Você sabe desenhar o seu negócio no guardanapo

Daniel Fernandes

10 de maio de 2013 | 07h47

Faça esse exercício antes de começar sua empresa

Mais novos aprendizados e lições dos nossos colegas empreendedores blogueiros do Blog do Empreendedor do Estadão nesta semana. Se perdeu algum, é só ler os posts mostrados abaixo deste. Se puder e quiser, deixe seu comentário concordando, discordando, sugerindo, criticando ou acrescentando sua contribuição. Em muitos casos, não há “o” certo e o “errado” no empreendedorismo.
Desta vez, gostaria de destacar o post da Juliana Motter da Maria Brigadeiro que discorreu sobre “depois do iPad, o guardanapo”, mencionando o livro The Back of the Napkin de Dan Roam, traduzido no Brasil como Desenhando Negócios: Como desenvolver  ideias com o pensamento visual e vencer nos negócios (Campus, 2011).
Este livro passou desapercebido no Brasil mas foi considerado um dos melhores livros de negócio em 2008 pela BusinessWeek e pela Amazon e trata de um grande desafio das pessoas que lidam com muitas informações… em resumo… todas as que têm contato diário com as mídias online e off-line.
Mas o dilema de processar tantas informações já vem antes da internet. Em 1990, Richard Wurman, mais conhecido por ter criado o TED, publicou o livro Ansiedade de informação: Como transformar informação em compreensão, infelizmente já esgotado e só encontrado em sebos, que visionariamente já discutia o fato de que não temos a capacidade de absorver a enxurrada, cada vez maior, de leituras que aparecem na nossa frente.
E para piorar nossa capacidade de compreensão, não foi só a quantidade de informação que cresceu exponencialmente. Em sentido inverso, a qualidade média dos textos não pára de cair. Mais graves que os erros de grafia, muitos textos não conseguem comunicar suas mensagens.  Os recentes casos do ENEM são apenas exemplos caricatos da nossa sociedade cada vez mais “tuítada”.
E neste contexto, o empreender é afetado de diversas formas. De um lado, o empreendedor pode não entender o que está escrito. Vale para um contrato, um acordo ou um documento. Falhas que podem afetar não só a pessoa jurídica, mas principalmente a pessoa física do empreendedor. E também podem  ser incluídas as leituras que podem ajuda-lo(a) a empreender melhor como livros, revistas e sites. Não raro, empreendedores não entendem que “Falir é preciso. Mas planejar não é preciso”. Do outro, o empreender pode não conseguir se comunicar direito com seus colaboradores, fornecedores, clientes e investidores. E este tipo de falha pode ser ainda mais grave pois contribui diretamente para o insucesso do negócio.
As falhas de comunicação do empreendedor podem ser observadas em diversas ocasiões. Uma que é comum é a definição da missão e da visão do negócio. Muitos nem sabem o que é isto e por esta razão não refletiram sobre o propósito das suas empresas existirem e nem onde querem chegar. Mas outros se preocuparam em definir a estratégia do negócio e optaram propositalmente por incluir palavras que parecem sofisticadas como valor agregado, sinergia ou paradigma. É uma pena que ficamos órfãos do Gerador de Declaração da Missão do Dilbert, mas ainda assim é possível encontrar soluções similares como o ComfyChair Mission Statement Generator e o aplicativo Miracle Mission Statement.
Mas há ainda uma parcela reduzida de empreendedores que conseguem elaborar uma ótima estratégia para o seu negócio. E muitos falham em não conseguir traduzir a informação em compreensão por parte de colaboradores, fornecedores, parceiros e investidores. E é disto que trata o livro do Dan Roan. O resumo do seu livro The Back of the Napkin é bastante simples: Você deveria conseguir explicar para alguém o que pretende fazer em um guardanapo. Se não souber fazer isto, esqueça! Você não sabe o que quer fazer!
Depois que li este livro, passei a exigir que meus alunos explicassem o que pretendiam fazer nos trabalhos de conclusão de curso ou nas dissertações de mestrado em uma figura que representasse o problema de pesquisa. Também passei a exigir que todos os empreendedores que pedem o meu apoio a fazer o mesmo com a estratégia dos seus negócios. É um fato que muitos não souberam representar graficamente seus problemas de pesquisa ou suas estratégias de negócio. E ficaram muito deprimidos pois realmente demonstraram que não sabiam exatamente o que queriam fazer. Mas também é verdade que ficaram radiantes e confiantes quando souberam representar o que queriam fazer.
A linguagem visual em negócios é uma alternativa para lidarmos com a enxurrada crescente de informações. Manuais de máquinas e equipamentos podem ficar mais compreensíveis com a linguagem visual. Estratégias e informações empresariais também. Até acordos contratuais e bulas de remédio podem se beneficiar deste recurso.
Você não precisa comprar o livro para aprender um pouco mais sobre pensamento visual nos negócios. Indico um vídeo do Dan Roan (em inglês, mas com muita linguagem visual, of course) e um curso a distância (gratuito, but in English) para os que querem se dedicar com mais afinco à comunicação do futuro (menos textos, mais imagens).
Bons negócios!
 

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