Daniel Teixeira/AE
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Di Cunto conta os segredos de permanecer por 77 anos no mercado: aliar tradição e qualidade

Empresa acredita que para ter sucesso será preciso sempre aliar produtos únicos com a força de sua marca

Natália Peixoto, Estadão PME,

17 de maio de 2012 | 16h42

 A Di Cunto funciona no bairro paulistano da Mooca há 77 anos. A longevidade, por si só, atesta o sucesso do empreendimento, que soube adaptar-se aos desejos dos clientes sem perder de vista o grande diferencial do negócio: a tradicional qualidade dos produtos fabricados primeiro como padaria, depois como doceria e rotisserie e recentemente por meio de um restaurante especializado em culinária italiana.

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A empresa abriu as portas em 1935 e foi idealizada pelo patrono da família Di Cunto, Donato, que percebeu na imigração de seus conterrâneos para o Brasil uma boa oportunidade para produzir pães conforme a receita italiana. Hoje, tanto tempo depois da inauguração, o negócio continua essencialmente familiar – é controlado pelos descendentes diretos de Donato Di Cunto – e atende cerca de cinco mil consumidores todas as semanas.

“A padaria perdeu a importância em termos de faturamento. Hoje, o carro chefe é a doceria”, revela Marcos Di Cunto Júnior, gerente de marketing da empresa. Representante da quarta geração da família, Júnior começou no negócio há sete anos, em um momento que classifica como difícil – o empreendimento não acompanhava a concorrência e pecava em relação ao posicionamento de mercado que pretendia ocupar.

Para retomar o caminho, a empresa apostou justamente no seu principal atributo: a união da família em torno do negócio. Auxiliaram nessa recuperação Marcos Di Cunto, diretor financeiro e pai de Marcos Júnior, e Reinaldo Di Cunto, diretor industrial e pai de Fernanda, nutricionista da empresa.

No início do negócio, inclusive, foi justamente essa cooperação familiar que fez o empreendimento dar certo. “O patrimônio dos irmãos gerado pela empresa era todo reinvestido para fazê-la crescer. E isso contribuiu para nossa união. A ideia era que se a empresa estivesse sólida, a família estaria sólida também”, diz Marcos Júnior. “Em um momento de dificuldade, em que você não sabe o que fazer, o que segura é o ‘algo a mais’ que o seu familiar oferece, como entendimento e compreensão”, conclui. Outro segredo do sucesso do negócio reside no fato de a Di Cunto produzir tudo o que comercializa – a única exceção são os produtos diet.

A empresa orgulha-se, ainda, de ser a mais antiga fabricante de panetones do País. A iguaria é produzida o ano todo, duas vezes por semana, em fornadas comandadas pessoalmente por Reinaldo. “Nós somos tradicionais. Os produtos que mais vendem são feitos aqui há mais de quarenta anos. O nosso desafio de cada dia é manter isso do mesmo jeito, o que não é fácil.”

Outro objetivo é diversificar a clientela e rejuvenescer a marca para cativar os mais jovens. “Precisamos aliar nossa tradição com uma linguagem descolada para atrair esse público”, analisa Marcos Júnior. A julgar pelo tempo na estrada, a família tem tudo para conseguir.

Um acerto

Não fazer concessão quando o assunto é qualidade. “A indústria alimentícia traz soluções de recheios prontos que têm todos o mesmo sabor. Não abrimos mão de fazer do jeito que a gente aprendeu, que custa mais, dá mais trabalho, mas garante um sabor especial”, diz Marcos.

Um erro

A tradicional empresa demorou para perceber a importância de ter indicadores internos que permitiriam aos donos acompanhar o que acontecia em seu segmento de atuação. “Não olhar para fora e ver o que estava acontecendo fez com que a gente ficasse alguns passos atrás”, relata Marcos Júnior.

Uma dica

Para Marcos, determinação não pode faltar para quem está começando. “Existem ciclos no negócio, momentos muito bons, outros nem tanto, e é preciso ter isso em mente. Se a ideia é montar uma empresa com sócios familiares, busque características complementares. Se todos que trabalham no negócio tiverem o mesmo foco, o resultado aparece”.

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