Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

As bonecas na vida de três irmãos

Cotiplás existe desde 1982 e começou como uma pequena fábrica no interior; hoje a empresa tem 600 funcionários

Gisele Tamamar, Estadão PME,

30 de abril de 2014 | 18h00

Durante a infância, os brinquedos dos irmãos da família Bazzo eram pipas feitas de jornal ou tampas de panelas pregadas em um cabo de vassoura. Eles viviam em Laranjal Paulista, cidade do interior de São Paulo que reunia diversos fabricantes de brinquedos. Apesar da proximidade, as novidades industrializadas eram um luxo inacessível para a família por conta do baixo poder aquisitivo.

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Mesmo assim, e talvez exatamente por conta do passado, Luiz Antonio Bazzo Júnior e os gêmeos Carlos Alberto e Paulo Roberto Bazzo construíram uma das maiores empresas do setor no Brasil, a Cotiplás. E o mais curioso: a especialidade do negócio são as bonecas, vendidas em mais de 5 mil estabelecimentos em todo o País.

Filhos de pai jardineiro e mãe lavadeira, os irmãos tiveram uma infância humilde junto com mais quatro irmãs. Cada um seguiu sua vida, mas em 1982 surgiu a oportunidade de comprar uma pequena fábrica de bonecas, que tinha apenas uma máquina. O dono era italiano e queria se livrar do negócio que dava prejuízo. O sonho de entrar para o ramo de brinquedos motivou os irmãos, que emprestaram dinheiro no banco para concretizar a negociação.

“Nascemos em uma cidade com fábricas de brinquedos e queríamos entrar nesse ramo também. E mexer com bonecas era um desafio. Era uma fábrica quebrada, fomos arrumando e aprendendo a trabalhar”, conta Luiz, de 64 anos.

Sempre em busca de inovação, a Cotiplás tornou-se realmente conhecida quando lançou a Bebê Pedacinho, em 1986. Era uma boneca feita com um plástico mais macio e olhos que abriam e fechavam. Foram vendidas 4 milhões de unidades em apenas um ano.

Desde então, os irmãos não deixaram de melhorar a empresa, que é conhecida pelo slogan: ‘Cotiplás. Sempre um rostinho feliz!’. Eles viajam, sempre juntos, pelo menos cinco vezes por ano para outros países. E são categóricos em afirmar que a criança ainda gosta de boneca, apesar da concorrência dos produtos eletrônicos. O brinquedo só não pode ser estático.

Por isso, os produtos da Cotiplás buscam atrelar elementos instrutivos, como ensinar inglês ou a escovar os dentes. É uma forma de aprender brincando. E são mais de 150 modelos. A criatividade dos irmãos é grande, mas é limitada pelo mercado. Segundo eles, não adianta fazer uma boneca muito cara – os modelos custam entre R$ 40 e R$ 120. Já os da marca Supertoys, criada para vender produtos mais acessíveis, custam entre R$ 20 e R$ 50.

A vida dos irmãos gira em torno da empresa. Eles já perderam festas de Natal por causa de voos atrasados e uma viagem a lazer sempre reserva uma parada em alguma loja de brinquedos. Um dos desafios é a substituição na empresa. Cada um dos sócios tem um filho na Supertoys. E os outros cinco filhos tocam outros negócios: as cervejarias Bamberg, Dama Bier e Burgman.

Um acerto

Os irmãos empreendedores sempre priorizaram a busca constante de novidades e tecnologia no setor. Dessa forma, pelo menos cinco vezes por ano eles viajam juntos para fora do Brasil para pesquisar e buscar a evolução dos produtos. A persistência e a aposta em bonecas são considerados dois acertos da trajetória vivida pelos empresários da família Bazzo.

Um erro

O trio não aponta um erro que prejudicou a trajetória da empresa. Eles afirmam que os erros são raros, mas acontecem no cotidiano de qualquer negócio. Ocorreu um vacilo, por exemplo, no custo de um produto, mas que acabou sendo encoberto pelos acertos no lançamento. Atualmente, a produção média da empresa gira em torno de 5 milhões de peças por ano.

Uma dica

A dica é ter muita persistência. Eles resolveram apostar nas bonecas e, mesmo com uma pequena fábrica, investiram no aprimoramento do produto e acertaram em cheio. Só que o conselho também tem uma ponderação: não adianta ficar insistindo em um produto apenas e que já dá sinais que não vai para frente. O empreendedor precisa ter coragem de abandonar o projeto e seguir em frente.

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