Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Ele ficou até sem telefone para entrar na internet

Aleksandar Mandic convenceu a mulher a emprestar uma linha telefônica para iniciar sua empresa na área

Ligia Aguilhar, Estadão PME,

05 de junho de 2012 | 10h40

Se ainda hoje o mercado brasileiro de tecnologia é considerado incipiente, imagine como era investir na internet no início da década de 90? Pois foi exatamente esse o desafio enfrentado pelo empreendedor Aleksandar Mandic, hoje com 57 anos e fundador da Mandic, um dos primeiros provedores de internet do País.

A relação dele com a web começou quando o empreendedor era funcionário do departamento de eletrônica da Siemens. Na época, Mandic vislumbrou a possibilidade de criar um sistema que permitisse a troca de informações entre usuários de computadores.

::: Siga o Estadão PME nas redes sociais :::

:: Twitter ::

:: Facebook ::

:: Google + ::

“Eu não morava nos Estados Unidos, não tinha curso superior ou participava de grupos de pesquisa sobre o que seria a internet. Mas já queria arrumar um jeito de trafegar dados pela rede”, conta o empresário, que precisou convencer sua mulher a doar a linha telefônica – artigo de luxo na época - para viabilizar o negócio.

Assim nasceu a Mandic BBS (sigla de Bulletin Board System, antigo sistema de informações eletrônicas por conexões telefônicas). A iniciativa deu certo e em 1995 já contabilizava mais de 40 mil usuários, o que obrigou Mandic a abandonar a estrutura caseira da empresa.

A liberação do uso comercial da internet também exigiu que o empresário transformasse o sistema BBS para a web, criando um provedor de acesso à rede mundial de computadores. O aumento da concorrência no ramo era inevitável, por isso, Mandic optou por vender a empresa em 1999. “Quatro meses depois estourou a bolha. Se não tivesse vendido o negócio naquele momento, teria perdido meu dinheiro”, conta.

Depois dessa experiência, Mandic focou o mercado corporativo e criou o Mandic Mail.

Atuando em um segmento tão dinâmico, o empreendedor aprendeu a reinventar-se. A estratégia parece funcionar e a empresa acaba de adquirir a Tecla Internet após receber aporte de R$ 100 milhões do fundo Riverwood Capital. “Aprendi a ser otimista. Quantas vezes não me disseram que o e-mail estava morto? Hoje sei que o importante é a experiência adquirida e a equipe que você monta. A empresa pode ser adaptada.”

O que acertei

“Nunca acreditei em crise. Sempre digo para as pessoas: tire o ‘s’ da crise e crie.” Para Mandic, a dificuldade é a oportunidade de conquistar um novo mercado criando algo novo. O empresário também orgulha-se de sempre prioriza o cliente. “Para cobrar pelo e-mail, tinha que oferecer algo diferente. Escolhi dar atenção ao usuário.”

O que errei

Mandic lamenta ter perdido algumas oportunidades, como tornar grátis o seu provedor. “Nem sempre a gente consegue prever os erros. O bom é que é possível mudar.” Ele também arrepende-se das longas jornadas de trabalho. “Não vi meu filho nascer e acho que ele só me conheceu aos 12 anos. Podia ter uma vida mais tranquila.”

Uma dica

Para o empresário, não há receita pronta para um negócio dar certo. O segredo está em não ter medo e fazer acontecer. “Dia desses alguém me disse que em três anos pretendia abrir um restaurante. Eu falei para essa pessoa que ela já estava quebrada. A melhor estratégia é não gastar tempo com excesso de planejamento e ir à luta”, afirma Mandic.

Tudo o que sabemos sobre:
Minha HistóriaCasos de SucessoMandic

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.