Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Um par de sapatos e muita inovação rendem faturamento de R$ 2,4 milhões

Priscila Callegari fechou empresa de arquitetura para investir em moda

Ligia Aguilhar, Estadão PME,

27 de fevereiro de 2012 | 16h12

Ela recomeçou quando alguns já pensam em parar. Aos 50 anos, a designer Priscila Callegari, hoje com 55, decidiu fechar sua empresa de arquitetura promocional para se dedicar a uma paixão: sapatos. "Quando eu viajava, via modelos interessantes que não encontrava no Brasil", conta.

Diante disso, matriculou-se em um curso de design de calçados. Dois anos depois, procurou o auxílio do Senai de São Paulo e do Sebrae de Franca para criar uma coleção original de sapatos.

Por meio de cursos e consultorias, percebeu que buscava criar algo moderno, com boa dose de criatividade e, ao mesmo tempo, com design. A solução foi criar sapatos customizados, um conceito novo mesmo fora do País.

Com tecidos variados, pingentes e tiras, Priscila criou acessórios que podem ser acoplados aos calçados, criando modelos novos a cada aplicação. Nascia assim, em 2008, a Ciao Mao. "No começo, ninguém entendia o meu conceito. Como não tínhamos escala, as empresas ficavam com receio de produzir porque não consideravam o produto comercial."

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A primeira loja foi aberta em Pinheiros, na cidade de São Paulo, com um investimento inicial de R$ 800 mil. Três anos depois, a empresa alcançou seu ponto de equilíbrio e já conta até com uma segunda loja.

Das duas unidades saem cerca de 300 pares de sapatos por mês, que garantem um faturamento da ordem de R$ 2,4 milhões e que dobra a cada ano. "O brasileiro tem medo de inovar porque quer 100% de retorno no curto prazo, mas não percebe que o caminho da inovação é mais seguro", diz.

Seu plano agora é montar, ainda neste ano, uma loja em shopping, além de vender os calçados em multimarcas.

Apesar de ter sido sondada para exportar seus produtos, prefere focar o Brasil. "Entrar em um negócio novo depois de tanto tempo é maravilhoso porque você traz consigo uma bagagem incrível." Bagagem essa que a faz dar passos certeiros e, dessa forma, acumular quatro prêmios de design.

Veja quais foram os erros e acertos da história de Priscila:

O que acertei

O grande acerto de Priscila foi inovar. Para isso, fez cursos e estudou o mercado antes de abrir o negócio. "Desenvolvi uma ideia tão bem amarrada que nunca pensei que pudesse dar errado", explica. A inovação resultou em prêmios que deixaram a Ciao Mao em evidência. "Esse reconhecimento ajuda a dar credibilidade para a marca", explica a empresária.

O que errei

Apostar em apenas uma fábrica para produzir seus calçados trouxe prejuízos para Priscila. A primeira encomenda resultou em 350 pares de sapatos fora do formato adequado. Não teve jeito, precisou refazer o pedido para um novo fornecedor. Outro erro foi abrir a primeira loja em uma pequena vila. "No Brasil, escolher bem o ponto de venda é fundamental", afirma.

Uma dica

A empresária alerta que sapatos precisam ser fabricados em grande escala para o custo não subir. E lembra que é preciso esforço e persistência para inovar, pois os fornecedores não querem assumir riscos, o que dificulta essa tarefa."Se você acredita em uma ideia, estude e coloque a mão na massa. No início o caminho é longo, mas certamente é mais seguro", diz.

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