ESTADÃO PME » » casos de sucesso

| 27 de maio de 2015 | 7h 00

Agora ela vai cuidar do próprio jardim

Sônia deixa o comando do empreendimento que a executiva ajudou a transformar em sinônimo de qualidade no País

Vivian Codogno, Estadão PME

A semana passada de Sônia Hess de Souza começou com visitas a todas as unidades de produção da Dudalina. O motivo foi o seu desligamento da presidência da empresa, papel que cumpriu por 12 anos. Desde a última segunda-feira (25), a empresária integra o conselho administrativo da Restoque, grupo acionista que adquiriu a marca em 2013. “Agora, coloco minhas mãos de executiva para trás, mas mantenho os ouvidos atentos”, reflete Sônia, que, como planejado, encerra seu período no comando da empresa aos 60 anos.

Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão
Ela cuidou do negócio criado pela mãe em 1957 e costurou acordo de venda em 2013

::: Saiba tudo sobre :::
Mercado de franquias
O futuro das startups
Grandes empresários
Minha história

Para falar sobre a história da confecção, fundada em 1957 no interior de Santa Catarina, a empreendedora recebeu, ao mesmo tempo, a reportagem do Estadão PME e a manicure que cuida das suas unhas durante as passagens semanais dela por São Paulo. “Você não se incomoda, não é? Preciso usar o tempo que tenho”, justifica-se.

O crescimento que levou a Dudalina para capitais de países como Espanha, Panamá, Equador e, recentemente, Suécia, começou a ser pavimentado quando dona Adelina Hess decidiu transformar um encalhe de tecidos do armazém do marido, seu Duda Souza, em camisas masculinas.

Por meio da boa e velha venda direta, Adelina conseguiu seus primeiros clientes batendo de porta em porta até que, em 1965, abriu a primeira loja. Os 16 filhos a acompanhavam em viagens de caminhão pelo estado em busca de novos consumidores. Com o empreendedorismo acontecendo dentro de casa desde suas lembranças mais remotas, Sônia acompanhou todos os passos da construção da Dudalina até os 21 anos, quando decidiu se dedicar a estudos sobre empreendedorismo e moda na Espanha.

Ao regressar, em 1984, tomou decisões que mudariam os rumos da empresa. A primeira foi a abertura de uma sede em São Paulo, período acompanhado das primeiras parcerias com grandes magazines para estabelecer pontos de venda. Mais tarde, em 2010, liderou o ingresso do negócio no varejo e a expansão para a moda feminina. Hoje, são quatro marcas: Dudalina, Dudalina Feminina, Individual e Base Jeans.

A inspiração para as coleções e modelagens vem da própria Sônia, que identificou em sua demanda por um figurino de “executiva” um nicho de atuação até então pouco explorado pela moda feminina no País.

“Qual é a melhor roupa para o meu dia a dia? Uma camisa, obviamente. Até desenvolvermos nosso produto, não existia ‘vestibilidade’ nas camisas femininas. Eram produtos com shape masculino travestidos de feminino”, reflete. Sônia guarda na memória as jornadas na companhia da mãe, que define como a alma empreendedora da família Hess. “Meu pai era poeta, agregador da família. Minha mãe, da empresa. Por sermos uma família muito grande e todos estarem envolvidos com o negócio, tivemos todos os conflitos possíveis e imagináveis”, relata a empreendedora.

O maior deles aconteceu após a morte da mãe, em 2008. “Quando ela era viva, tínhamos uma família. Quando morreu, nos transformamos em 16 famílias”, explica. Por isso, para Sônia, dois elementos protegem a empresa destes conflitos: o conselho de administração e o acordo de acionistas.

As homenagens recebidas nas despedidas da Dudalina passaram a Sônia a sensação de dever cumprido. “Agora que tenho tempo, vou cuidar do meu jardim”, sorri a empresária.

Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui