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| 31 de outubro de 2013 | 7h 40

A história da empresária que virou Mulher-Gato

Ela nasceu Josefa, se tornou Sylvia e venceu como a empreendedora mais irreverente do varejo de móveis

Renato Jakitas, Estadão PME

Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão
Sylvia Design é dona de cinco lojas de móveis que carregam seu nome em São Paulo

Assim que desembarcou em São Paulo, Sylvia Design – a empresária que ganhou fama vestindo-se de Mulher-Gato e gritando ‘miau’ na TV para liquidar estoques de sofás – conta que foi arrebatada por duas sensações: o frio e a curiosidade.

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Após três dias e quase 2,5 mil quilômetros comendo frango com farinha dentro de um ônibus, ela chegou à rodoviária do Tietê de minissaia e com o termômetro apontando a metade da temperatura de sua Barro, cidade no interior do Ceará, que por aquela época andava na casa dos 30 graus. “Naquele tempo fazia frio, né? Mas aí eu logo vi o desenho do elefantinho do Jumbo Eletro e fiquei apaixonada por aquilo. Queria conhecer e trabalhar na loja”, relembra.

O problema era que, em 1986, Sylvia Design ainda era Josefa e, aos 16 anos de idade, só convenceu os pais a viajar sozinha para a cidade grande com a promessa de seguir sem escalas da porta do ônibus para a casa da irmã mais velha, que estava grávida e precisava de ajuda com os outros filhos.

Seis meses depois, entretanto, o contratempo estava solucionado. A cearense conseguiu afrouxar a vigilância da família e celebrou a conquista da carteira de trabalho assinada pelo departamento de RH da extinta rede de lojas Jumbo. Contratada para a vaga de empacotadora especial, ela ainda comemorou mais um episódio antes de assumir, efetivamente, o posto. “Quando fui pedir o crachá, perguntei se poderia colocar o nome que eu amava. O rapaz falou, ‘pode, mas a gente tem de colocar pelo menos o primeiro nome certinho’. Eu disse, ‘tem problema não, bote Josefa Sylvia’. Pedi para colocar o Josefa bem ‘pichichuzinho’ e o Sylvia grandão, com y. ‘Bote com y que eu vou brilhar moço’”.

Não dá para dizer que ela tenha se equivocado na previsão. Além do Jumbo, a moça passou por outros quatro empregos, entre eles duas lojas de móveis, onde estabeleceu contato com fornecedores, aprendendo a dinâmica do setor.

Atualmente dona de cinco lojas de móveis que carregam seu nome em São Paulo, ela emprega diretamente 280 pessoas e fatura, por mês, R$ 5 milhões. De quebra, criou um personagem que caiu no gosto não apenas do mercado publicitário, como da audiência cativa das atrações populares de televisão.

Prova disso é que, com ou sem a roupa de Mulher-Gato, Sylvia Design é hoje personagem recorrente em programas de entretenimento que ocupam da faixa da tarde ao horário nobre de alguns canais.

Garota-propaganda. É por isso que, hoje, a empresária também se proclama atriz. Um caminho que ela jura ter trilhado por puro acaso, fruto de um orçamento apertado para a divulgação da empresa. “Quando abri minha primeira loja eu tinha R$ 8 mil no banco. Consegui todo o estoque e a mídia para pagar em 120 dias. E quando fui fazer propaganda, eu pensei, ‘meu horário é tarde e o dinheiro, curto. Tenho de tomar uma posição, eu preciso inovar’”.

O plano de Sylvia foi apostar em seu estilo extrovertido. Fez uma primeira tentativa fantasiada de Mulher-Maravilha, outra de personagem da novela Rebeldes e mais uma como Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
“Até que eu coloquei a roupa da Mulher-Gato e, meu filho, ai o pato piou. A loja lotou. Todo mundo fazendo ‘miauuuuuuu’. Bombou tanto que tive de abrir um estacionamento e encher de móveis. No primeiro mês, eu consegui pagar meu estoque e pagar toda a mídia”, lembra hoje a empreendedora.

Um acerto
Sylvia Design acertou em cheio ao preparar uma estratégia de diferenciação em seu plano de mídia. A imagem inusitada da própria empresária fantasiada de Mulher-Gato foi fundamental para divulgar a imagem da empresa. Ela também treina a equipe de vendas a repetir, ao menos quatro vezes, ‘Sylvia Design’. “O cliente sai da loja com a marca na cabeça.”

Um erro
A empresária adota como regra não tratar publicamente os problemas corporativos. Mas, sem dúvida, eles existem. Uma pista é o abre e fecha de pontos de venda nos últimos 12 anos, tempo de existência da marca. Isso corrobora para plantar na cabeça do mercado, e também de alguns clientes, uma dúvida sobre o desempenho de algumas operações.

Uma dica
Adquirida na prática diária como gestora de empresas da área, a comunicação e as ações sazonais de Sylvia Design são voltadas para posicionar a marca com uma empresa que adota a política de preço justo. Duas vezes por ano a empresária vai para a TV e, por 15 dias, pede para os clientes não comprarem nada, esperando pelo saldão do empreendimento.

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