Tiago Queiroz/Estadão PME
Tiago Queiroz/Estadão PME

O maestro que apostou na pizza para empreender

Giovanni, formado em música, criou a rede 1900, hoje com sete unidades e faturamento de R$ 21 milhões

Gisele Tamamar, Estadão PME,

31 de julho de 2014 | 07h00

 O empresário Giovanni Momo tem dois sentidos muito apurados: audição e paladar. O primeiro o ajudou na sua formação como músico e maestro. O segundo fez toda a diferença quando ele resolveu criar, em 1983, a pizzaria 1900 com a ajuda da mulher Katia e da sogra Dima. Atualmente, o filho Erik comanda sete unidades, uma rede que fatura R$ 21 milhões, tem 420 funcionários e vende em média 700 pizzas por dia.

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A ideia inicial era aproveitar o galpão, localizado na Vila Mariana, para fazer um estúdio de gravação. Mas a decadência do mercado para músicos de formação clássica, e alguns episódios envolvendo a descontinuidade de projetos na área pública, fizeram Giovanni investir seu dinheiro na pizzaria.

“Como eu já fazia pizza, resolvi partir para o comércio, pensando, inclusive, no futuro dos meus filhos. De repente, com essa ideia de fazer pizzaria, eu agreguei a família e foi muito prazeroso”, conta.

Antes de abrir o restaurante, o casal promoveu encontros com amigos no local para testar receitas e preparar o forno. “Nós juntávamos os amigos aqui, fazíamos pizzas, nos divertíamos e também dávamos pizza para as crianças que brincavam na rua. A vizinhança queria saber o que estava acontecendo aqui. Fizemos isso uns três, quatro fins de semana e isso foi aguçando a curiosidade das pessoas”, conta Katia.

Mas foi depois de promover o aniversário de um amigo do casal no espaço que Giovanni tomou coragem e abriu o negócio. Resultado: mesmo sem convidar ninguém, a casa estava cheia. Os familiares precisaram ir para a cozinha ajudar a cortar queijo e lavar a louça. Por volta das 23h30, as portas do restaurante estavam fechadas porque já faltavam ingredientes.

“Foi um caos, não tínhamos nem comanda para anotar os pedidos. Alguns clientes voltaram depois e contaram que vieram no dia da inauguração e comeram de graça porque não cobramos”, afirma Katia.

O início da pizzaria também traz boas lembranças para Erik, que junto com o irmão Edrey ajudava no que era preciso. “Pegávamos o acolchoado da sala de espera e íamos dormir lá no escritório”, lembra. Hoje, o sucesso da 1900 é uma mistura das tradições do passado com processos implantados para melhorar o serviço.

Do início, a rede mantém a preocupação com o cliente até a chegada do prato quente à mesa. “Crescemos com esse conceito, desse tratamento que minha mãe tinha com o cliente e passou a ter com os funcionários”, diz Erik. E mesmo Giovanni, que é tradicionalista, rendeu-se à tecnologia. O empreendedor acompanha o funcionamento de todas as unidades pelo smartphone. Se a cor vermelha indica um atraso na entrega, o fundador está pronto para cobrar o que está acontecendo.

Um acerto

O atendimento e a marca são apontados como grandes acertos. "1900 é um número iluminado, não foi pesquisa nada. E ele ajudou a desenvolver a marca", diz Katia. "Eram coisas que estavam fora do que estava sendo feito na época", completa Erik, que também aponta a abertura da pizzaria na segunda-feira como um grande diferencial da rede.

Um erro

Erik lembra que ocorreram diversos erros na história da empresa, mas ele acredita que um deles, já corrigido, foi não planejar o futuro da 1900. "Só depois começamos a pensar em como seria o negócio. Hoje estamos mais preparados para o futuro", conta Erik, que no dia a dia da operação também conta com a ajuda de João Maciel, sócio do negócio.

Uma dica

A dica da família Momo é para o empreendedor se preparar para os imprevistos, ter um plano B e reagir de maneira rápida. Ao citar como exemplo o universo da música, Erik diz que o instrumento pode estar afinado, a partitura estudada, mas o músico precisa estar preparado e ter habilidade para improvisar na apresentação caso alguma coisa saia do controle.

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