Você sabe o que o franchising tem em comum com as startups?

Você sabe o que o franchising tem em comum com as startups?

O varejo talvez não tenha a cultura de startup, mas usa métodos e fórmulas de que as startups se apropriaram com mais palavras em inglês e abertas para construir o novo e questionar o velho

Ana Vecchi

24 de outubro de 2019 | 09h48

A abertura do maior evento de franchising, que comentei no artigo anterior, foi na noite passada com a fala de André Friedheim, com a leveza que lhe é peculiar e trazendo a reflexão de que mundos aparentemente distintos têm muito em comum. Ambos estão inseridos na nova economia, cada um à sua moda, mas os termos utilizados até então deixam de existir de forma apartada.

A coopetição é comum no franchising devido à prática de nos reunirmos, quase todos, em busca de soluções para todos os setores, em que os stakeholders de uma marca/rede sentam em volta de mesas redondas com os das marcas concorrentes, buscando ideias, soluções, práticas e fazendo o bench.

O scale up faz parte do processo de expansão das redes de franquias, assim como o pitch de vendas, pois há de se convencer alguém a investir em uma determinada marca, de forma segura e assertiva e todos se tornam corresponsáveis pelo negócio, escalada, inovação, dentre outros aspectos.

Ser pequeno e pensar grande é outra máxima do franchising para os iniciantes. O e-commerce faz parte da realidade de boa parte das franqueadoras, assim como o delivery há décadas. E estamos buscando, cada vez mais, integrar canais, melhorar a experiência dos consumidores e eliminar as dores de cada mercado, de cada nicho, de cada um.

O varejo talvez não tenha a cultura de startup, mas usa métodos e fórmulas dos quais, de alguma forma, as startups se apropriaram com mais palavras em inglês, já com total familiaridade com a tecnologia e muito abertas para construir o novo, questionar o velho, romper com o banal e repensar o que parecia tão óbvio.

As tomadas de decisão são mais rápidas em startups; para entender a lógica dos mais jovens, só saindo ‘da caixa’. Foto: Pixabay

Foi interessante essa provocação, já que nos fez ter, de novo, a noção do tamanho e da força do varejo e de serviços estruturados pelo franchising. No que as franqueadoras não podem nem devem se permitir errar – o que nas startups é mais que aceitável, porém que é possível pensar em fazer um benchmarking em startup, entender o mindset desses C level com menos de 35 anos ou 30!

Como um pitch de vendas pode trazer milhões de reais ou dólares em menos de 20 minutos de exposição e a venda séria de uma franquia, em média de 90 a 180 dias.

Inspiração é sempre muito bom, mas, onde buscá-la e fazer uso do melhor insight, só saindo da caixa: do escritório com ar condicionado, indo a um bairro distante , ver o que nem imagina existir, conversar com quem tem idade para ser seu filho ou neto e descobrir o quanto mais ele já sabe em relação a nós, nas idades deles!

Quem busca empreender também precisa dessa veia curiosa e aberta a tudo o que puder trazer conhecimento, consciência e responsabilidade. Se tiver dinheiro para investir, então, as chances de sucesso serão muito grandes! Pretendo trazer mais reflexões no próximo post. Até mais, meu beijo diretamente de Comandatuba! 😊

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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