Beto Oliveira|Porto Digital
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2018 será melhor para empreender

Especialistas avaliam que conjuntura da economia deve favorecer os pequenos negócios do País; polos de tecnologia ganham mais espaço e empresas voltadas à criatividade serão mais demandadas

Letícia Ginak, ESPECIAL PARA, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2017 | 09h05

Oportunidade para ter independência no trabalho, um meio para prosperar financeiramente ou mesmo a necessidade de continuar exercendo uma atividade remunerada após a perda do emprego. O empreendedorismo no Brasil é realidade pelas mais diferentes razões. Ser dono do próprio negócio é o quarto sonho da população brasileira, atrás apenas de viajar pelo País, comprar uma casa ou carro, segundo dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2016.

"Está na cabeça das pessoas, daqueles que perderam o emprego ou não”, diz Guilherme Afif Domingos, diretor-presidente do Sebrae. 

Estabilidade econômica e fatores estruturais nas relações de trabalho sugerem que 2018 será um ano positivo e de crescimento para os empreendedores. Para debater o tema e as oportunidades para os próximos anos, o Estado promove a Semana Pró-PME, que começa amanhã. 

Perspectivas. Para o presidente do Sebrae, a entrada em vigor da reforma trabalhista e da lei que permite a terceirização de postos de trabalho deve aumentar a busca pelo empreendedorismo no País. 

“Muita empresa grande vai buscar terceirizar atividades que necessitam principalmente de criação. E está provado que quem cria é o pequeno, o grande compra pronto. Esse cenário abre um grande mercado de oportunidades”, diz Afif. 

A pesquisa GEM aponta que, apesar da crise, em 2016 o número de negócios por oportunidade cresceu, chegando a 57,4%. Porém, as dúvidas sobre a estabilidade econômica do País devem continuar deixando os empreendedores inseguros. Para o doutor em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Clemens Nunes, o cenário esperado para 2018 é de recuperação econômica. “A melhora é calcada na recuperação do poder de compra das famílias e no aumento do nível de emprego, além da volta do investimento por parte das empresas.”

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O economista ainda afirma que, em 2018, o número de investidores-anjo crescerá. “O número aumentará por motivos estruturais, não por um fenômeno ligado ao cenário macroeconômico. Esse mercado vem amadurecendo e começa a apresentar graus de profissionalização.” 

Profissionalização. Polos de tecnologia e desenvolvimento de empreendedores e iniciativas de governos estaduais fomentam a capacitação nas escolas e universidades. Este ano, em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e a Associação Junior Achievement, desenvolveu o programa Meu Primeiro Negócio, especial para estudantes de ensino médio da rede pública. São 12 semanas em que os alunos aprendem, na prática, conceitos de livre iniciativa, mercado, comercialização e produção. 

No Recife, o Porto Digital, iniciativa do governo estadual, empresas privadas e universidades, fomenta o empreendedorismo em tecnologia e economia criativa em toda a região. “Este ano, fizemos um trabalho de inovação aberta com grandes empresas, que nos contaram quais eram seus desafios para que, juntos, conseguíssemos solucionar problemas e criar novas fontes de receita para as empresas do Porto. Nós elaboramos um produto com a Unilever que foi responsável por mais de R$ 50 milhões de faturamento para a empresa que trabalhou nele”, conta Maurício de Carvalho, consultor de empreendedorismo do Porto Digital. 

Carvalho acrescenta: “2018 será o ano da tecnologia artificial. Quando você quer melhorar eficiência e produtividade, você investe em tecnologia”.

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