Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

De vendedor de geladinho a empresário

André Oliveira não mediu esforços para agradar a mãe no Paraná e assim descobriu sua vocação para empreendedor

Renato Jakitas, Estadao PME,

27 de junho de 2013 | 06h35

André Oliveira não tinha muito a perder quando inaugurou a primeira unidade de sua futura rede de lojas de crédito pessoal. Aos 25 anos, ele ainda era jovem para importar-se com perder tempo e, caso tudo desse errado, poderia retornar ao mercado de trabalho e alcançar rapidamente o salário de R$ 4 mil que recebia como bancário.

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Essa aparente falta de compromisso, contudo, já não se verificava quatro anos depois, quando a Credfácil, o nome da empresa que ele fundou, por muito pouco não fechou as portas. Oliveira já estava habituado com um padrão de vida confortável, conquistado às custas dos R$ 80 mil livres que tirava da bem-sucedida operação. Isso sem contar a boa reputação adquirida em sua cidade natal e sede da empresa, Umuarama, a 120 quilômetros de Maringá, região noroeste do Paraná.

Fama bem diferente da que ele construiu nos tempos de adolescente. “Minha mãe e meus amigos não acreditavam em mim nem a pau. Eu era bagunceiro, tirava notas baixas na escola, um relaxo. Só que eu sempre fui muito ousado”, analisa Oliveira, que põe na conta desse último aspecto de seu perfil não apenas o sucesso, mas também a explicação para as provações que enfrentaria no caminho como empreendedor.

Isso não se aplica exatamente ao primeiro revés, segundo ele, motivado pela crise internacional do final de 2008. Como consequência do momento econômico adverso, os bancos congelaram a concessão de crédito e isso inviabilizou temporariamente a atividade de correspondente bancário, segmento de atuação da Credfácil.

Mas, assim que o mercado recuperou o fôlego, em 2009, Oliveira ficou ansioso por retomar também o curso do crescimento e adiantou-se em franquear a marca. A estratégia foi desastrosa e culminou em parceiros insatisfeitos e contratos desfeitos por falta de lucratividade.

“Eu sai dos R$ 80 mil, quando tinha 20 lojas, para R$ 50 mil negativos com quatro lojas sem receitas”, lembra o empresário. “Em seis meses eu vendi dez franquias. Só que eu não tinha estrutura nenhuma para dar suporte para os caras”, confessa o paranaense. Faltava experiência para conduzir um processo de franchising. Por isso, o empreendedor usou suas últimas economias e contratou uma consultoria para reformular a estratégia. Depois de gastar R$ 150 mil, André Oliveira relançou a marca para o investidor e, enfim, fixou a Credfácil nos trilhos que a traz até aqui, com 78 unidades e faturamento de R$ 90 milhões em 2012.

“Eu sempre guardei dinheiro. Desde o começo eu tenho uma visão de futuro natural com meus negócios”, confessa o rapaz, hoje com 33 anos, e que experimentou o mundo dos negócios pela primeira vez aos 12. “A gente era muito pobre, morava em casa de madeira e meu pai era alfaiate. Minha mãe queria ganhar um jogo de copos de aniversário, um desejo de mulher simples. Mas a gente não tinha condição”, conta Oliveira, que teve a ideia de vender geladinhos (sorvetes) pela vizinhança para, quem sabe, levantar verba para fazer uma surpresa. “Montei um plano de negócios, calculei o custo dos geladinhos, preço para venda e uma meta diária. Quando chegou no dia, eu falei, tá aí, mãe, presente para você, uma jarra e seis copos.”

André Oliveira lembra que a mãe ficou surpresa, pegou o presente e chorou. Ele, por sua vez, tomou gostou pela coisa e continuou vendendo outros produtos (de coxinha a pedaços de frutas). Aprendeu ali, com uma caixa de isopor pelas ruas de sua cidade, que uma boa ideia, um bom planejamento e umas boas horas de trabalho, às vezes, resultam em sonhos realizados.

Um acerto

André Oliveira nunca teve medo de arriscar e começou a empreender no momento certo, quando tinha apenas 25 anos e pouco a perder – não havia muitas responsabilidades pessoais e o salário que então recebia como bancário, R$ 4 mil, poderia ser recuperado rapidamente caso a empreitada desse errado e ele tivesse que retornar para o mercado de trabalho.

Um erro

Mesmo com o mercado de crédito ainda enfrentando problemas por conta da crise de 2008 no Brasil, Oliveira não teve paciência e decidiu, no ano seguinte, lançar uma forte expansão da sua marca de crédito pessoal. A estratégia adotada, abrir franquias, não deu certo e o empresário passou então a acumular prejuízo por conta da iniciativa abrupta.

Uma dica

Apesar do fracasso e da situação adversa a ser superada, Oliveira não desistiu. Ele juntou as economia e contratou uma consultoria para reformar sua estratégia de crescimento. O empresário gastou R$ 150 mil, mas a iniciativa deu certo. Hoje, a Credfácil conta com 78 unidades e, segundo o empreendedor, faturou expressivos R$ 90 milhões no ano passado.

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