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| 25 de março de 2015 | 7h 11

Os sonhos de uma camisaria

Marca alcança 98 anos na mesma família e, com a recompra de 49,9% de participação, ainda quer abrir seu capital

Renato Jakitas, Estadão PME

Em seu escritório na zonal sul de São Paulo, Álvaro Jabur Maluf Jr, presidente da Camisaria Colombo, se estica na cadeira para mostrar o programa de computador que reporta em tempo real a movimentação das 428 unidades da rede. “Eu aperto com o mouse em cima de uma loja do mapa e sei a quantidade vendida e até o nome do cliente que acabou de passar o cartão de crédito”, conta o empresário, que ao lado do irmão Paulo, o vice-presidente, representa a terceira geração de um negócio fundado há 98 anos, mas que só nas últimas duas décadas investiu para crescer.

Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão
Para Álvaro Maluf, a empresa agora está pronta para finalmente consolidar sua posição no mercado

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Por exatos 73 anos, a marca fundada pelo imigrante libanês Aziz Maluf se restringiu a uma única loja, no centro da capital paulista. Daí para a construção da rede atual a história passa diretamente pela ascensão de Álvaro e Paulo. Assim que eles sucederam o pai, deram início ao projeto de expansão. “Meu pai era muito conservador”, diz Álvaro, que é administrador de empresas (o irmão é engenheiro de produção) e montou sua primeira filial em 1990 no shopping Ibirapuera.

É exatamente desse período a decisão de modificar sensivelmente o posicionamento da marca, que adaptou produtos e margens para atender os consumidores da classe C. “Nosso tíquete médio era de US$ 100 (cerca de R$ 320), que era o preço da camisa de linho ou de seda pura. Hoje, o desembolso médio é de R$ 110, que dá para comprar duas peças e meia por cliente”, explica Álvaro Maluf. “Eu me lembro que descobri esse mercado de consumidores emergentes quando reduzi as margens no shopping Ibirapuera e fiz uma fila que saía da loja e ía até a escada rolante. Eu falei, opa, tem coisa aí.”

Imprimir capilaridade é ponto determinante para o empresário que, desde o início, sonha com uma consolidação ou com a abertura de capital – em 2013, durante evento promovido pela Associação de Lojistas de Shopping (Alshop), ele confessou que contava com uma janela para o IPO entre 2015 e 2016.

Atualmente, mais contido devido a freada brusca da economia, o empresário revê os planos, embora permaneça otimista no médio prazo. “Em 36 anos no comércio, eu nunca vi um momento de tanta desconfiança. Mas acredito que vamos recuperar a economia até o fim do ano”, aponta.

Álvaro Maluf, aliás, acaba de concluir uma importante operação para o negócio: ele readquiriu parte da empresa, negociada em 2011 com a Gávea Investimentos, gestora fundada por Armínio Fraga, que foi presidente do Banco Central. Um ano antes, a Camisaria Colombo declarou publicamente sua intenção de ter um sócio para acelerar o projeto de chegar a 560 lojas, com faturamento acima de R$ 1 bilhão a partir de 2014. A meta não foi concretizada.

De acordo com informações do mercado, a Gávea Investimentos detinha 49,9% de participação na Camisaria Colombo e os irmãos ficaram com os outros 50,1%. “Foi uma parceria muito tranquila, mas compramos tudo de volta”, diz Álvaro Maluf. “Nosso interesse sempre foi manter o controle de empresa. Foi um negócio importante, lá atrás, para a gente conseguir crescer como crescemos, com média de 50 lojas por ano”, afirma o empreendedor.

O fundo de private equity fez o primeiro aporte há quatro anos, estimado em R$ 150 milhões e convertido em participação. Em 2014, a Gávea fez novo aporte, de R$ 100 milhões, ampliando a participação de 30% para 49,9%. O valor de recompra não foi informado. “Temos um modelo de governança implementado e esse controle de logística que me permite saber o que acontece nas lojas ao vivo. Somos uma empresa preparada para a consolidação.”

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