Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

De garçom a dono de restaurante

Seu Trasso chegou ao País sem falar português, mas superou essa e outras dificuldades para vencer no Brasil

Roberta Cardoso, Estadão PME,

27 de junho de 2012 | 13h39

 É com a sabedoria de quem já viveu um pouco de tudo na vida que Thrassyvoulos Georgio Petrakis, 95 anos, administra o Acrópoles, uma espécie de templo da gastronomia grega no Brasil. Há 53 anos, seu Trasso, apelido adotado para facilitar o contato, é responsável pelas receitas que atraem centenas de pessoas ao Bom Retiro, um bairro de São Paulo. Fiel às tradições gregas, o empresário conquistou o paladar de políticos, artistas e obteve fama mundial.

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“Não esperava tanto sucesso. Mas é muito compensador quando as pessoas pedem para eu mesmo ir para a cozinha fazer uma salada”, conta.

A popularidade do Acrópoles é grande, mas por trás desse reconhecimento não há mistérios: existe, sim, muito trabalho, dedicação e o envolvimento de seu Trasso, que não abre mão de participar da rotina do estabelecimento.

Por volta das 7h30, o empreendedor já está no batente. Sua jornada de trabalho é extensa e contempla praticamente todas as funções que permitem ao restaurante funcionar sete dias da semana. Ele vai ao mercado para assegurar a qualidade dos ingredientes, coordena a cozinha, prepara pratos, atua como garçom e ainda bate papo com os clientes.

“Se você quer ter qualquer tipo de negócio, precisa permanecer no local”, ensina.

Seguindo um modelo de gestão peculiar, onde a percepção se sobrepõe aos ensinamentos da escola – ele estudou apenas três anos –, o imigrante iniciou sua trajetória como garçom do restaurante que hoje é dono. “Aprendi tudo o que podia e me envolvia em todas as atividades. Com o tempo, acabei me tornando sócio e depois proprietário”, relembra.

Para tornar o Acrópoles referência gastronômica em um mercado com tantas opções como o de São Paulo, o grego não seguiu uma cartilha pronta. Foram os erros e acertos que o ensinaram. Mais do que isso. Sua trajetória permeada de obstáculos – ele chegou ao País sem falar o idioma – o ensinou a valorizar o poder da superação.

“O mais importante em um restaurante, além da qualidade, é o serviço. Para dar certo é preciso saber o que o cliente deseja e isso a gente descobre conversando com eles”, recomenda.

De forma ativa, lúcida e original, o empresário ensina uma das filhas a conduzir o restaurante. As dificuldades são encaradas sempre com muita paciência e sabedoria. “Quando alguém fala algo que não gosto, fico quieto. Dependendo da reclamação, finjo que não escutei”, conta. E foi assim que seu Trasso se esquivou de falar sobre o fechamento da filial do Acrópoles, um negócio concebido com a ajuda da filha. “Não deu certo”, resume, desviando em seguida para algo mais ameno. “O importante é que eu me divirto muito trabalhando.”

O que acertei

Oferecer serviço de qualidade todos os dias. Se um cliente chega ao Acrópoles deve ser sempre bem atendido. Isso é levado a sério pelo restaurante e vale até mesmo para uma pessoa que pede apenas para usar o banheiro. A filosofia do restaurante, não por acaso, é saber que aqueles que são bem recebidos, voltam.

O que errei

Abrir uma filial do restaurante em um bairro nobre de São Paulo.O negócio foi criado com a ajuda da família, mas não replicou o sucesso da matriz, que funciona no Bom Retiro. Seu Trasso não fala muito sobre o episódio, prefere destacar que no empreendedorismo é importante fazer aquilo que se gosta.

Uma dica

Para abrir um restaurante, a pessoa precisa desenvolver uma experiência mínima no segmento. Antes de entrar no ramo, o empresário diz que já tinha trabalhado com o setor na Grécia. Seu Trasso ensina também que é preciso monitorar todas as áreas que permitem ao local funcionar bem durante todos os dias da semana.

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