JF Diório/AE
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Eles começaram uma empresa universitária e hoje faturam até R$ 30 milhões por ano

Jovens empreendedores contam como tornaram realidade o sonho de ter o próprio negócio

Estadão PME,

07 de fevereiro de 2012 | 09h10

Eles tiveram uma grande ideia quando ainda ocupavam os bancos da universidade e mesmo sem muito investimento, contatos e experiência em gestão, construíram empresas promissoras que hoje estão consolidadas no mercado.

Conheça as histórias de Giovani Amianti, Juliano Martinez e Ricardo Buckup, três jovens empreendedores que realizaram o que, segundo pesquisa recente do Instituto Endeavor, é o sonho de metade dos estudantes universitários: ter o próprio negócio.

Giovani Amianti - Xmobots

O engenheiro Giovani Amianti, de 29 anos, acaba de fazer o seu primeiro milhão. Após sete anos de pesquisas e desenvolvimento de produtos, sua empresa, a Xmobots, especializada em veículos aéreos não tripulados (chamados de vants), começa a decolar.

O negócio foi idealizado em 2004 quando Amianti, então estudante do quarto ano de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), estudava e desenvolvia aeronaves cargueiras radiocontroladas como projeto de iniciação científica. Ao perceber que tecnologia poderia ser utilizada para monitorar linhas de transmissão de energia elétrica, uma atividade de risco que era realizada por helicópteros, se uniu a outros quatro amigos para tirar a empresa do papel. Como a operação em linhas de transmissão exigia investimentos elevados, eles decidiram mudar e desenvolver aeronaves voltadas para questões ambientais, como monitoramento de florestas e rios.

Para viabilizar a empreitada, cada estudante usou suas habilidades. Enquanto um fez o projeto do avião, outro se dedicou ao software. Um terceiro desenvolveu o hardware, e Amianti e um amigo cuidaram da aeronave. Depois da formatura, três dos cinco estudantes continuaram o desenvolvimento da tecnologia em um mestrado. Só no segundo semestre de 2008, a primeira aeronave da empresa, a Apoena 1000, voou pela primeira vez, sendo lançada comercialmente em 2009, um ano e meio após a empresa se incubada no Cietec. “Nós investimos todo o dinheiro da bolsa de mestrado na empresa”, relembra Amianti.

A empresa hoje tem grandes clientes como a Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, e recebeu R$ 9 milhões em investimento de entidades como o Finep e o CNPq. Mas até chegar a esse estágio, Amianti e seus sócios precisaram trabalhar em dobro. “Só o sensor de um avião custa R$ 15 mil e nós não tínhamos recursos para pagar”, diz. A saída foi fazer escambo com os fornecedores dos equipamentos. Em troca de uma peça, ofereciam algum tipo de serviço.

Já a gestão da empresa foi aprendida na prática, por meio de alguns cursos de Sebrae e, principalmente, com dicas de outros empreendedores do Cietec. Apesar de criticar a falta de estímulo ao empreendedorismo nas universidades e a falta de capital semente no País, Amianti diz que o maior empecilho para jovens criarem negócios é a preguiça. “É muito difícil empreender no setor tecnológico, mas nada que não seja superado com muita garra.”

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Juliano Martinez - Resolva.me

A primeira proposta de projeto de conclusão de curso elaborada pelo então estudante de marketing Juliano Martinez foi rejeitada pelos professores. Ele queria criar um portal na internet que funcionasse como uma rede de troca de recomendações entre clientes, prestadores e empresas de serviços, mas a ideia foi considerada pouco rentável.

Ele não desistiu. Nos últimos sete anos não só estudou o mercado como angariou o apoio de amigos e colegas de trabalho para tirar o projeto do papel.  Há duas semanas, ele comemorava a compra do Resolva.me, lançado no mercado há menos de um ano,  pela maior empresa de comparação de preços da América Latina, o site Buscapé.

