Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

A batalha pela mão de obra

O momento da economia faz com que o empresário tenha de adotar novas estratégias para atrair os bons funcionários

Estadão PME,

19 de novembro de 2014 | 07h08

É contraditório. Num momento em que a economia brasileira está praticamente parada – a última projeção do PIB para 2014, divulgada em novembro pelo Banco Central, aponta para um crescimento de apenas 0,2% no ano –, as empresas ainda encontram dificuldades para contratar mão de obra.

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E, apesar dos últimos dados oficiais mostrarem que o País fechou postos de trabalho em outubro, persiste a situação de quase pleno emprego. Além disso, a questão da qualificação, central nesta discussão, não se resolverá no médio prazo.

Pesquisa realizada em maio deste ano pelo ManpowerGroup, empresa mundial de recursos humanos e recrutamento, mostra que somos o quinto país com mais escassez de talentos. Nada menos que 63% dos empreendimentos relatam ter problemas na hora da contratação, porcentual muito acima da média mundial, de 36%.

Segundo a diretora de recursos humanos do ManpowerGroup no País, Márcia Almström, esta dificuldade pode ser parcialmente explicada pelo enxugamento do quadro das empresas, o que modifica o perfil do profissional procurado.

“No passado, existiam três ou quatro pessoas para realizar um processo. Hoje este número caiu pela metade e quem ficou precisa fazer a função dos outros”, afirma a especialista.

A maior parcela da culpa, entretanto, é atribuída ao sistema educacional brasileiro, não apenas por ser de baixa qualidade, mas também por ter dado preferência à formação de nível universitário em detrimento de cursos técnicos. Hoje, esses profissionais são escassos. Encabeçam o ranking dos profissionais mais em falta no mercado atualmente, também elaborado pelo Manpower, os operários, técnicos e motoristas.

“Muitas empresas têm dificuldade em encontrar pessoas qualificadas porque as escolas não fazem a lição de casa de apresentar ao aluno as condições reais do mercado de trabalho”, afirma a coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios em Desenvolvimento de Pessoas na ESPM, Adriana Gomes. “Muitos jovens são atraídos por profissões mais midiáticas e isso acaba por causar sérios problemas de oferta de mão de obra em alguns setores”, analisa a especialista.

Para ajudar a solucionar essa questão, o Estadão PME procurou empresas, especialistas e grandes empresários que pudessem contar de que forma é possível atacar esse problema. Uma solução adotada, por exemplo, é usar ferramentas da internet, como redes sociais e comunidades colaborativas. Outra estratégia que muitos estão adotando é a criação de mecanismos e programas específicos de treinamento para os novos funcionários, uma vez que a escassez os obriga a abrir mão da experiência na hora da admissão.

No caso das startups, em que o dinheiro é curto, uma forma que os empreendedores encontraram para atrair e reter talentos é oferecer uma participação no negócio. Por fim, grandes empresários contam como fizeram para impedir que a mão de obra se tornasse um problema e ameaçasse o futuro. Prepare-se! A batalha será longa, mas certamente haverão vencedores. 

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