Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Tradição do quimono passada de pai para filho

Adquirida por Benildo Saba faz muito tempo, a Kimonos Dragão hoje é administrada por Fulvio e fatura R$ 3 milhões

Gisele Tamamar, Estadão PME,

30 de maio de 2014 | 18h30

“A gente dormia, comia e sonhava judô”. Foi essa a justificativa que o empresário Benildo Saba deu ao ser questionado sobre o que o levou a comprar uma marca de quimonos há 40 anos e montar a Kimonos Dragão. Hoje, a empresa é comandada por seu filho Fulvio e produz cerca de 4 mil peças por mês; o faturamento anual é de R$ 3 milhões.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

Nascido na cidade de Rosário Oeste, no Mato Grosso, Benildo mudou-se para São Paulo ainda jovem, aos 13 anos. Ele auxiliou o pai com a compra e venda de automóveis, casou e teve três filhos. Como praticou judô durante a adolescência, o faixa preta não pensou em outro esporte para estimular os pequenos Fabio, Fernando e Fulvio.

Mas o grande “culpado”, a pessoa que fez o empresário apostar no negócio, foi o professor de judô do Esporte Clube Sírio, Roberto Salles. Na época, o mestre era cliente de Roberto Kofuji, da empresa Kofuji Dragão. “O Roberto falou: o japonês não está querendo mais fazer quimonos. Por que você não compra dele?”

A insistência não foi só verbal. Roberto apareceu em um sábado na empresa de Benildo e o levou até a fábrica de quimonos. “Fui fazer uma visita e acabei comprando a marca e os equipamentos de corte com a promessa dele ir na minha casa me ensinar. Resolvi entrar de cabeça no judô. Não tinha nem dinheiro, mas arrumei”, afirmou Benildo.

A empresa começou na garagem, com poucas máquinas e muita dedicação. “Fui persistente, minha mulher Vera ajudava. Eu ia comprar tecido, cortava, levava para costurar, buscava, embalava, chamava transportadora. Quando eu vi que começou a melhorar, contratei funcionários e fui aumentando o negócio”, relembra.

Houve uma época em que os três filhos ajudavam na empresa, mas os dois mais velhos seguiram outras carreiras. Sobrou o caçula. “Achei que o Fulvio não ia querer tocar isso, mas no fim, eu fiz um comentário: ‘estou cansado disso aqui, acho que vou vender’. E ele falou: ‘Não vai vender, não, deixa que eu toco’. O Fulvio me surpreendeu. Ele é o culpado pelo progresso da empresa”, relembrou Benildo Saba.

Hoje, o fundador da Dragão diz que faz “uma coisinha aqui e outra ali” e que a empresa é, de fato, comandada pelo filho. Fulvio conta que a entrada nos negócios da família foi natural. “Não foi uma decisão tomada: ‘Vou trabalhar na Dragão’. Eu sempre fiquei na empresa porque gostava. Teve uma época que meu pai estava cansado, mas não falei: ‘Eu quero pegar’. Eu já estava envolvido e quando vi estava decidindo.”

Faixa preta em judô e jiu-jítsu, Fulvio aponta um bom momento das artes marciais no Brasil, principalmente com o crescimento do MMA (do inglês Mixed Martial Arts), o que contribui para o crescimento médio anual da empresa oscilar entre 7% e 10%.

No comando de um negócio familiar, Fulvio confessa que às vezes toma decisões mais com o coração do que com a razão, o que nem sempre é bom. “Mas no geral, acho que isso é um diferencial.” E nada de “conversas pesadas” em reuniões de família. “Se estamos em casa não gostamos de conversar sobre a empresa. Óbvio que trocamos ideia, mas nada muito pesado.”

Envolvido com o esporte desde criança, Fulvio ainda se recorda das competições. “Lembro do meu pai chegar em campeonatos e ser anunciado como o dono da Dragão. Para nós, era legal pra caramba”. Hoje, quem tem orgulho é o pai. “O Fulvio é o cara da Dragão”, elogia.

Um erro

Fulvio conta que a empresa só passou a formalizar contratos de patrocínios de atletas no ano passado. Antes era só um acordo verbal. E foi em uma dessas situações que um atleta patrocinado não disputou duas lutas com o quimono da marca, conforme havia sido combinado anteriormente. “Liguei e ele respondeu: esqueci. O que eu vou falar?”, contou Fulvio.

Um acerto

Como pai coruja, Benildo acredita que um dos acertos foi ter confiado o comando da empresa para o filho Fulvio. “Ele me surpreendeu: é um senhor empresário. Ele levantou a empresa. Hoje, a Dragão está no mundo todo”, elogiou Benildo. Já Fulvio acredita que um acerto da marca é seguir sempre inovando com produtos, sem deixar a qualidade de lado.

Uma dica

A principal dica do empresário Fulvio Saba é procurar fazer direito. “A marca é conhecida pela qualidade dos produtos. Enquanto os outros estão preocupados em apenas ganhar dinheiro, fazendo um produto que venda, nós procuramos fazer uma coisa boa, que venda, claro, mas a prioridade é sempre ter um produto de excelente qualidade”, afirmou Fulvio.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.