Jason Logan/The New York Times
Jason Logan/The New York Times

9 maneiras de ajudar as pequenas empresas

Está pensando em como ajudar sendo um consumidor? Aqui vão algumas ideias

Ellen Rosen, The New York Times

29 de dezembro de 2020 | 19h29

Nas primeiras semanas da pandemia do coronavírus, os consumidores procuravam motivar as pequenas empresas comprando vales-presente e fazendo campanhas online de arrecadação de recursos. Mas com a persistência da pandemia e quando as restrições reduziram os horários de funcionamento, muitas empresas independentes continuaram a lutar. 

Em todo o país, muitos comerciantes optaram por adotar estratégias criativas para garantir a sobrevivência de suas empresas, beneficiando desse modo consumidores, proprietários e a saúde de empreendimentos comerciais das suas comunidades.

“Estas iniciativas criam um efeito multiplicador”, afirma Bill Brunelle, sócio gerente da organização Independent We Stand, que ajuda pequenas empresas de todo o país com marketing. Se você fizer uma compra em uma loja de ferragem, o proprietário poderá contratar um contador local, enquanto os funcionários poderão ir a restaurantes próximos e em outras lojas da vizinhança. O sucesso de uma empresa pode estimular toda a economia”.

“Todos se queixam da ausência das lojas de varejo, mas só poderemos manter estas empresas funcionando com a nossa participação”, diz Ande Breunig, corretor de imóveis em Evanston, Illinois. Breunig criou um grupo no Facebook na esperança de motivar os moradores a aumentarem o seu apoio às lojas e serviços locais.

Portanto, como os consumidores contribuirão para este círculo virtuoso, principalmente durante a temporada de festas de fim de ano, tão importante para o comércio? Aqui vão algumas sugestões.

Compre de empresas locais

Antes de você, sem pensar muito, fazer uma encomenda a um gigante do e-commerce, procure saber se um comerciante local oferece o mesmo produto. As livrarias independentes, por exemplo, muitas vezes encomendam e recebem rapidamente o item que você escolher. Embora você possa receber muitas coisas online, “dê uma volta, entre em uma loja, fique de máscara e faça uma compra”, aconselha Ellen Baer, presidente e diretora executiva do Hudson Square Business Improvement District, que atende uma área a oeste de SoHo, em Manhattan. “Pense nas pessoas na outra extremidade da sua compra”.

Mas comprar de comerciantes locais não significa necessariamente deixar de lado o online. Plataformas como a Bookshop e Alibris põem os usuários em contato com pequenas livrarias. As butiques de vestuário vendem por meio de sites como Shopify, Lyst.com e Farfetch, bem como a Sook, uma recém-chegada que também hospeda lojas de produtos para a casa.

Ao enviar presentes a amigos e familiares em outra cidade, procure as lojas independentes nas localidades onde eles residem. E não acredite que um e-commerce possa prejudicar as entregas de uma empresa local – os próprios sites têm às vezes atrasos por causa da interrupção da cadeia de suprimentos na pandemia.

Vá à fonte

Sempre há alguns momentos em que você precisa do serviço de entregas. Mas nos outros dias, pense duas vezes quando precisar da entrega de alimentos. Em vez de usar um aplicativo de delivery, peça que a entrega seja feita na calçada: sites como Grubhub e Uber Eats cobram tarifas dos restaurantes que podem reduzir margens limitadas. A Instacart e Shipt, duas companhias que oferecem compras e delivery, também cobram dos comerciantes que usam os sites.

E embora seja fácil  comprar em uma loja digital, como elas são chamadas, em sites como Facebook e Instagram, as compras por meio de aplicativos de terceiros costumam reduzir o lucro líquido para o comerciante. (Facebook, dona do Instagram, abriu mão das tarifas sobre as vendas até o final do ano, mas em janeiro irá reavaliar esta prática, informou uma porta-voz da Facebook por e-mail.)

Seja sociável 

Ajude a fortalecer a presença de uma empresa nas redes sociais curtindo as páginas dos estabelecimentos no Instagram, Facebook, LinkedIn e Twitter. Escreva avaliações positivas, poste generosamente fotos de suas compras, e não se esqueça de adicionar comentários sobre as empresas. E pense em iniciativas um pouco maiores, como listas de e-mails da comunidade e grupos de rede social, como Nextdoor.

Os comerciantes são eficientes em matéria de vendas, mas muitos não compreendem plenamente que a mídia social pode ser uma forte influência, diz Breunig. Por intermédio do seu grupo de Facebook, ela começou uma iniciativa “adote uma loja”, em que os moradores selecionam um estabelecimento comercial e se comprometem a fazer compras lá uma vez por semana (sem gastos mínimos) e depois postam mensagens sobre suas experiências no Facebook. No prazo de cinco dias, contou Breunig, foram “adotadas” 24 lojas de Evanston.

