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| 30 de setembro de 2015 | 6h 58

Recomeçar sempre de olho na relevância

Pouca gente sabe, mas a Le Postiche, gigante do segmento de bolsas e acessórios, começou com a venda de perucas

Gisele Tamamar, Estadão PME

A reinvenção do negócio e o sucesso em lidar com situações fora do planejado fizeram parte, desde o início, da trajetória de uma das empresas mais conhecidas do País, a Le Postiche. Para se ter uma ideia das mudanças pelas quais a empresa passou, o primeiro produto de destaque foi uma peruca. A fábrica chegou a ter 500 funcionários, mas não resistiu ao fim da moda. Durante sua trajetória, o negócio ainda sofreria outras modificações até conquistar o posto de maior rede de lojas de bolsas, malas e acessórios de viagens do País. São 275 unidades.

Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão
Alessandra é a atual presidente da Le Postiche

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A história começa com o salão de beleza Antoine Cabeleireiro, localizado na Praça da República, e o sucesso das perucas na década de 1960. O acessório motivou a abertura de uma fábrica, que chegou a importar 30 mil unidades da China e fabricar outras 30 mil por mês.

Na época, uma loja foi aberta ao lado do salão e batizada de Le Postiche ou ‘o postiço’, em francês. A sociedade era formada pelos ‘Antonios’: o Restaino e o Passos, além do filho do segundo sócio, Amaury. Mais tarde, a empresa ganhou a companhia de Alvaro Restaino, filho do primeiro Antonio.

Passada a moda das perucas, os sócios precisaram reinventarar o empreendimento: fizeram uma adaptação no maquinário para fabricar bolsas de couro com foco nas exportações. Tudo ia muito bem até os Estados Unidos instituírem uma sobretaxa e, dessa maneira, inviabilizar as vendas da pequena empresa. Diante de todas as dificuldades, a sociedade foi desfeita e a marca ficou nas mãos da família de Antonio e Alvaro.

Alternativas. Uma das saídas encontradas foi iniciar a fabricação de jaquetas e instalar uma loja em um ponto mais movimentado para liquidar as bolsas que sobraram do destrato – a unidade localizada no bairro de Moema, em São Paulo, é considerada a primeira oficial, aberta em 1978. A estratégia adotada deu tão certo que eles chegaram a vender 300 bolsas em apenas um dia de atividade.

O negócio ganhou novos sócios, chegou até os shoppings, cresceu por meio de franquias e, dessa forma, cada grupo de unidades era administrado por um dos parceiros. Foi aí que Alvaro convidou as filhas a integrarem a empresa. Fabiana assumiu a área financeira e Alessandra largou o estágio em uma multinacional para comandar o setor comercial e de marketing das lojas próprias.

Mais uma vez, a sociedade foi desfeita e a família Restaino precisou reestruturar o empreendimento com a saída de um grupo de lojas que participava da sociedade. Em vez de franquia, optou-se então pelo modelo de licenciamento. Se no passado a marca vendia para todo mundo, atualmente o foco são as mulheres, responsáveis por 80% das compras da marca.

A proposta de focar no público feminino foi implantada por Alessandra, que assumiu a presidência há cinco anos. “Eu achava que ia seguir minha vida, mas quando aceitei o convite do meu pai tinha a obrigação de ser ainda melhor. A pressão é muito grande, você ser filha, ser mulher. Tive que batalhar muito pelo meu espaço, pelo respeito das pessoas”, conta Alessandra, que está na empresa há 22 anos.

Novos modelos de negócios estão nos planos da empresa. “Agora é enfrentar esse momento de desafio. Se reinventar tem muito a ver com nosso DNA. Os piores momentos são os que a gente mais se reinventou, mais saiu na frente”, afirma.

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