José Patricio/Estadão
José Patricio/Estadão

Corintiano, libanês e muito empreendedor

Paixão do empresário pelo time de futebol só equivale ao amor pela loja de fantasias na Ladeira Porto Geral

Gisele Tamamar, Estadão PME,

28 de novembro de 2013 | 08h00

O começo de uma guerra civil no Líbano, em 1975, fez Pierre Sfeir desembarcar no Brasil com 19 anos. A solução encontrada pela mãe para livrar o filho do serviço militar foi morar com a avó e o jovem acabou como funcionário na loja de bijuterias e bolsas dos tios. Mas depois de 22 anos como empregado, Pierre resolveu buscar, finalmente, sua independência e abriu a loja Festas e Fantasias. Deu certo. No total, são 38 anos de trabalho na Ladeira Porto Geral, região da famosa Rua 25 de Março, em São Paulo.

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Pioneiro no local com a venda de artigos para festas e fantasias, o empresário até influenciou a mudança de rumo dos negócio dos tios, agora administrado pelos primos, que também ingressaram no ramo.

No início, o empreendimento estava localizado em outro prédio na ladeira e tinha apenas 20 metros quadrados. O foco era a venda de artigos para balé, dança, teatro e perucas. Mas a vontade da mulher do empresário de conhecer o famoso personagem Mickey Mouse mudou o rumo da loja para sempre.

“Fui para a Disney, vi castelos, conheci o Halloween, coisas que não existiam no Brasil. Tive a ideia de comprar umas amostras: fantasias de Branca de Neve, Cinderela, mão que mexe, espelho que grita”, lembra Pierre. Os objetos, deixados como decoração na loja, despertaram o interesse dos clientes e o empresário começou a importar os produtos. As 4 mil ‘mãos que se mexiam’ foram vendidas em dois meses.

Depois dessa viagem, Pierre já voltou 15 vezes aos Estados Unidos e visitou outros 15 países. Tudo para conhecer as novidades do setor. Hoje, a loja localizada ao lado da estação de metrô São Bento tem 1,1 mil metros quadrados. “Foi um caminho muito difícil, passamos por um monte de moedas. Mas precisamos sempre procurar modelos novos, não podemos parar.”

Em vez de só importar, o empresário passou para a fabricação própria e criou o Studio do Terror, especializado em decoração de festas de Halloween. Apesar do nome, a fábrica também confecciona itens de Páscoa e até chapéu de festa junina – 80% dos produtos vendidos na loja hoje são feitos no País.

Raízes. Na década de 1980, Pierre teve a oportunidade de voltar ao Líbano. “Era tarde demais, já tinha virado brasileiro. Vou a cada dois anos para lá.” Como falava árabe, francês e inglês, o empresário aprendeu o português em seis meses. Só não perdeu o sotaque. E ele já desembarcou no Brasil corintiano – os amigos que moravam por aqui levavam camisas do time de presente ao rapaz quando ele ainda estava no Líbano. A curiosidade pelo clube era tamanha que Pierre foi ao estádio logo em seu primeiro fim de semana no País. “Sou corintiano roxo”, reforça o empresário, que tem bandeiras do clube espalhadas pelo escritório.

A paixão é semelhante pela Ladeira Porto Geral. “Eu amo essa região. Recebemos pessoas do mundo todo, no inverno, no verão”, afirma Pierre, que apesar da correria do fim de ano se prepara para passar o Natal com a família no Líbano.

O que acertei

A decisão de sair da empresa dos tios e montar um negócio é considerada como acerto. Com a própria loja, ele conseguiu implantar suas ideias e ampliar seus ganhos. Hoje, Pierre comanda um estabelecimento de 1,1 mil metros quadrados e uma fábrica. Até o negócio inicial dos tios migrou para o seu ramo.

O que errei

Para Pierre, o erro foi ter ficado tanto tempo como funcionário. Foram 22 anos atuando nas funções de caixa a gerente de loja – em determinado momento, não havia mais como crescer. Além disso, ele não tinha autonomia para colocar em prática suas ideias. Em 1994, o empresário resolveu empreender.

Uma dica

A dica do empresário é: trabalhar, trabalhar e trabalhar. Segundo Pierre, muitos empresários ganham o primeiro dinheiro e logo vão gastar. A recomendação é deixar essa quantia no negócio. "Deixa sua empresa crescer, depois você cresce. Tem que ser empresa rica, patrão pobre. Não patrão rico e empresa pobre."

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