Além da beneficência

Você pode dobrar o efeito das iniciativas filantrópicas envolvendo pequenas empresas, sempre que possível. Encomende refeições para trabalhadores essenciais em restaurantes independentes. E mesmo que fique um pouco mais caro, compre em mercados locais para as coletas de alimentos.

Suzanne Fiske, diretora  de desenvolvimento ‘no ar’ das WHYY, as emissoras de rádio e televisão públicas de Filadélfia, teve outra ideia. "Nossos ouvintes se preocupam com a loja familiar da vizinhança que enfrenta dificuldades durante esta pandemia”, observou; então pediu que os doadores nas plataformas de mídia social mencionassem em voz alta o nome de sua empresa local favorita." 

A emissora premiou duas com o maior número de votos – Horsham Square Pharmacy de Horsham, Pensilvânia, e a MYX, de Bryn Mawr, Pensilvânia, uma startup que cria uma máquina de venda automática de bebidas com mistura personalizada – com publicidade radiofônica no valor de US$ 3,5 mil. A promoção também motivou doações de ouvintes, com mais de 700 chamadas de contribuintes no dia da competição entre pequenas empresas, cerca do triplo do número de costume, acrescentou Suzanne.

A lealdade conta

As empresas de serviços – como os personal trainers e os salões de beleza – foram particularmente afetadas pela pandemia por enfrentarem maiores dificuldades para reabrir. Os vales-presentes ajudam, mas também generosas gorjetas para os que estão abertos. 

E lembre que as pequenas empresas dependem de clientes regulares, mesmo que procurem atrair novos. Como tantos outros, Symone Johnson, dona do Indulge Hair Salon LLV em Englewood, Nova Jersey, não estava preparada para o fechamento repentino em março. Ela começou a fazer vídeos para ajudar as clientes a cuidarem do próprio cabelo sem cobrar nada, e hospedou sessões virtuais para recriar uma versão online a fim de permitir a socialização.

Suas clientes se ofereceram para pagar, mas ela não aceitou. “Não fiz isso pelos benefícios financeiros – foi uma maneira de me manter ocupada e não fiquei pensando em mim mesma”. Depois de assistirem aos vídeos apareceram novas clientes, conta, e tanto elas quanto as clientes antigas mostraram a sua generosidade. “Uma gorjeta de 20% agora pode ser de 50%”, comentou Symone.

Pague o preço normal 

Todo mundo adora um desconto, mas talvez não seja este o momento. Se puder, pague o preço normal.

Participe das Iniciativas da Comunidade

Enquanto na pandemia muitas pessoas se sentem isoladas, organizações de empresas locais tentam preencher este vazio com programas comunitários com distanciamento social que podem impulsionar a atividade econômica.

A Câmara de Comércio de Wellfleet, Massachusetts, em Cape Cod, por exemplo, está patrocinando uma competição de bingo online de um mês de duração em que cada quadrado é um “chamado à ação”, como doações a uma ONG local ou tomar aulas virtuais.

Compartilhem ideias com as organizações locais de pequenas empresas ou com as prefeituras buscando maneiras de ajudar. A Downtown Phoenix está expandindo o seu mercado tradicional no período das festas, o Phoestivus, que usa vitrines de lojas vazias para exibir as criações de artesãos locais, além do estoque  de alguns comerciantes. Os produtos expostos  nas vitrines  podem ser adquiridos por smartphones que usam o código QR (Quick Response) ou outras formas de pagamento sem contato físico.

“É uma maneira de fazer a comunidade sair de casa”, disse Samantha Jackson, diretora sênior de estratégia e assuntos da comunidade da ONG Downtown Phoenix Inc. “Há pessoas que não vão ao centro e permanecem em seus bairros; elas ficam surpresas em ver como é lindo”.

Ofereça as suas habilidades  

Se você é um contador, advogado, banqueiro, ou um especialista em marketing digital, só para mencionar algumas profissões, as lojas locais seguramente aceitarão de bom grado a sua ajuda. Kimberly Pardiwala, até recentemente diretora de uma empresa que organizava vendas em grupo para espetáculos da Broadway, ficou preocupada com a possibilidade de os restaurantes voltarem a ser prejudicados com o início do inverno. 

Moradora de Larchmont, Nova York, ela entrou em contato com David Masliah, proprietário do popular Encore Bistro da cidade, para encomendar jantares a preço fixo regularmente para a sua associação de bairro. “Agora estamos tão separados que é importante restabelecer a nossa comunidade“, afirmou. 

Pratique a amabilidade

Neste momento, os proprietários sofrem uma enorme pressão, às vezes existencial. Por isso, preste o seu apoio emocional quando puder. Pergunte aos comerciantes como estão aguentando, e informe-se a respeito dos funcionários que agora talvez estejam desempregados.

/ TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA 

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