Cristiano Andujar/Estadão
Cristiano Andujar/Estadão

Morongo, fundador da Mormaii: "eu queria ajudar gente e virei um empresário"

Marco Aurélio deixou a promissora carreira médica na cidade grande para fundar uma marca de surfe internacional

Roberta Cardoso, Estadão PME,

31 de março de 2013 | 07h43

A juventude permite romantizar a vida, a existência e o futuro. Talvez por isso o médico Marco Aurélio Raymundo conseguiu convencer a família, ainda com 24 anos, a deixá-lo partir de Porto Alegre (RS) para viver em Garopaba (SC), um pedacinho de paraíso sem água encanada e energia elétrica.

Quase 40 anos depois, o surfista não só alcançou os propósitos humanitários que o levaram até a região, mas também fundou a Mormaii, marca nacional de peso que concorre com gigantes mundiais como Billabong e Quicksilver.

::: Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

“Eu fui treinado para ser médico. Sabe esses malucos que largam tudo e vão salvar vidas na África? Eu fiz isso, mas no Brasil”, conta Morongo, apelido pelo qual ele é conhecido.

O começo difícil mostrou logo de cara os desafios para o moleque de ideais hippies. “Para resolver um problema de saúde local eu tive que virar empresário”, afirma Morongo, que instalou latrinas na cidade quando não havia saneamento básico e distribuía amostras grátis de medicamentos.

Morongo solucionou também outro ‘inconveniente’ em Garopaba. Praticante de surfe, ele sofria muito com a água gelada do litoral catarinense. Para enfrentar o frio, fez em casa, sem muitas noções de costura, uma roupa de neoprene para não deixar de lado o seu passatempo preferido durante o inverno do Sul. Da experiência, nasceu a Mormaii.

“Quando eu vim morar aqui fiquei por muito anos só com luz de lampião. A minha geladeira funcionava a querosene e eu caminhava um quilômetro para pegar água em uma gruta. Mas eu estava me realizando. Eu não ganhava um tostão, mas também não precisava de dinheiro”, conta o empreendedor de sucesso.

Bem sucedido, Morongo, diferente da maioria dos colegas, prefere levar uma vida modesta. “Eu não tenho frescuras! É legal ter dinheiro, mas ainda como a mesma comida de quando cheguei”, diz. “Às vezes esquecemos que caixão não tem gavetas e a gente não vai levar nada quando partir.” Por isso, quando não está trabalhando, está no mar.“Sempre disseram que eu era louco. Vai ver estavam certos e sou louco mesmo.”

:: Acerto ::

Morongo acredita que a formação médica o ajuda na gestão da Mormaii. “Geralmente os empresários são treinados em universidades que falam muito sobre números e administração. E eu estudei sobre o 'bicho homem'. E como cuidar de uma empresa nada mais é do que administrar esse bicho, eu posso até dizer que me dei melhor”, afirma o empreendedor.

:: Erro ::

Nos quase 40 anos de existência da Mormaii, o fundador não aponta dificuldades ou erros pontuais. “Só deu certo!”, diz. Mas ele ensina a fórmula para quem decidir testar. “As coisas foram dando certo porque nunca perdi o entusiasmo. É fato também que quando você implanta um sistema mais democrático, menos ‘mim chefe, você escravo’, fica mais fácil”, diz.

:: Dica ::

Para o médico e empresário, saber conduzir a gestão dos funcionários é fundamental para que qualquer projeto vá para frente. “Administrar uma empresa nada mais é do que administrar pessoas. Só. Então, se você colocar as pessoas certas nos lugares certos, você também atrai as pessoas que estão alinhadas com a empresa”, garante Morongo.

:: LEIA TAMBÉM::

:: Gestão flexível garante o sucesso da Mormaii ::

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.