ALEX RIBEIRO/AE
ALEX RIBEIRO/AE

86% das empresas brasileiras operam com alguma irregularidade, diz estudo

Segundo pesquisa da Endeavor, Brasil também tem 3,7 milhões de CNPJs “zumbis”

Roberta Cardoso, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2017 | 09h43

Se o empreendedorismo é o motor da economia, as distorções na burocracia deixam tudo congestionado. É o que aponta a pesquisa  “Burocracia no Ciclo de Vida das Empresas”, lançada pela Endeavor e com o apoio de EY, Ibracem, Neoway e SEDI. De acordo com dados levantados pelo estudo,  86% das empresas brasileiras operam hoje com alguma irregularidade. Além disso, o País ainda tem 3,7 milhões de CNPJs ‘zumbis’.

 

A organização global de fomento ao empreendedorismo aprofundou o conhecimento sobre a ineficiência da burocracia brasileira e seus impactos para o país e construiu um mapa inédito dos processos que precisam ser navegados por empreendedores na abertura e no fechamento de empresas. Além disso, ouviu empreendedores, burocratas e especialistas e fez um compilado das ações de melhoria mais apontadas pelos três atores.

No que diz respeito ao impacto da burocracia, chamam a atenção os 3,7 milhões de CNPJs “zumbis”, revelados pelo estudo. São CNPJs ativos na Receita Federal, porém sem atividade efetiva, que representam quase 20% do total, e que podem ser um indicativo da dificuldade enfrentada para se fechar uma empresa no Brasil. A pesquisa aponta que, embora o fechamento pareça simples, por envolver poucos processos, pode se tornar um pesadelo para negócios com problemas de saúde tributária, algo que é comum no Brasil. 

De acordo com outros dados levantados, 86% das empresas brasileiras operam hoje com alguma irregularidade. Dentre os escritórios de advocacia e contabilidade, que são os que deveriam conseguir lidar melhor com a burocracia, essa taxa é de 80% e 88%, respectivamente. O dado assusta, mas parece fazer sentido quando se analisam números como o de atualizações tributárias, que podem chegar a 558 em 4 anos, no caso do ICMS - ou seja, cerca de 1 atualização a cada 3 dias. 

Além da mudança constante na legislação dos impostos, as empresas precisam cumprir uma série de obrigações acessórias para comprovar ao Fisco que o pagamento e as exigências legais estão sendo feitos da forma correta. Para cumprir as obrigações acessórias municipais, que são relacionadas ao ISS, uma empresa optante pelo Simples Nacional precisa preencher, na média, 24 fichas de informações complementares para fiscalização. No caso das estaduais, que dizem respeito ao ICMS, são necessárias, em média, outras 24 fichas. Qualquer deslize no cumprimento das obrigações pode gerar multas e irregularidades para os empreendedores. 

E as amarras da burocracia impactam não apenas as empresas, mas a produtividade geral do país. Estudos acadêmicos revisitados ao longo da pesquisa mostram que países como o Brasil, que apresentam muitas dificuldades regulatórias para o ciclo de “destruição criativa”, acabam concentrando muitas empresas pequenas, antigas e pouco produtivas. O resultado é a menor produtividade média na maioria dos setores e a menor geração de renda por trabalhador. Os acadêmicos estimam ainda que se os procedimentos e atrasos fossem reduzidos à metade no Brasil, o crescimento da renda per capita no longo prazo seria de 25%.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.