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| 26 de fevereiro de 2015 | 7h 10

Ele trocou uma vida tranquila pelos pneus

Jacyr Costa inovou na venda do produto e, com isso, conseguiu o que desejava: superar a concorrência no setor

Gisele Tamamar, Estadão PME

O empresário Jacyr Martins Costa tinha uma vida tranquila como dono de uma corretora de seguros quando resolveu aceitar a proposta de um cliente para comprar uma borracharia localizada na Avenida São João. “Deixei essa vida para ser borracheiro. Foi uma mudança da água para o vinho e não me arrependo”, conta o empreendedor, que começou a Caçula de Pneus em 1960 e hoje tem 32 lojas na Grande São Paulo.

Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão
Jacyr foi o primeiro do segmento a oferecer serviços e crédito para a compra de pneus

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Quando aceitou a proposta, a ideia era deixar a administração com o padrasto e o irmão, abrir filiais e tornar a empresa um porto seguro para os filhos e familiares. Mas antes do negócio pelo qual ficaria conhecido, a vida de Jacyr já tinha cruzado com a vocação empreendedora.

O empresário começou a vida profissional como datilógrafo até chegar ao cargo de gerente do setor de seguros em uma empresa. Nessa época, mesmo com a oferta de um cargo na diretoria, resolveu montar sua própria corretora.

Mas foi o desafio que motivou Costa a se envolver com o negócio de pneus e a propor inovações que o levaram ao crescimento. Enquanto a concorrência só vendia pneus, a Caçula passou a oferecer os serviços de alinhamento de direção e balanceamento de rodas no mesmo local. “Naquele tempo a gente montava pneu de caminhão na Avenida São João”, lembra o empresário.

Outra inovação que causou desconfiança dos concorrentes, mas que atraiu muitos consumidores, foi a opção do cliente financiar a compra. A campanha ‘Compre quatro de uma vez e pague apenas um por mês’, veiculada no rádio, atraiu compradores e reforçou a marca.

O nome da empresa, aliás, foi inspirado no nascimento do filho caçula do empreendedor. Quando comprou a loja, Costa começou a pensar em um bom nome para explorar nas propagandas da empresa. “Olhei vários, mas tinha nascido meu filho caçula. E falou em caçula todo mundo olha, todo mundo quer saber”, conta o empresário, que adotou o desenho de uma criança empurrando um pneu como logotipo da marca.

A primeira filial da Caçula foi aberta quatro anos depois, na Avenida Santo Amaro. “Quando eu vim para cá, os concorrentes falavam que eu ia me dar mal. Todos estavam concentrados no centro. Mas eu vim para a zona sul porque notei que o poder aquisitivo da região ia crescer”, conta Costa, que não parou mais de abrir filiais.

Entre os diferenciais que são responsáveis pela sustentabilidade do negócio até hoje, o empresário cita a preocupação com o atendimento. “Não podemos abandonar isso nunca. O cliente tem a preferência de tudo”, diz o diretor-presidente.
Para quem tem planos de tornar-se um empreendedor, Costa dá duas dicas. A primeira é gostar de trabalhar. “O empresário não deve ter preguiça de horário, de levantar”, destaca o senhor de 87 anos. A segunda é saber o que vai fazer. E se não souber, estudar. “Quando eu resolvi comprar a loja, não entendia de pneu”, conta.

O empresário também reconhece o esforço dos cerca de 400 funcionários da rede. “Existe uma hierarquia, inclusive no lar, senão vira bagunça. Mas somos todos iguais. Sozinho você não chega a lugar nenhum. Eu não fiz nada, quem fez foram todos os funcionários que me ajudaram”, diz Costa, que estuda uma expansão por franquias.

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