“O maior incentivo que a universidade me deu foi negar o projeto. Se eu tivesse desenvolvido a empresa naquela época, não teria encontrado as pessoas certas para me associar (o Resolva.me tem cinco sócios) e poderia estar infeliz trabalhando em uma multinacional”, afirma.

Sem dinheiro para investir no negócio, Martinez e seus sócios - Edgard Zavarezzi, diretor de Tecnologia; Rodrigo Vitulli, diretor de Marketing e relacionamento, Pedro Sorrentino, responsável por relações públicas e estratégia de mercado e produto, e a agência digital DBR Interativa – tiveram que manter seus empregos e se dedicar ao empreendimento por noites e madrugadas após o horário comercial. “Nós reuníamos religiosamente três vezes por semana no Skype, compartilhávamos documentos pelo Google Docs e ficávamos acordados com muito energético e cafeína”, relembra Vitulli.

Em fevereiro do ano passado, eles desenvolveram o primeiro protótipo: um aplicativo para o Facebook. A partir de então, começaram a frequentar feiras e eventos de tecnologia e empreendedorismo para tornar o produto conhecido. “Circular é importantíssimo para fazer contatos e, mais do que isso, é preciso ter pelo menos um piloto do seu produto para mostrar para pessoas importantes”, conta Martinez. “Você acaba encontrando mentores que dão dicas valiosas para o seu projeto”, explica.

A grande virada aconteceu quando os jovens inscreveram a empresa em um concurso promovido pelo Buscapé, “Sua ideia vale R$ 1 milhão”, que premiaria as três melhores ideias de negócio com um investimento de R$ 300 mil. O Resolva.me ficou entre os 9 finalistas de 800 inscritos, mas não ganhou, Ainda assim, não saiu do radar da gigante de comparação de preços, que em janeiro comprou parte da empresa. “Ao empreender, temos que nos  preparar para ouvir vários nãos e que a sua ideia é maluca”, diz Martinez. “Mas se você acredita em um projeto e consegue provar para todo mundo que é viável, consegue vencer os obstáculos”, afirma.

Ricardo Buckup - Grupo B2

Quando os estudantes de administração Ricardo Buckup e Carlos Balma se juntaram para organizar a própria festa de formatura, deram início a uma empresa que em menos de dez anos alcançou o faturamento de mais de R$ 30 milhões por ano. O trabalhou bem-sucedido na formatura rendeu na sequência um contrato com a própria universidade para a organização de um evento e, assim, os dois tiveram o estímulo necessário para fundar a B2, consultoria de marketing e promoção de ações para o público jovem.

O negócio começou em uma sala emprestada dentro do escritório de um amigo dos sócios, apenas com um telefone e um computador. “Nosso amigo  tinha uma empresa de serviços de bartender. Nós pegávamos o contato de pessoas e empresas que ligavam para ele e oferecíamos serviços complementares”, lembra Buckup.

Foi dessa forma que em um ano eles conseguiram clientes suficientes para contratar dois funcionários e adquirir um escritório próprio. A partir daí a empresa cresceu em ritmo exponencial, com todo o lucro sendo reinvestido no negócio. “Nosso sonho não era comprar uma casa na praia, mas ver a empresa crescer. Por isso, sempre tiramos um salário muito pequeno do negócio.”

Para a B2 crescer, os empresários também precisaram corrigir falhas, como a falta de modelos de gestão e conhecimento dos aspectos legais do negócio. “Vejo que hoje a educação empreendedora melhorou, mas na época faltava estímulo para vencer o medo de empreender e exemplos de casos de sucesso”, afirma Buckup.

Para outros jovens empreendedores, a dica do empresário é arriscar. “Ninguém tem garantia de dar certo na vida nem como trainee de uma grande empresa. Quem tem vontade de empreender deve ir em frente. O importante é entender bem o negócio ao qual vai se dedicar”.

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