas de imóveis, entraram neste segmento no Brasil. Mas, para o mercado crescer, há necessidade de capital externo”, disse Soldato.

O problema, segundo ele, é que os investidores ainda não despertaram para o potencial do segmento no Brasil. “Estive em uma feira neste ano em Las Vegas e pouco se falou em Brasil”, disse. “O interesse da Equity no GuardeAqui ainda é exceção.” 

A dificuldade de operar em um setor incipiente vai da falta de legislação específica para a atividade a desconhecimento do produto por possíveis clientes. O GuardeAqui quer virar esse jogo. A empresa, que nunca investiu em marketing, está desenvolvendo um plano para 2013. 

A ação faz parte do clássico roteiro de fundos de private equity nas suas investidas: comprar, reestruturar, expandir e depois vender com lucro. O histórico de Sam Zell é de ganhar dinheiro no Brasil. Gastou US$ 50 milhões para comprar 32% da Gafisa em 2005 –quase o mesmo do que pagou por 70% do GuardeAqui –e desde 2010 saiu do negócio aos poucos. Sempre com lucro.

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