Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

A boa ideia não é fundamental para atrair investidores; eles esperam projeto organizado

Especialistas acham que há falta de preparo do interessado na busca de dinheiro para a sua pequena empresa

Estadão PME,

29 de abril de 2013 | 07h43

 Uma empresa com planos de atrair um investidor para desenvolver seu negócio precisa estar muito bem preparada. E o ponto mais crítico a ser enfrentado nesta etapa é justamente a falta de capacitação do empreendedor na busca por um financiamento, dizem os especialistas. Apesar do cenário até certo ponto favorável, uma ideia não basta para convencer o investidor-anjo.

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Para o conselheiro da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), Bernardo Portugal, existe um gap de cultura empreendedora para investimento, que não atinge apenas o pequeno empresário, mas também as médias e grandes empresas conservadoras.

“Existe dinheiro, fundos dos mais diversos setores e tamanhos, mas os projetos precisam estar bem documentados e organizados”, alerta Portugal, que também é diretor de relações institucionais da gestora de fundos de investimentos Confrapar.

A falta de um projeto mais estruturado e embasado, com informações sobre sua viabilidade prática, faz muitos empresários buscarem ajuda apenas com uma ideia. “Infelizmente isso é comum. Mas a ideia não é o mais importante. O mais importante é a capacidade de execução do empreendedor. Se ele consegue transformar a ideia em um negócio. Isso faz a diferença”, afirma o fundador da Anjos do Brasil, Cassio Spina.

O coordenador do Centro de Empreendedorismo da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap), Marcos Hashimoto, aponta a existência de um abismo entre empresários e investidores provocado por ambas as partes. Do lado de quem tem dinheiro, sobram exigências. “Embora sejam denominados investidores de risco, na prática eles não querem risco”, diz.

Já para o empreendedor, falta maturidade para lidar com o processo. “Alguns acham que têm boas ideias e nem sempre têm. Ou quando têm, não sabem mostrar isso para o investidor. Em muitos casos, o empresário sabe falar do produto, mas não sabe falar do negócio”, aponta Marcos Hashimoto.

No entanto, dentro desse cenário há exemplos bem-sucedidos. É o caso da eÓtica, que no ano passado recebeu um aporte do fundo Kaszek Ventures e do investidor-anjo Kai Schoppen para colocar no ar o Clube da Lente, um site que oferece assinaturas de lentes de contato – enviadas a cada três meses ao cliente. Outro caso mais recente é o da fabricante de sorvetes Diletto. Em março, foi anunciada a compra de 20% da empresa pelo fundo Innova, que tem entre os seus participantes o empresário Jorge Paulo Lemann.

Já a forma de alavancar o negócio escolhida pelos sócios da Cuponeria foi participar do programa de investimento em startups do Buscapé. A empresa foi a vencedora do desafio ao apresentar seu modelo de negócio: um site que reúne os cupons de empresas parceiras para o consumidor imprimir ou fazer o download no celular. Como o cliente não paga pelo cupom, a proposta da startup é eliminar um problema detectado nos clubes de compras, o da não utilização da oferta no prazo estabelecido.

Orientação

A principal dica para quem pretende ter sucesso na busca de financiamento é mostrar os planos futuros da empresa em relação ao projeto. “Excel e Power Point aceitam tudo. Mas não é só discurso. O empreendedor precisa estar preparado com fundamentos sobre o mercado que vai atuar, concorrentes, taxa de retorno, projeção de crescimento”, diz Portugal.

Para chamar atenção do investidor, é necessário também ser inovador, o que significa na prática que a ideia deve ter uma vantagem competitiva para o produto ou serviço se diferenciar no mercado, além de potencial para ser escalonável. O alerta de Spina é que o tempo é um fator para se levar em consideração. “Não adianta ir atrás dos investidores quando está precisando muito. O processo exige planejamento e pode demorar até seis meses para se concretizar. Isso porque os envolvidos precisam se conhecer, já que serão sócios”, diz.

Hashimoto lembra ainda que em 2000 ocorreu um boom de empresas “Pontocom”, com uma onda de investidores estrangeiros. “De lá para cá, aumentou a quantidade de empreendedores, de investidores. Mas como tudo na vida, quando aumenta a quantidade, diminui a qualidade. Muita gente querendo empreender, mas pouca gente preparada para receber um capital de risco”, destaca.

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