André Lessa/Estadão
André Lessa/Estadão

O "senhor" 25 de Março queria era ser médico

Empresário abriu a loja para ajudar sua família em 1961 e hoje tornou-se referência na principal rua de comércio em SP

Gisele Tamamar, Estadão PME,

31 de outubro de 2012 | 16h00

 O comércio faz parte da rotina de Semaan Halim Mouawad, hoje com 69 anos, desde 1961. Na época, ainda era possível estacionar e lavar o carro na frente da loja na Rua 25 de Março, em São Paulo. Hoje, 51 anos depois, Semaan orgulha-se de ter construído uma rede que leva o seu nome e engloba o comércio varejista, atacadista, além de distribuidora e loja virtual.

Nascido no Líbano, Semaan chegou ao Brasil com apenas 4 anos. A vida seguia tranquila no País até os 17, quando seu pai enfrentou problemas financeiros. O jovem precisou então desistir do sonho de cursar Medicina para abrir uma loja e dessa maneira ajudar a família.

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“Todos os meus colegas estavam bem de vida. Eu não queria ficar por baixo. Tive que correr, trabalhar muito.” Durante esse processo, Semaan acompanhou a transformação da 25 de Março. “Naquela época, se o cliente pedia para levar a mercadoria no hotel, eu ia de carro e ainda encontrava a vaga quando voltava”, lembra. No início, a loja vendia artigos de charutaria e chaveiros com foco no atacado. Com o tempo, o comércio ganhou novos produtos, mas quando a tradicional rua passou a atrair milhares de consumidores, a empresa precisou adaptar-se e seguir em frente.

A solução foi direcionar o mercado atacadista para a região do Pari, onde o fundador da rede hoje passa a maior parte do seu dia. O varejo continuou na 25 de Março e tornou-se referência em brinquedos e itens colecionáveis. Com isso, a rede cresceu em média 30% nos últimos cinco anos, resultado de mudanças estruturais.

A entrada dos filhos, por exemplo, ajudou muito no desenvolvimento dos negócios mantidos pela família. Marcelo atua na operação da 25 de Março. Rodrigo é responsável pela área financeira e Fabiana, pela administrativa. “No começo não queria colocar computador, cartão de crédito. Fui aceitando as ideias deles e o negócio foi desenvolvendo. Hoje fico como figura decorativa”, brinca Semaan.

Acerto

Para Semaan, o acerto da sua trajetória foi a vontade de atender bem e crescer. “É importante lutar por isso. Não acreditar que as coisas vão cair do céu. É preciso trabalhar sério”, diz. A entrada dos filhos nos negócios, todos com boa formação, foi essencial para a profissionalização e modernização da empresa. “Caso contrário, não sobreviveria na era digital.”

Erro

Questionado sobre uma falha nos negócios, Semaan preferiu não apontar nenhuma. “Acontece muita coisa na empresa, mas são erros pontuais, não são significantes para eu citar.” Para o empresário, os enganos servem como lição para não serem repetidos. “Se fosse fácil, todo mundo faria. É preciso aprender a enfrentar as dificuldades”, afirma.

Dica

A sugestão do empresário é não ter preguiça de trabalhar. E nada de ficar só atrás de uma mesa dando ordens. Semaan não fica trancado no escritório do Pari. Ele trabalha em uma mesa no meio da loja mesmo, orienta funcionários, atende clientes e resolve problemas. “No escritório eu não vejo se o pessoal está trabalhando, não vejo os clientes”, observa.

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